Trindade (cristianismo) – Wikipédia, a enciclopédia livre
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Início
1
Fundamentos bíblicos
2
O desenvolvimento do dogma
Alternar a subsecção O desenvolvimento do dogma
2.1
Igreja Primitiva
2.2
Concílios
2.3
Conclusão teológica de Santo Agostinho
3
Operações e funções das pessoas da Trindade
Alternar a subsecção Operações e funções das pessoas da Trindade
3.1
Prosopon
e
hypostasis
3.2
O Deus de Israel e o enviado, o redentor,
se fundem
4
Unidade composta
5
Pluralidade em Elohim
6
Plural Adonai
7
Críticas à doutrina da Trindade
8
Impacto cultural e toponímico
9
Ver também
10
Referências
11
Bibliografia complementar
12
Ligações externas
Alternar o índice
Trindade (cristianismo)
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Ordem da Santíssima Trindade
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(
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)
Parte
da série
sobre o
Cristianismo
Jesus Cristo
Nascimento
Batismo
Ministério
Parábolas
Sermão da Montanha
Mandamentos de amor
Milagres
Transfiguração
Mistério pascal
,
Páscoa
(
Crucificação
e
Ressurreição
)
Bíblia
Antigo Testamento
Novo Testamento
Evangelhos
(
canônicos
,
apócrifos
)
Livros
Cânon
Teologia cristã
Apologética
Batismo
Cristologia
Eclesiologia
Escatologia
Graça
História da teologia cristã
Justificação
Mariologia
Pecado
Sacramentos
Salvação
Trindade
Pai
Filho
Espírito Santo
Santidade
Tradição
Maria
12 Apóstolos
Pedro
Paulo
Evangelho
Eucaristia
Credo
Igreja
Reino de Deus
História
Cristianismo primitivo
Perseguições
Constantino
Cristianização
Cristandade gótica
Concílios ecuménicos
Padres da Igreja
Agostinho
História das missões
Cisma do Oriente
Cruzadas
Aquino
Inquisição
Cisma do Ocidente
Devotio Moderna
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Lutero
Concílio Vaticano II
Denominação cristã
Católicos:
Católico Romano
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Restauracionismo
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Orientais:
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Igrejas ortodoxas orientais
Igreja Assíria do Oriente
Cristãos de São Tomé
Antitrinitarismo
:
Cristadelfianos
Pentecostais do Nome de Jesus
Testemunhas de Jeová
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Cristianismo Esotérico:
Antroposofia
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Ficção
Filosofia cristã
Mulheres
Música
Liturgia
Oração
Pregação
Relações com outras religiões
Símbolos
Igrejas cristianizadas
Portal do Cristianismo
v
d
e
A Trindade é a crença de que
Deus
é um Deus em três pessoas: o
Pai
, o
Filho
(
Jesus
) e o
Espírito Santo
. Na imagem, o
Escudo da Trindade
.
A
Trindade
(do
latim
trinitas
"tríade", de
trinus
"tripla")
[
1
]
é uma
doutrina
cristã
desenvolvida entre os séculos II e IV d.C., que define
Deus
como três
pessoas
consubstanciais
[
2
]
ou
hipóstases
:
[
3
]
o
Pai
(
YHWH
), o
Filho
(
Jesus
Cristo
) e o
Espírito Santo
; "um Deus em três pessoas". As três pessoas são distintas, mas são uma "substância, essência ou natureza".
[
4
]
Neste contexto, a "natureza" é
o que
se é, enquanto a "pessoa" é
quem
se é.
[
5
]
[
6
]
[
7
]
De acordo com a doutrina central da vasta maioria dos cristãos,
[
8
]
existe apenas um Deus em três pessoas. Apesar de distintas uma da outra nas suas relações de origem (como o
Quarto Concílio de Latrão
declarou, "é o Pai quem gera, o Filho quem é gerado e o Espírito Santo quem realiza"), nas suas relações uns com os outros são considerados como um todo, coiguais, coeternos e
consubstanciais
, e "cada um é Deus, completo e inteiro".
[
9
]
Assim, toda a obra da criação e da graça é vista como uma única operação comum de todas as três pessoas divinas, em que cada uma delas manifesta o que lhe é próprio na Trindade, de modo que todas as coisas são "a partir do Pai", "através do Filho" e "no Espírito Santo".
[
10
]
[
11
]
Após controvérsias quanto a oposição ao conceito da divindade de
Jesus
, como entre o presbítero Ário e o bispo
Alexandre de Alexandria
, a doutrina passou a ser discutida entre a
Igreja
e
Roma
durante o
Primeiro Concílio de Niceia
em 325 d.C., solicitado pelo imperador
romano
Constantino
. O concílio declarou que o
Filho
era verdadeiro Deus, coeterno com o Pai e gerado de sua mesma substância, argumentando que tal doutrina codificava melhor a apresentação bíblica do Filho, assim como a crença cristã tradicional sobre ele transmitida pelos
apóstolos
. Essa crença foi expressa pelos bispos no Credo de Niceia, que formou a base do que é conhecido atualmente como
Credo Niceno-Constantinopolitano
.
[
12
]
Em Niceia, questões relativas ao
Espírito Santo
foram deixadas, em grande parte, sem solução e assim permaneceram pelo menos até que o relacionamento entre o Pai e o Filho ter sido resolvido por volta do ano 362.
[
13
]
Assim, a doutrina em uma forma mais completa foi formulada no
Sínodo regional de Constantinopla
em 360,
[
14
]
e uma forma final foi formulada em 381 no
Concílio de Constantinopla
, primariamente trabalhada por
Gregório de Nissa
.
