Anestesiologia – Wikipédia, a enciclopédia livre
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1
Histórico
Alternar a subsecção Histórico
1.1
Agentes inalatórios
1.2
Anestésicos locais
1.3
No Brasil
2
Técnicas anestésicas
Alternar a subsecção Técnicas anestésicas
2.1
Anestesia local
2.2
Bloqueios regionais
2.3
Raquidiana
2.4
Epidural
2.5
Caudal
2.6
Anestesia Geral
2.7
Anestésico ideal
3
Ver também
4
Referências
5
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Anestesiologia
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Anestesiologia
é a especialidade médica que estuda e proporciona ausência ou alívio da
dor
e outras sensações ao paciente que necessita realizar procedimentos médicos, como
cirurgias
ou exames diagnósticos, identificando e tratando eventuais alterações das funções vitais. A especialidade vem a cada dia ampliando suas áreas de atuação, englobando não só o Período Intraoperatório, bem como os períodos Pré e Pós-Operatórios, realizando atendimento ambulatorial para avaliação pré-anestésica e assumindo um papel fundamental pós-cirúrgico no acompanhamento do paciente tanto nos Serviços de recuperação pós-anestésica e
Unidades de Terapia Intensiva
quanto no ambiente da enfermaria (
cuidados paliativos
, por exemplo) até o momento da Alta Hospitalar. Em razão destas mudanças, existe a tendência atual de se denominar esta especialidade médica como
Medicina Periperatória
.
No
Brasil
, sua prática, bem como a discriminação das condições mínimas para a segurança do paciente, e a divisão de responsabilidades entre os profissionais que a exercem, é especificada em resolução do
Conselho Federal de Medicina
(CFM) número 2174/2017.
[
1
]
Histórico
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]
Nos primórdios alguns cirurgiões consideravam a
dor
uma consequência inevitável do
ato cirúrgico
, não havendo uma preocupação, por parte da maioria deles, em empregar técnicas que aliviassem o sofrimento relacionado ao procedimento.
As primeiras tentativas de alívio da dor foram feitas com métodos puramente físicos como pressão e
gelo
, bem como uso de
hipnose
, ingestão de
álcool
e preparados botânicos.
Por volta dos séculos
IX
a
XII
a esponja soporífera tornou-se um dos métodos mais populares de prover analgesia. Preparada a base de
mandrágora
e outras ervas, tinha como seus principais compostos
morfina
e
escopolamina
.
Agentes inalatórios
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]
O
éter dietílico
já era um composto conhecido quando no
século XVI
Paracelsus
observou suas propriedades anestésicas em galinhas.
O Cirurgião-Dentista Horace Wells percebeu as propriedades anestésicas do
óxido nitroso
em
10 de dezembro
de
1844
, quando participou de uma exibição de um "cientista itinerante",
Gardner Quincy Colton
.
Na ocasião Wells notou que um jovem chamado
Samuel Cooley
não se deu conta que havia sofrido uma lesão na perna enquanto estava a inalar o óxido nitroso. Em
1845
Wells fracassou em sua tentativa de demonstrar publicamente uma extração dentária sem dor com o uso do óxido nitroso. Tal fracasso o perturbou profundamente culminando com seu suicídio em
1848
. Na verdade o óxido nitroso é uma droga mais analgésica do que anestésica (é um fracoanestésico).
Em 16 de Outubro de
1846
a anestesiologia tem seu marco inicial com
William Thomas Green Morton
, realizando uma anestesia baseada em éter no paciente
Edward Gilbert Abbott
para que o cirurgião
John Collins Warren
excisasse um tumor que lhe tomava a glândula submaxilar e uma parte da língua. Foi no Hospital Geral de Massachusetts. Morton chegou atrasado devido a um problema no inalador e a sessão quase foi suspensa por isso. Chegou esbaforido, desculpando-se pelo atraso e logo foi instruindo Abbott a respirar por uma das aberturas do inalador de vidro. Depois de perder a consciência e deixar cair a cabeça, Morton se vira para Warren e diz: 'Seu paciente está a sua espera Dr!'. Warren fez a excisão do tumor com a rapidez habitual e o paciente não desferiu nenhum grito de dor. Depois de terminar, Warren, emocionado, fala para a plateia incrédula: 'Isso, senhores, não é nenhum embuste'. O impassível cirurgião chorava. Desde esse dia a humanidade venceu a dor. Saímos das trevas.
Em 4 de Novembro de
1847
James Young Simpson
, obstetra em
Edinburgh
,
Escócia
utilizou, como sugerido por David Waldie,
clorofórmio
para alívio da dor do
parto
vaginal. Tal fato suscitou diversos debates médicos e religiosos acerca da dor do parto como um
castigo divino
.
