Partido Social Democrático (1945) – Wikipédia, a enciclopédia livre
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Início
1
Princípios
2
História
Alternar a subsecção História
2.1
Declínio do Estado Novo e Ascensão do PSD
2.2
O Governo Dutra (1946-1951)
2.3
O Governo Vargas e a Crise de Sucessão (1951-1956)
2.4
O Governo Kubitschek (1956–1961)
3
Participação em Ministérios
4
Desempenho eleitoral
Alternar a subsecção Desempenho eleitoral
4.1
Eleições legislativas
4.2
Eleições presidenciais e vice-presidenciais
4.3
Presidentes do Conselho de Ministros
5
Notas
6
Referências
7
Bibliografia
Alternar o índice
Partido Social Democrático (1945)
7 idiomas
Deutsch
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Español
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(Redirecionado de
Partido Social Democrático (1945-2003)
)
 
Nota:
Para o partido incoporado pelo
PTB
em 2003, veja
Partido Social Democrático (1987)
. Para o partido brasileiro derivado do DEM, veja
Partido Social Democrático (2011)
. Para outros significados, veja
Partido Social Democrata
.
Partido Social Democrático
Presidente
Nereu Ramos
Amaral Peixoto
Fundação
17 de julho
de
1945
Dissolução
27 de outubro
de
1965
Sede
Avenida Presidente Wilson, nº 94 –
Rio de Janeiro
[
1
]
Ideologia
Centrismo
Populismo
Espectro político
Centro
[
2
]
Ala de juventude
Ala Moça do PSD
Sucessor
ARENA
(maior parte das correntes)
[
3
]
MDB
(minoria)
País
 
Brasil
Presidentes
da
4ª República
(1946 - 1964)
5 / 9
Vice-presidentes
da
4ª República
(1946 - 1964)
1 / 3
Presidentes do Conselho de Ministros
(1961 - 1963)
2 / 3
Presidentes do Senado Federal
na
4ª República
(1946 - 1964)
3 / 5
Presidentes da Câmara dos Deputados
na
4ª República
(1946 - 1964)
7 / 8
Cores
    