[
15
]
A doutrina não atingiu sua forma definitiva até o final do quarto século.
[
16
]
Durante o período várias soluções tentativas foram propostas, algumas mais e outras menos satisfatórias.
[
17
]
Embora aceita pela maioria dos cristãs, a doutrina da Trindade é foi alvo de rejeições através das eras por grupos
antitrinitários
, que incluem o binitarianismo (uma deidade em duas pessoas), com o
unitarismo
(uma deidade em uma pessoa, análogo à interpretação
judia
da
Shema
e à crença
muçulmana
no
Tawhid
) e com o
sabelianismo
(uma deidade manifestada em três aspectos separados).
[
18
]
[
19
]
[
20
]
Fundamentos bíblicos
[
editar
|
editar código
]
A doutrina trinitária professa que o conceito da existência de um só Deus,
onipotente
,
onisciente
e
onipresente
, revelado em três pessoas distintas, pode ser observado através de muitos trechos da
Bíblia
. Um dos exemplos mais referidos é o relato sobre o batismo de
Jesus
, em que as chamadas "três pessoas da Trindade" se fazem presentes, com a descida do Espírito Santo sobre Jesus, sob a forma de uma pomba, e com a voz do Pai Celeste dizendo:
Tu és o meu Filho amado, em ti me comprazo
[
21
]
E na fórmula tardia de Mateus:
[
22
]
«Portanto ide, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo»
.
No relato em que a Trindade se revelaria por três anjos que apareceram a Abraão próximo ao Carvalho de Mambré (Gn 18,ss)
Na criação do homem se apresenta um criador
plural
": «
Façamos o homem a nossa imagem e semelhança
»" (Gn 1,26)
No episódio da torre de Babel o Senhor Deus fala no plural: "«
Vamos: Desçamos para lhes confundir a linguagem, de sorte que já não se compreendam um ao outro.
»” (Gn 11,7)
No inicio do
Evangelho segundo João
em que Jesus é chamado de "Verbo" ou "Palavra" e de que seria Deus. (João 1,1)
Ainda segundo os defensores da doutrina trinitária, ao longo da Bíblia há várias passagens que revelam a natureza divina da Trindade, e até a personalidade de cada uma das três pessoas divinas:
No que concerne à divindade de Deus-Filho, referem-se, por exemplo, a sua onisciência,
[
23
]
a sua onipotência,
[
24
]
a sua onipresença,
[
25
]
ao fato de perdoar os pecados
[
26
]
e ser doador da vida
[
27
]
em íntima unidade, porém diferenciando as pessoas:
«Eu e o Pai somos um»
.
[
28
]
Contudo, mais do que estas simples passagens isoladas, a afirmação da plena divindade de Jesus é o resultado da reflexão, na fé, sobre a sua missão redentora contida nas escrituras - pois a sua personalidade divina e humana nunca foi seriamente posta em descrédito pela igreja cristã seja ela católica ou protestante.
No que concerne à divindade do Espírito Santo, os trinitários reportam-se, por exemplo, à passagem bíblica que o chama de Deus em Atos,
[
29
]
a sua onisciência,
[
30
]
a sua onipotência,
[
31
]
a sua onipresença
[
32
]
e sobretudo ao fato de ser Espírito
"de"
verdade
[
33
]
e
"de"
vida,
[
34
]
prerrogativas que, tais como as apresentadas para Deus-Filho, segundo a Bíblia são única e exclusivamente divinas.
No que concerne à personalidade do Espírito Santo, a terceira pessoa da Trindade, assunto que foi muito debatido ao longo dos primeiros séculos do cristianismo, é comum referirem-se aos atributos deste que, tal como os que no Antigo Testamento são aduzidos para a personalidade do Deus do Antigo Testamento, YHWH - cuja divindade e personalidade nunca foram alvo de críticas substanciadas entre os cristãos -, testemunham o seu carácter pessoal: Ele glorificará Cristo;
[
35
]
ensina a comunidade e os fieis,
[
36
]
distribui os dons segundo o seu desígnio,
[
31
]
fala nas escrituras do Antigo Testamento,
[
37
]
fala para as sete Igrejas na carta do Apocalipse
[
38
]
é enviado pelo Pai em nome de Jesus
[
39
]
e pelo Filho que enviou da parte do Pai
[
39
]
aparecendo como distinto de ambos, pois não é Cristo sob outra forma de existência, mas seu representante e testemunha.
[
40
]
Mais importante do que as passagens isoladas é o conjunto que o revela como Aquele que tem a missão de recordar, universalizar e realizar em cada pessoa a obra de Jesus, o que não ocorre mecanicamente, mas somente onde houver a liberdade do Espírito, dado que
«onde está o Espírito do Senhor, aí há liberdade»
.
[
41
]
Para os cristão trinitários, esta liberdade do Espírito exclui que este possa ser um princípio impessoal, um meio ou instrumento, mas antes pressupõe a sua independência relativa.
O desenvolvimento do dogma
[
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|
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]
Igreja Primitiva
[
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|
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]
Iluminura
medieval com a representação clássica da Santíssima Trindade
Kerigma
(do
Grego
κήρυγμα,
kérygma
) significa
mensagem
,
pregação
,
proclamação
. Desde o acontecimento pascal e sua proclamação catequética - gênese da experiência e da reflexão trinitária - até à formulação conceptual do mistério trinitário, um longo percurso foi trilhado. Na verdade, desde a proclamação primitiva da morte e ressurreição de
Jesus
,
[
42
]
passando pelas primeiras afirmações do
Novo Testamento
da plena divindade de Jesus,
[
43
]
da personalidade do
Espírito Santo
[
44
]
e o surgir das primeiras fórmulas trinitárias
[
45
]
até ao
Credo niceno-constantinopolitano
, um tortuoso caminho foi burilado pelas primeiras gerações de cristãos.