John Snow
, inglês, administrou clorofórmio à
Rainha Vitória
para alívio das dores do parto. Tal fato serviu de endosso à analgesia de parto minimizando as discussões de cunho religioso.
Os agentes inalatórios de uso mais frequente no mundo e no Brasil, atualmente, estão divididos em dois grandes grupos: a) os gases (representados exclusivamente pelo óxido nitroso - histórica e popularmente conhecido como "gás hilariante") e b) os vapores. Dentre estes últimos há predominância dos éteres halogenados (
enflurano
,
isoflurano
,
sevoflurano
e
desflurano
). Por fim, ainda empregado em escala mundial, mas com restrições, há um
alcano
denominado
halotano
. O
Xénon
apresenta-se como o mais promissor anestésico inalado, encontrando-se ainda em fase experimental, mas com reconhecidas propriedades que o aproximam do "anestésico ideal".
Anestésicos locais
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]
Em
1884
Sigmund Freud
estudava os efeitos estimulantes da
cocaína
no sistema nervoso central.
Karl Koller
percebeu que a amostra de cocaína recebida de seu amigo Freud, ao entrar em contato com a língua, a deixava anestesiada. Percebeu ali a possibilidade de utilização de uma solução de cocaína para aplicação tópica em cirurgias oftalmológicas. Koller conduziu então, juntamente com
Gustav Gartner
estudos com sucesso em olhos de sapos, coelhos e cachorros. Tendo sido uma das primeiras aplicações dos
anestésicos locais
.
Em Dezembro de 1884,
Willian Halsted
e
Richard Hall
realizaram bloqueios de nervos periféricos bem como do
plexo braquial
.
August Bier
utilizando-se da técnica descrita por
Heinrich Quincke
realizou a primeira cocainização deliberada da medula espinhal. Permitiu inclusive que seu assistente,
Hildebrandt
, realizasse uma punção lombar nele mesmo. Em seguida os papéis se inverteram e Bier realizou uma punção em Hildebrandt. Ambos apresentaram cefaleia após a experiência. A
cefaleia
inicialmente fora atribuída às comemorações pelo sucesso em obter anestesia com a técnica empregada. Mais tarde ficou mais claro que a cefaleia pós punção da dura-máter relacionava-se à perda de
líquor
pelo orifício realizado. August Bier e
Theodor Tuffier
dividem o mérito do início da então chamada
raquianestesia
.
No Brasil
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]
Em 1847
Roberto Haddock Lobo
e Domingos de Azevedo Marinho realizaram a primeira anestesia baseada em éter que se tem relato no Brasil. Em
1927
o Prof. Leonidio Ribeiro fez uso do óxido nitroso. O
ciclopropano
foi utilizado pela primeira vez em
1936
por Álvaro de Araújo Aquino Sales. Em
1948
foi fundada a Sociedade Brasileira de Anestesiologia.
Técnicas anestésicas
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]
Anestesia local
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]
Baseia-se na infiltração de anestésicos locais nas proximidades da área a ser operada, usualmente empregada em cirurgias de superfície de pequeno ou médio porte. Auxilia no tratamento da dor pós-operatória quando utilizada sozinha ou em associação com outras técnicas anestésicas, no período pré-operatório, potencializa os resultados esperados, a saber a anestesia e o controle da dor.
Bloqueios regionais
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]
Tenta-se impedir a condução do estímulo doloroso na emergência de nervos e troncos, a exemplo do bloqueio do plexo braquial realizado na região cervical (
Técnica de Winnie
,
Técnica de Kullenkampff
ou
Técnica de Kullenkampff Modificada
) ou axilar (
Técnica da Bainha Perivascular
ou
Técnica Transarterial
), visando anestesia de todo o membro superior, ou até mesmo o bloqueio de troncos nervosos ao nível do cotovelo, do punho, ou ainda nas porções proximais dos dedos visando anestesia de todo o dedo. Existe ainda uma técnica de bloqueio regional intravenoso desenvolvida por
August Bier
para cirurgias rápidas dos membros superiores e membros inferiores (pé e terço distal de perna, principalmente), que ficou consagrada como
Bloqueio de Bier
. A anestesia raquidiana e peridural também são considerados bloqueios regionais.