Defensores da doutrina trinitária afirmam que a
Igreja primitiva
já acatava plenamente essa ideia, com base nos escritos de
Inácio de Antioquia
,
Carta aos Efésios
, 9,1 e 18,2, e na
Primeira Carta de Clemente Romano
42 e 46,6.
[
46
]
Mas, do ponto de vista histórico, um dos primeiros a utilizar, no ocidente cristão, o termo "trindade", para expressar a ideia de que a unidade divina existiria em três pessoas distintas, foi
Tertuliano
. No início do
século III
, em sua obra
"Adversus Praxeas"
(2,4; 8,7), ele utilizou o termo latino de
trinitas
. Antes disso, e no oriente cristão, só há o registo do termo grego
"Τριας"
nos escritos de
Teófilo de Antioquia
(
"Três Livros a Autólico"
, 2,15) redigidos por volta do ano 180.
Na realidade, mais do que a partir da especulação teórica e abstrata - que mais tarde viria a ser preponderante -, a afirmação teológica da "trindade" ocorreu sobretudo a partir do uso dos textos bíblicos em ambiente litúrgico eclesial. Esta doutrina, de fato, foi-se apoiando e alicerçando no âmbito da práxis baptismal
[
47
]
(veja-se
Didaquê
7,1;
Justino Mártir
,
Apologia
1,61, 13) e eucarística (veja-se Justino,
Apologia
1,65-67;
Hipólito de Roma
,
Tradição Apostólica
4-13).
Somente depois da pacificação do
Império Romano
, sob
Constantino
, é que ocorreu aquela convergência de fatores - a paz, as facilidades de comunicação e diálogo entre as diversas Igrejas e teólogos, entre outros - que permitiu a elaboração de um edifício conceptual - a definição precisa das noções de
ousia
(natureza),
hipostasis
(pessoa),
homoousios (
consubstancialidade)
, bem como a sua mútua relação e aplicação teológica - apto para a descrição e explanação da divindade revelada em Jesus Cristo.
Concílios
[
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|
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]
Ícone
oriental que representa
Constantino I
entre os padres reunidos no
Primeiro Concílio de Niceia
(ano 325): o dístico por ele suspenso contém o texto do
credo de Niceia
, mas na forma modificada pelo
Primeiro Concílio de Constantinopla
(ano 381)
A primeira formulação dogmática do pensamento teológico cristão trinitário, no que concerne à relação entre cada uma das três pessoas divinas, foi postulada como um artigo de fé pelo
credo de Niceia
(proclamado em 325 no
Primeiro Concílio de Niceia
) - realizado para dirimir as questões levantadas por
Ário
que negava a divindade plena do Filho, bem como pelo
Primeiro Concílio de Constantinopla
do ano 381, realizado para, em oposição aos pneumatômacos, afirmar a plena divindade pessoal do Espírito Santo e apresentada no credo de Atanásio (depois de 500).
Estes credos foram progressivamente formulados e ratificados pela Igreja dos séculos III e V, em reação a algumas noções envolvendo a natureza da trindade, a posição de Cristo nela e a divindade do Espírito, tais como as do
arianismo
, do
docetismo
, do
modalismo
e a dos
pneumatómacos
- nome dado àqueles que negavam a divindade pessoal da terceira pessoa da Trindade -, que foram depois declaradas como heréticas na medida em que atentariam contra o essencial da Revelação. Estes credos foram mantidos não só na
Igreja Católica
e
Ortodoxa
, mas também, de algum modo, pela maioria das
igrejas protestantes
, sendo inclusive citados na liturgia de igrejas luteranas e igrejas reformadas.
O credo de Niceia, que é uma formulação clássica desta doutrina, usou o termo
homoousia
(em grego: da mesma substância) para definir a relação entre as três pessoas. A ortografia desta palavra difere em uma única letra grega, "iota", da palavra usada por não-trinitários do mesmo tempo,
homoiousia
, (grego: de substância semelhante): um fato que se tornou proverbial, a ponto de certos adversários do cristianismo nessa época afirmarem que os cristãos se digladiavam por causa de uma vogal, ilustrando assim as profundas divisões ocasionadas por aparentemente pequenas imprecisões, especialmente em teologia.
Conclusão teológica de Santo Agostinho
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]
A Igreja Católica anuncia e ensina o mistério da Santíssima Trindade com base em citações bíblicas, porém desencoraja uma profunda investigação no sentido de querer decifrá-lo, visto que torna-se complexo usando simplesmente nossa razão humana.
Agostinho de Hipona
, grande teólogo e
doutor da Igreja
, tentou e esforçou-se exaustivamente por compreender e desvendar este enigma. Após muito tempo de reflexão, esforço e trabalho, chegou à conclusão que nós, devido à nossa mente extremamente limitada, nunca poderíamos compreender e assimilar plenamente a dimensão (infinita) de
Deus
somente com as nossas próprias forças e o nosso raciocínio. Concluiu que a compreensão plena e definitiva deste grande enigma só é possível quando, na
vida eterna
, nos encontrarmos no
Paraíso
com o Pai, o Filho e o Espírito Santo. Logo, a compreensão da trindade está dentro dos mistérios de Deus.
Operações e funções das pessoas da Trindade
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]
Santíssima Trindade
, retratado por
Szymon Czechowicz
(1756–1758)
As três pessoas da Santíssima Trindade estabelecem uma comunhão e união perfeita, formando um só Deus, e constituem um perfeito modelo transcendente para as relações interpessoais. Elas possuem a mesma natureza divina, a mesma grandeza, sabedoria, poder, bondade e santidade, mas, em algumas vezes, certas atividades são mais reconhecidas em uma pessoa do que em outra. As funções, as suas principais atividades desempenhadas e o seu modo de operar está registrado nas
Sagradas Escrituras
e claramente resumido no
Credo niceno-constantinopolitano
, o credo oficial de muitas denominações cristãs.
Pai
– Não foi criado nem gerado. É o "princípio e o fim, princípio sem princípio" da vida e está em absoluta comunhão com o Filho e com o Espírito Santo. Foi o Pai que enviou o seu Filho,
Jesus Cristo
, para salvar-nos da morte espiritual, pelo
sacrifício vicário
. Isto revela o amor infinito de Deus sobre os homens e o não-abandono aos seus filhos adotivos. O Pai, a primeira pessoa da Trindade, é considerado como o pai eterno e perfeito. É atribuído a esta pessoa divina a criação do mundo.
Filho
– Eterno como o Pai e
consubstancial
(pertencente à mesma natureza e substância) a Ele. Não foi criado pelo Pai, mas gerado na eternidade da substância do Pai. Encarnou-se (Jesus de Nazaré), assumindo assim a natureza humana. O Filho, a segunda pessoa da Trindade, é considerado como o Filho Eterno, com todas as perfeições divinas: a Ele é atribuída a redenção (salvação) do mundo.
Espírito Santo
– Não foi criado nem gerado. Esta pessoa divina personaliza o Amor íntimo e infinito de Deus sobre os homens, segundo a reflexão de Agostinho. Manifestou-se primeiramente no
Batismo
e na
Transfiguração
de Jesus e plenamente revelado no dia de
Pentecostes
. Habita nos corações dos fiéis e estabelece entre estes e Jesus uma comunhão íntima, tornando-os unidos num só Corpo. O Espírito Santo, a terceira pessoa da Trindade, é considerado como o puro nexo de amor. Atribui-se a esta pessoa divina a santificação da Igreja e do mundo com os seus dons, além de ser o agente que
inspirou
a escrita de cada parte da
Bíblia
.
Prosopon
e
hypostasis
[
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|
editar código
]
Ver artigos principais:
Prosopon
e
Hipóstase
A palavra utilizada,
prosopon
(do
grego antigo
πρόσωπον; plural: πρόσωπα - prosopa) é o grego para designar "pessoa." O significado original da palavra foi-se alterando com o tempo, e o contexto de
prosopon
deve ser observado originalmente como "aparência, aspecto exterior visível, de um ser humano, animal ou coisa",
[
48
]
podendo ser compreendido como "rosto" ou "face" externa do que seria o ser, uma pessoa ou coisa, tendo contudo muito a diferenciar do que seria a personalidade, a
psique
, o âmago da apresentação do ser, que é bem mais complexo. Como J. Cabral prefere,
prosopon
, no contexto da
Santíssima Trindade
, pode ser compreendido como "três manifestações ou revelações que Deus fazia de Si ao Mundo".
[
49
]
O termo é utilizado para a "automanifestação de um indivíduo" que pode ser entendido por meio de outras coisas. Como um pintor que expressa sua
prosopon
por meio do seu pincel.
[
50
]
Prosopon é a forma no qual a
hipóstase
se manifesta, aparece. Toda natureza e hipóstase tem sua "face", sua
prosopon
. Ela concede expressão à realidade da natureza com seus poderes e características.
[
51
]
O Deus de Israel e o enviado, o redentor,
se fundem
[
editar
|
editar código
]
Chegai-vos a mim, ouvi isto: Não falei em segredo desde o princípio; desde o tempo em que aquilo se fez eu estava ali, e agora o Senhor D
EUS
me enviou a mim, e o seu Espírito.
Assim diz o S
ENHOR
[Yahweh],
[
52
]
o teu Redentor,
[
53
]
o Santo de Israel: Eu sou o S
ENHOR
teu Deus, que te ensina o que é útil, e te guia pelo caminho em que deves andar.
(Isaías 48,16-17)
“Chegai-vos a mim. Ouvi isto. Desde o começo, absolutamente não tenho falado num esconderijo. Estive ali desde o tempo da sua ocorrência.”
E agora me enviou o próprio Soberano Senhor Jeová, sim, seu espírito.
Assim disse Jeová, teu Resgatador, o Santo de Israel: “Eu, Jeová, sou teu Deus, Aquele que te ensina a tirar proveito, Aquele que te faz pisar no caminho em que deves andar.
(Tradução do Novo Mundo)
J. Cabral explica que
Jesus e Yahweh se fundem
no trecho de Isaías supra, e enquanto apresenta-se como o que foi enviado, da mesma forma apresenta-se como o próprio que enviou o Redentor e o seu Espírito.
[
54
]
Unidade composta
[
editar
|
editar código
]
Adoração da Santíssima Trindade
,
por
Albrecht Dürer
, no
Kunsthistorisches Museum
.
O
Pai
segura a cruz do
Filho
e o
Espírito Santo
em forma de pomba sobre a cabeça do Pai. Os três são adorados pelos
anjos
e
santos
Os trinitários, refutando a apresentação dos
unitários
, sustentada principalmente em Deuteronômios 6,4,
Escuta, ó Israel:
YHWH
Javé, nosso Deus, é um só Javé
, discorrem sobre a
unidade composta
de Deus.