Raquidiana
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]
Também chamada de raquianestesia,
[
2
]
anestesia intratecal e anestesia subaracnoídea. Baseia-se na administração de anestésico local diretamente no
líquor
. Suas principais vantagens são início rápido de ação (curta latência, boa intensidade de bloqueio sensitivo e motor e possibilidade de analgesia pós-operatória prolongada). Possíveis desvantagens são a maior ocorrência de
cefaleia
em relação as outras técnicas anestésicas e a limitada duração da anestesia quando utilizado técnica sem a colocação de cateteres (o mais comum). O uso dos anestésicos locais, mormente com a
lidocaína
(a lidocaína em raquianestesia está proscrita no Brasil exatamente pelas complicações citadas a seguir) o anestésico local preconizado em raquianestesia há algum tempo é a
bupivacaína
0.5% pesada com glicose a 8% (mais segura que a lidocaína hiperbárica a 5%), por meio desta técnica anestésica pode propiciar o aparecimento da
síndrome da cauda equina
e de sintomas neurológicos transitórios embora sejam complicações raras.
Epidural
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]
Também chamada anestesia
peridural
, baseia-se na aplicação de anestésico em um espaço virtual entre o
ligamento amarelo
e a
dura-máter
.
As principais possíveis vantagens são a menor incidência de cefaleia quando comparado à raquianestesia, possibilidade de realização de bloqueios mais restritos à faixas de
dermátomos
e maior facilidade de realização de técnicas com utilização de cateteres (contínua). Como desvantagens temos uma latência (tempo para iniciar ação) maior, uma menor intensidade de bloqueio sensitivo e motor e a maior possibilidade de toxicidade por anestésico local já que é utilizado volumes cerca de dez vezes maiores que os utilizados em anestesia subaracnoidea (raquidiana).
Caudal
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]
Fisiologicamente semelhante à anestesia peridural, realizada por punção do
Hiato Sacral
, podendo ser uma alternativa ao bloqueio epidural para procedimentos cirúrgicos e obstétricos das regiões perineal e anorretal.
Comum em anestesia pediátrica.
Anestesia Geral
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Refere-se a um estado de inconsciência reversível, imobilidade, analgesia e bloqueio dos reflexos autonômicos obtidos pela administração de fármacos específicos. Os componentes de uma anestesia geral são a analgesia, hipnose, controle dos reflexos autonômicos e relaxamento muscular. Na atualidade para realização de uma anestesia geral utiliza-se comummente:
hipnóticos
visando inconsciência, amnésia (Propofol)
opioides
visando analgesia e proteção contra os reflexos autonômicos (remifentanil, fentanil, sulfentanil, alfentanil)
bloqueadores neuromusculares
(Curare) visando imobilidade. (Atracúrio, Cisatracúrio, Rocurônio, Vecurônio, Pipecurônio)
bloqueios regionais associados visando analgesia e proteção autonômica
fármacos adjuvantes visando efeitos diversos como controle da pressão arterial, frequência cardíaca, tratamento de intercorrências tais como alergias entre outras funções
A inconsciência pode não ocorrer nos casos em que se deseje algum grau de proteção ao paciente ou em situações de extremo risco de vida, como: gravidez, traumatizado multissistêmico, idosos e pacientes com algum grau de choque, seja ele hipovolêmico, séptico ou cardiogênico. Quanto maior a profundidade da anestesia, maior o grau de inconsciência.
Anestésico ideal
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]
O anestésico ideal será aquele que provoca indução e recuperação da
anestesia
rápidas e agradáveis para o paciente, ao mesmo tempo possuído uma profundidade de anestesia apropriada para a cirurgia a realizar, promovendo um adequado
relaxamento muscular
. Deve ter, também uma boa margem de segurança para o paciente, não apresentando reacções adversas.
Ver também
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|
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]
Anestesia
Anestésico local
Náusea e vômito pós-operatório
Referências
↑
2174/2017
↑
«Anestesia raqui: como é feita, para que serve e efeitos colaterais»
.
Anestesia Geral
. 29 de maio de 2020
. Consultado em 21 de junho de 2020
 
Ligações externas
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|
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]
Sociedade Brasileira de Anestesiologia
«PubMed - Biblioteca de medicina e saúde»
(em inglês)
 
Colégio da Especialidade de Anestesiologia, Portugal
v
d
e
Especialidades médicas
Clínicas
Angiologia
•
Cardiologia
•
Clínica médica
•
Dermatologia
•
Endocrinologia e metabologia
•
Gastroenterologia
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Geriatria
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Hematologia
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Infectologia
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Pediatria
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Pneumologia
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Reumatologia
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Toxicologia médica
Cirúrgicas
Cirurgia cardiovascular
•
Cirurgia de cabeça e pescoço
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Cirurgia da mão
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Cirurgia do aparelho digestivo
•
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Cirurgia pediátrica
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Cirurgia torácica
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Cirurgia do trauma
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Cirurgia vascular
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Neurocirurgia
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Coloproctologia
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