Certos unitários concebem
Jesus
como um anjo criado, negando-lhe a natureza Divina, enquanto outros o veem apenas como um homem perfeito ou dotado de um caráter exemplar, modelar, embora rejeitem a sua pré-existência e divindade.
Os trinitários refutam o entendimento, dado por alguns unitários em suas cartilhas catequéticas, de que a Santíssima Trindade seriam três deuses, o que consideram uma provocação insultuosa ao credo monoteísta.
Os unitários entendem que o citado versículo (
Ouve, Israel, o Senhor nosso Deus é o único Senhor
) excluiria o Filho da divindade e da unidade com o Pai. Os trinitários reagem que aceitam e concordam que:
há um só
YHWH
, e que o presente versículo em nada ofende, mas ajuda a explicar o conceito de unidade composta, fortalecendo o entendimento sobre referido
dogma
.
Ouve, Israel, o Senhor (
YHWH
) nosso Deus é o único (
echad
) Senhor (
YHWH
).
A palavra
hebraica
originalmente usada para chamar YHWH de "único" é "echad", que é pronunciada "errad".
Echad
é a palavra usada para expressar unidade composta. Quando se deseja expressar a unidade absoluta, a palavra usada é
yachid
, que tem a pronúncia "yarrid".
Também o faraó teve "um"
sonho
que tinha "dois" acontecimentos que o intrigaram e José, antes de interpretar, disse:
o sonho é "um" (echad) só
, dando clara conotação que o
faraó
tivera "dois" sonhos em "um", ou "um" sonho sobre um "evento" com duas personificações que diziam a mesma verdade. Percebeu
José
que o sonho era "um só", usando o termo
echad
que significa um conjunto fazendo "uma unidade".
Para que seja mais bem compreendido o termo
echad
, em Gênesis 2,24, o homem deve[ria] '
deixar seu pai e sua mãe, e apegar-se-á à sua mulher, e serão ambos uma carne
. Nesse versículo novamente encontra-se o termo "uma carne" empregada como unidade (echad), significando unidade composta.
Se o texto quisesse expressar a unidade absoluta, teria usado a palavra
yachid
. Marido e mulher são pessoas distintas, entretanto, no plano espiritual, seus corpos sendo unos.
Como no caso de
marido
e
mulher
, há existência de pessoas distintas, contudo eles se fazem "um", no que a
Bíblia
denomina de "mistério". Não há um maior que o outro no enlace do casamento, mas um deles é considerado o "pai de família", enquanto o outro é denominado: "ajudadora" ou "sua costela"; contudo o texto dá
entendimento
que saíram do mesmo "corpo" adâmico e devem andar lateralmente, nem atrás, nem à frente, mas em unidade composta e "igual", como um só.
Os trinitários não expressam uma
questão
simplesmente racional, mas também de
fé
.
Para os trinitários, as Escrituras dão pistas sobre a pluralidade do único Deus YHWH, como ver-se-á mais à frente; contudo, ainda sobre o Deuteronômio 6,4 ficará mais facilmente compreendido na versão da
Tradução do Novo Mundo das Escrituras Sagradas
que é descrita da seguinte forma:
YHWH, nosso Elohím, é um só YHWH
ou seja,
Javé, nosso Deus, é um só Javé.
Com a transcrição acima pode-se perceber o entendimento sobre a unidade composta, pois o termo Elohím é plural, ainda que se fale na pessoa de YHWH como "unidade".
Conforme nos explica Warren Wiersbe:
O termo [echad] é empregado dessa forma em Gênesis 2,24, descrevendo a união de Adão e Eva, e também em Êxodo 26,6 e 11, para descrever a "unidade" das cortinas do tabernáculo.
Como havia a tradição dos escribas na transcrição dos pergaminhos letra por letra, não acreditam os trinitários que houvesse "erro" ou "acidente", contudo destinava-se ao propósito de referir-se ao Deus único em pluralidade de pessoas. Desta forma é aceito pelos que creem na Santíssima Trindade que Pai, Filho (Jesus) e Espírito Santo são a unidade plural de YHWH, pois o único (
echad
)
Elohim
(Deus) é YHWH.
Pluralidade em Elohim
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Os três anjos que visitaram
Abraão
, como
símbolo
da Trindade. (Gn 18)
Ícone ortodoxo por
Andrei Rublev
Uma das pistas bíblicas apresentadas pelos trinitários é Gênesis 1:26a
E disse [singular] Deus [Elohim]: Façamos [plural] o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança
;
Segundo entendimento trinitário Deus se apresenta "singular" e faz o homem no "plural". Os não trinitários argumentam que Deus falava com os anjos, contudo, se assim fosse, o homem não seria
fruto
da criação de Deus, mas apenas "parcialmente" fruto da criação de Deus, pois quem teria feito a obra seriam os anjos, Deus teria dado apenas a ordem; então, se tal argumentação fosse aceita, os homens seriam fruto da criação dos anjos, o que é rejeitado pelos trinitários. Porém como mostra colossenses 1:13-15, o próprio Jesus estava lá pois é chamado de "princípio da criação".
Outro argumento que os trinitários entendem incoerente na argumentação dos opositores é que se os anjos é que conversavam com Deus, então os homens não são a imagem e semelhança de Deus, mas a imagem e semelhança dos anjos; o que não é confirmado por outras passagens bíblicas, logo é rejeitado pelos trinitários.
Assim, os trinitários entendem que quando Deus disse "façamos o homem conforme a nossa imagem" ele falava com os outros dois seres incriados e uno com o Pai, autor [trino] da criação, falava com o Deus Filho,
Jesus
, e com o Deus Espírito,
Espírito Santo
. O homem foi criado a imagem do Pai, do Filho e do Espírito Santo, à
imagem
de Deus e não à imagem dos
anjos
.
Também em Gênesis 3:22a é encontrado diálogo semelhante:
Então disse o Senhor [YHVH] Deus [Elohím]: Eis que o homem é como um de nós [plural], sabendo o bem e o mal.
vayyo'mer Adonay 'elohiym hên hâ'âdhâm hâyâh ke'achadhmimmennu lâdha`ath thobh vârâ` ve`attâh pen-yishlach yâdho velâqachgam mê`êts hachayyiym ve'âkhal vâchay le`olâm
(Gênesis 3:22)
Da mesma forma o autor J. Cabral enumera os mesmos textos no plural, e acrescenta um terceiro verso para sustentar a mesma defesa:
[
54
]
Façamos
… de Gênesis 1.26; no momento da criação do homem.
O homem se tornou como
um de nós
… - de Gênesis 3.22; quando o homem prova o fruto proibido.
Depois disso ouvi a voz do Senhor que dizia: A quem enviarei, e quem há de ir
por nós
? - de Isaías 6.8; aqui J. Cabral está citando o momento em que Isaías é consagrado profeta de Deus. (sublinhado não existe no original, apenas o itálico)
Para os trinitários tanto o Pai, como o Filho, como o Espírito Santo é o Deus uno, apresentando assim o termo Deus no singular e as pessoas no plural.
Tais evidências da unidade composta seriam justificadas, dentre outras, pelas seguintes passagens bíblicas que apresentam o Pai, o Filho e o Espírito como Deus:
O Pai é Deus – Em Efésios 4:6 o texto revela que Deus é Pai.
O Filho
Jesus
é Deus – Em I João 5:20 traz mais evidências bíblicas de que o Filho também é Deus quando afirma:
o Filho de Deus é vindo … isto é, em seu Filho Jesus Cristo. Este é o verdadeiro Deus e a vida eterna
. E também em Isaías 9:6 dizendo claramente que Jesus é Deus:
Porque um menino nos nasceu, um filho se nos deu; e o governo estará sobre os seus ombros; e o seu nome será: Maravilhoso Conselheiro, Deus Forte, Pai Eterno, Príncipe da Paz.
O
Espírito Santo
é Deus – Em Atos 5:3 primeiro a advertência:
Ananias, porque encheu Satanás o teu coração, para que mentisses ao Espírito Santo …?
Contudo no versículo seguinte vem a revelação:
Por que formaste este desígnio em teu coração [Ananias]? Não mentiste aos homens, mas a Deus
. Nessa passagem, claramente o Espírito Santo é chamado de Deus, pois Ananias havia mentido ao Espírito Santo.
Como nas passagens acima, os trinitários reconhecem em outras passagens bíblicas a apresentação do único (
echad
) Senhor (YHVH) na forma trina do Pai, do Filho Jesus e do Espírito Santo.
Plural Adonai
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]
"Santíssima Trindade", por
Gregório Vásquez de Arce y Ceballos
Adonai
(אֲדֹנָי), é um dos títulos, comumente utilizado pelos
hebreus
ao referir-se ao
tetragrama YHVH
.
Adon
(אָדוֹן) significa "senhor", "amo", "governante", e adicionado ao sufixo (i), pronome possessivo de primeira pessoa do singular, converte para a expressão "meu senhor", sendo Adonai a forma plural (meu) "senhores".
O pronome possessivo em palavras semelhantes tem a pronúncia ocultada, como na palavra "Rabbi", que pode ser traduzida por (meu) "Mestre", representando uma posição de dignidade, como se apresenta em "Monsenhor", o que levou alguns defensores contrários à Trindade a defenderem que se tratava tão somente de um "título". Contudo, Adon é usado mais de 300 vezes na
Tanakh
-
Antigo Testamento
- como designação para Deus.
[
55
]
Por conta disso, os trinitários acreditam que uma verdade não anula outra, podendo ser aceite as duas vertentes de pensamento sem uma macular a outra necessariamente. Também essa defesa de argumento se refere à palavra Adoni, o que não poderia ser emprestada à palavra Adonai, de uso totalmente impeculiar e diferenciado.
Levando-se em conta que muito foi debatido sobre o plural Adonai, uma conclusão sobre uma única e melhor tese nunca foi ratificada, contudo tal propositura existe.
Os judeus, referindo-se ao nome impronunciável, YHVH, pronunciavam Adonai. Em português traduzida Senhor (Hebraico: אֲדֹנָי), contudo é inegável que a palavra é plural, a exemplo de
Elohim
.
Literalmente, trata-se de um plural possessivo de primeira pessoa ("meus senhores"), o que, para os trinitários, reforçaria a Doutrina da Trindade, rejeitando a explicação de que seria um
plural majestático
, como defendem as
Testemunhas de Jeová
, que desconsideram a
dica
sintática para a pluralidade de Yahweh.
Os trinitários entendem que essa indicação se dá ao referir-se ao D
EUS
Triúno, pelo sintaticamente "inadequado" uso da
palavra
plural
, com os demais elementos da frase no
singular
. Havendo semelhante aplicação no uso da palavra "Elohím", o que leva a muitos cristãos a aceitarem essas palavras plurais como expressão da pluralidade na personalização ao único Deus.
[
56
]
Quando a Bíblia refere-se ao Messias (uma das três pessoas da Trindade), utiliza a forma Adoni, meu Senhor, no singular, visto que se apresentaria numa personalização "individual" – distinta do Pai e do Espírito Santo – enviado (humano) esperado. Assim, o Verbo do D
EUS
Triúno, teria deixado sua glória e encarnado na forma humana, singular e distinta do Pai – contudo emanada do Pai:
"crestes que saí de Deus. Saí do Pai, e vim ao mundo; outra vez deixo o mundo, e vou para o Pai"
.
[
57
]
Desse momento em diante, o Deus Triúno se
despoja
para apresentar-se pessoal e individualmente, por intermédio do Filho. A partir daí, no Novo Testamento, não mais há uso do tetragrama YHVH.
A cultura judaica preferiu a forma
Adonay
para a pronunciar YHVH, contudo noutras versões tardias foi utilizada a forma impessoal
HaShem
, o Nome. Da mesma forma que o Deus Triúno se apresentara pessoal e individualmente, por intermédio do Filho, posteriormente apresenta-se na forma individual e incorpórea (não antropomórfico), representado pelo Espírito Santo, invocado por o Nome, que seria Jesus.
O Novo Testamento, refere-se ao nome de Jesus estando acima de todo nome:
[
58
]
Se, em meu nome pedires ao Pai …, Tudo quanto pedires em meu nome [Jesus] eu o farei …,
[
59
]
tudo quanto em meu nome [Jesus] pedirdes ao Pai ele vo-lo conceda
[
60
]
Em meu nome [Jesus] … curaram os enfermos …,
Vários gramáticos consideram um plural "abstrato" que expressaria a totalidade do poder divino
[
61
]
pelo que traduzem literalmente este nome como (meu) "Senhor dos senhores", o mesmo título usado para Jesus no
Novo Testamento
.
[
62
]
Críticas à doutrina da Trindade
[
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|
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]
Ver artigos principais:
Críticas à doutrina da Trindade
e
Antitrinitarismo
Embora seja aceita como doutrina pela maioria das religiões cristãs, algumas
denominações cristãs
discordam da doutrina trinitária, fornecendo soluções diversas para a natureza de Deus. As principais são as
Testemunhas de Jeová
, alguns grupos dos
Adventistas
, a
Igreja de Deus do Sétimo Dia
, além da a
Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias
(que acredita na Trindade, de forma diferente, sendo três seres distintos mas com o mesmo propósito e divindade) e outros
movimentos
paraprotestantes, como os seguidores da
Mensagem de William Branham
, este último incluído entre os unicistas.
Os que não acreditam na trindade advogam que esse dogma não fazia parte das crenças dos primeiros cristãos, e que teve influência pagã ao longos dos séculos, por meio do
sincretismo
helenístico
, sendo que a Igreja sofreu grande influência da cultura greco-romana. No
Egito Antigo
a trindade era composta por
Hórus
,
Ísis
e
Osíris
; na Grécia era composta por
Zeus
,
Maia
e
Hermes
; em Roma por
Júpiter
,
Juno
e
Minerva
; na Índia por
Brahma
,
Vishnu
e
Shiva
. A trindade só teria sido determinada como dogma da igreja católica por volta do século IV D.C, após as discussões iniciadas no
Primeiro Concílio de Constantinopla
, entre bispos e o imperador
Constantino
.
As religiões que não acreditam na trindade ainda assim se denominam como cristãs, acreditam na existência pré-humana de Jesus e em seus poderes divinos. Mas creem que Jesus foi criado pelo Deus de Israel,
YHWH
e que não seria o Deus todo poderoso, e sim, a primeira criação de Deus.
[
63
]
Além da origem da crença, os cristãos não trinitários se baseiam em textos bíblicos que reconheceriam a superioridade do pai em relação a Jesus, e o tratamento distinto dado pelo próprio Jesus em relação ao Pai e ao Espírito Santo, que mostrariam suas diferenças de personalidade e opiniões.
[..] Se vocês me amassem, ficariam alegres, sabendo que vou para o Pai, pois o Pai é mais poderoso do que eu. (João 14:28, Nova Tradução da Linguagem de Hoje)
“Porque não desci do céu para fazer a minha vontade, e sim a vontade daquele que me enviou.” (João 6:38)
“O que eu ensino não é meu, mas pertence àquele que me enviou.” (João 7:16, Tradução do Novo Mundo)
“Ninguém sabe nada a respeito daquele dia e hora, nem os anjos no céu, nem o Filho, mas somente o Pai.” (Marcos 13:32, Edição Pastoral)
Se alguém disser alguma palavra contra o Filho do homem, isso lhe será perdoado; mas se alguém falar contra o Espírito Santo, não lhe será perdoado, nem neste mundo, nem no vindouro. (Mateus 12:32, Almeida Revisada)
[..] meu julgamento é justo, pois não procuro agradar a mim mesmo, mas àquele que me enviou" (João 5:30, Nova Versão Internacional)
Porque, ainda que haja também alguns que se chamem deuses, quer no céu quer na terra (como há muitos deuses e muitos senhores), Todavia para nós há um só Deus, o Pai, de quem é tudo e para quem nós vivemos; e um só Senhor, Jesus Cristo, pelo qual são todas as coisas, e nós por ele. (1 Coríntios 8:5,6 Almeida Revisada)
[..] entendam que o cabeça de todo homem é Cristo, e o cabeça da mulher é o homem, e o cabeça de Cristo é Deus. (1º Coríntios 11:3, NVI)
Pois Ele “tudo sujeitou debaixo de seus pés”. Porquanto, quando se afirma que “tudo” lhe foi submetido, é evidente que isso não inclui o próprio Deus, que conduziu todas as coisas à submissão de Cristo. Todavia, quando tudo lhe estiver sujeito, então o próprio Filho se submeterá àquele que todas as coisas lhe colocou aos pés, a fim de que Deus seja absolutamente tudo em todos. (1 Coríntios 15:27, 28, King James Atualizada)
Impacto cultural e toponímico
[
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]
Diversas localidades ao redor do mundo foram nomeadas em homenagem à Doutrina da Santíssima Trindade, tais como a
República de Trindade e Tobago
, diversas localidades chamadas
Trinity
em países de língua inglesa e, no Brasil, os municípios de
Trindade (Goiás)
e
Trindade (Pernambuco)
.
[
carece de fontes
?
]
O município goiano de
Trindade
se originou e cresceu graças à devoção dos católicos
sertanejos
a um medalhão representando a Santíssima Trindade que foi encontrado por acaso um dos camponeses da região no século XIX.
[
64
]
Com o tempo, esse município tornou-se referência em turismo religioso aos devotos da Trindade Santa de todo o Brasil.
Ver também
[
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]
Cristologia
Preexistência de Cristo
Didaquê
— escrito do primeiro século que reforçaria a fórmula batismal evangélica no nome das três pessoas da Trindade:
«baptize-se em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo»
(
Didaquê
, VII,1.3).
Domingo da Santíssima Trindade
A Trinidade na arte
Referências
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«trinity»
.
www.oxforddictionaries.com
. Consultado em 4 de janeiro de 2016
.
Cópia arquivada em 20 de agosto de 2016
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Ver discussão em
Herbermann, Charles, ed. (1913). «
Person
».
Enciclopédia Católica
(em inglês). Nova Iorque: Robert Appleton Company
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Definição do
Quarto Concílio de Latrão
citada no
Catechism of the Catholic Church, 253
(em inglês)
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«Frank Sheed, ''Theology and Sanity''»
(em inglês). Ignatiusinsight.com
. Consultado em 3 de novembro de 2013
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Cópia arquivada em 30 de julho de 2018
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. Arquivado do
original
em 25 de janeiro de 2016
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(em inglês). St. Louis: B. HERDER
. Consultado em 8 de janeiro de 2016
. Arquivado do
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em 4 de março de 2016
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, pp. 46–47
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, Book 2, Chapter 41
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9780830839865
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Lucas 3:22 e Mateus 3:17
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Mateus 28:19
↑
Colossenses 2:3
↑
Mateus 28:18
↑
Mateus 28:20
↑
Marcos 2:5-7; conferir a afirmação de Isaías 1:18
↑
João 10:28
↑
João 17:21-22
↑
Atos 5:3-4
↑
I Coríntios 2:10-11
↑
a
b
I Coríntios 12:11
↑
João 14:10
↑
João 16:13
↑
Romanos 8:2
↑
João 16:14
↑
Lucas 12:12
↑
Hebreus 3:7 e 1 Pedro 1:11-12
↑
Apocalipse 2:7,11,17,29; 3:6,13,22
↑
a
b
João 15:26
↑
João 14:26
↑
II Coríntios 3:17
↑
Atos 2:22-36
↑
Romanos 9:5; Tito 2:13
↑
João 14:16
↑
II Coríntios 13:13
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«Texto completo de I Clemente»
(em inglês). Early Christian writings
. Consultado em 5 de fevereiro de 2011
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Philippe Bobichon,
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J. Cabral, Em: Religiões, Seitas e Heresias à Luz da Bíblia citando Castex, Ed. Universal Produções, RJ, 5 edição
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J. Cabral, Em: Religiões, Seitas e Heresias à Luz da Bíblia citando Castex, Ed. Universal Produções, RJ, 5 edição, pg. 180
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Grillmeier, Aloys, 1975. Christ in Christian Tradition, Volume One, pg 126
↑
Grillmeier, Aloys, 1975. Christ in Christian Tradition, Volume One, pg 431
↑
A paralavra entre colchete é adendo ao seu real significado, visto que SENHOR na forma versalete era a tradução para o
YHVH
↑
Termo diversas vezes utilizado para a figura salvífica de Jesus
↑
a
b
J. Cabral, Em: Religiões, Seitas e Heresias à Luz da Bíblia, Ed. Universal Produções, RJ, 5 edição, pg 186
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Alden, Robert L. (1980) "Adon";
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Jo 14:13-14
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«Advent Review»
. adventistas.ws
↑
«Por que Trindade?»
. Guia online de Trindade-GO
. Consultado em 27 de setembro de 2020
Bibliografia complementar
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]
Nota: estas obras não foram usadas para redigir o texto.
Dale Tuggy (8 de abril de 2015).
«Trinity»
.
Stanford Encyclopedia of Philosophy
(em inglês)
Ehrman, Bart D
(2014).
Quem escreveu a Bíblia?: Por que os autores da Bíblia não são quem pensamos que são
. Rio de Janeiro: Agir Editora.
ISBN
9788522030033
Jenkins, Philip (2013).
Guerras Santas: como 4 patriarcas, 3 rainhas e 2 imperadores decidiram em que os cristãos acreditariam pelos próximas 1.500 anos
. Rio de Janeiro: Leya.
ISBN
9788580449044
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Jesus Cristo
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Jesus Cristo
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Milagres
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Crucifixão
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canônicos
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Igreja Católica Liberal
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Psilantropismo
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Sabelianismo
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Socinianismo
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Triteísmo
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Unitarismo
Categoria
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Controle de autoridade
Controle de autoridade
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