Azul
    
Branco
Hino
O PSD é a voz do Brasil Unido
Partido Social Democrático
(
PSD
) foi um
partido político
brasileiro
identificado como de
centro
e fundado em
17 de julho
de
1945
por ex-
interventores
do
Estado Novo
nas unidades federadas. Elegeu dois presidentes (
Eurico Gaspar Dutra
e
Juscelino Kubitschek
) e dois
primeiros-ministros
(
Tancredo Neves
e
Brochado da Rocha
). Também foi o partido de três presidentes da república que ascenderam ao cargo em função da linha sucessória (
Carlos Luz
,
Nereu Ramos
e
Ranieri Mazzilli
). Foi extinto na
ditadura militar
, pelo
Ato Institucional Número Dois
(AI-2), em
27 de outubro
de
1965
.
[
2
]
Princípios
[
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|
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]
O Partido Social Democrático de 1945 foi fundado por interventores egressos do Regime Varguista. Esse fato por si só é capaz de demonstrar o perfil dos políticos que se juntaram ao PSD: em sua grande maioria, lideranças regionais com viés adesista.
[
2
]
[
4
]
Assim, o PSD pôde garantir a filiação de quadros importantes, cuja popularidade antecedia aquela do partido. Além disso, o PSD possuía estrutura interna bastante descentralizada, de forma que ao longo da sua história, a candidatura presidencial homologada pelo diretório nacional foi contestada por diretórios estaduais que eventualmente se aliavam a outras chapas sem desmembra-se do partido.
[
4
]
Segundo
Lucia Hippolito
, a posição do PSD no sistema partidário daquele tempo pode ser comparada em muitas formas à posição ocupada pelo
Partido do Movimento Democrático Brasileiro
na política brasileira posterior à
redemocratização
, havendo este inclusive recolhido grande parte dos seus principais quadros como
Ulysses Guimarães
e
Tancredo Neves
.
[
4
]
A autora enfatiza que o PSD possuía engajamento histórico com a manutenção do
regime democrático de 1946
, ainda que vários de seus membros tenham aderido ao
movimento militar de 1964
.
[
5
]
Contudo, tal adesão ao golpe de 1964 teria ocorrido em meio a um período de extrema polarização da sociedade brasileira durante o
Governo Goulart
, agravado pela luta interna no seio do partido que opunha a Ala Moça aos políticos tradicionais. Além disso, a capilaridade do partido no interior do país — característica que permitia a eleição de bancadas expressivas do PSD — vinha sendo desafiada por reformas internas no
PTB
, que buscavam a sua interiorização.
[
4
]
História
[
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]
Declínio do Estado Novo e Ascensão do PSD
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]
A entrada do Brasil na
Segunda Guerra
ao lado das potências
Aliadas
preparou a dissolução do
Estado Novo
. O regime varguista passou a encontrar vários frontes de oposição: na política doméstica, havia perdido o apoio de importantes setores do
Exército Nacional
que, no Nordeste, se organizava sob a égide de
Eduardo Gomes
— esperançoso futuro presidenciável por uma chapa militar — ao passo que o tradicional bastião do anti-varguismo, São Paulo, se consumia por uma efervescência legalista pró-redemocratização traduzida em importante pressão oposicionista. Do estrangeiro, os Estados Unidos da América também manifestavam sua preferência pela queda do governo Vargas. Tudo isso culminou para a adoção, em 1945, da Lei Constitucional nº9, prevendo eleições diretas.
[
2
]
Bandeira do Partido Social Democrático.
Em 22 de fevereiro de 1945,
José Américo de Almeida
, em entrevista concedida ao jornal
O Globo
, anuncia a recepção da candidatura do Major-Brigadeiro Eduardo Gomes à Presidência da República pela Oposição, suscitando assim o recrudescimento do Governo à procura de um candidato próprio. Nesse momento, diversos elementos na política e na sociedade ainda ansiavam por uma continuidade varguista, mas o colapso do Presidente era iminente e essa incerteza política no campo governista alimentava o vigor da candidatura de Eduardo Gomes. Não foi até a renúncia de Vargas que os apoiadores do Governo puderam sondar a figura do Ministro da Guerra,
Eurico Gaspar Dutra
. A estreita ligação entre Dutra e o Exército Brasileiro era ideal para permitir o diálogo com essa instituição cada vez mais antagônica ao Presidente, além de retirar de Gomes o monopólio sobre o discurso militarista. Desta forma, a candidatura de Dutra foi cada vez mais articulada por importantes indivíduos da base governista que — diante da notória exaustão política e institucional de Vargas — pretendiam ultrapassar Eduardo Gomes através da reconstitucionalização e da deposição do regime.
[
2
]
[
4
]
Nesse contexto, começam a se formar os principais partidos políticos do período: a
UDN
, em apoio a Eduardo Gomes; e o PSD, ventilando a candidatura do Ministro da Guerra. A primeira Convenção Nacional do PSD ocorreu em 17 de julho no
Teatro Municipal do Rio de Janeiro
, reunindo interventores estaduais varguistas depostos pelo governo transitório do Presidente do STF,
José Linhares
.
[
2
]
Sem embargo, a questão regional era muito forte e a influência dos antigos interventores do Estado Novo em cada unidade federativa foi determinante para condicionar a adesão ao PSD: normalmente quando se apoiava Vargas, mas não se aprovava do interventor, juntava-se à Oposição.
[
5
]
Contando com o sólido apoio de Getúlio Vargas e ainda de importantes setores do Exército, Dutra assegurou sua vitória na
Eleição Presidencial de 1945
, com cerca de 55% dos votos. Além da presidência, o PSD logrou maioria absoluta na
Assembléia Nacional Constituinte
, com 151 deputados (sobre 286) e 26 senadores (sobre 42).
[
2
]
O Governo Dutra (1946-1951)
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]
Ver artigo principal:
Governo Eurico Gaspar Dutra
O Governo Dutra foi um período de grande êxito eleitoral para o PSD. Contava com 10 Ministros de Estado (dentre eles,
Carlos Luz
) e ainda exercia a presidência da Assembléia Nacional Constituinte através do senador
Fernando de Melo Viana
e do líder da maioria e vice-Presidente,
Nereu Ramos
.
[
2
]
Posse de Eurico Gaspar Dutra (PSD) como Presidente da República
Entretanto, um crescente estranhamento entre duas facções começou a tomar conta do PSD: de um lado, os pessedistas que apoiavam uma aproximação com Vargas; e do outro, os chamados ''dutristas'' que viam futuro em uma aliança com a UDN, particularmente ao redor do baiano
Otávio Mangabeira
— grande articulador de coalizões entre o PSD e a UDN no nível estadual.
[
5
]
[
6
]
[
7
]
A rachadura interna do PSD veio à tona com muita força na escolha do seu candidato nas
eleições de 1947 ao governo de Minas Gerais
(estado populoso que exerce papel central nas eleições nacionais). Dutra queria
Carlos Luz
como candidato, mas a ala getulista indicava
José Bias Fortes
e não estava pronta para ceder, mesmo diante da concessão pelos dutristas que evocaram como meio termo o nome do ex-Presidente
Venceslau Brás
. Sem perder o apoio varguista, Bias Fortes derrotou Brás na convenção mineira do PSD, transformando-se no candidato do partido. Tal ordem de fatos enfureceu o clube dutrista que, liderados por Luz, Fernando de Melo Viana e
Cristiano Machado
; passaram a apoiar a candidatura do udenista
Milton Campos
.
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5
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]
[
8
]
A escolha do candidato a sucessor de Dutra, utilizou-se da chamada ''fórmula mineira'': pretendia-se coligar o PSD à UDN, apoiando um presidenciável que fosse ao mesmo tempo pessedista e mineiro, remanescendo a UDN com a vice-Presidência. No entanto, a aprovação dessa fórmula pelos quadros do PSD provocou a ruptura do diálogo com Mangabeira e, assim, com a UDN. Nereu Ramos também deixaria a presidência nacional do PSD, afastando a ala getulista diante da excessiva ingerência de Dutra no processo de escolha do próximo candidato — tendo Dutra inclusive usado sua influência para vetar uma possível candidatura do então vice-Presidente.
[
5
]
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2
]
Sede do PSD no Rio de Janeiro. Presidente Eurico Dutra (PSD-RJ) (sentado) e Nereu Ramos (PSD-SC) (discursando).
Ao passo que Getúlio Vargas construía uma aliança com o
PSP
do paulista
Adhemar de Barros
e que a UDN relançava o Major-Brigadeiro Eduardo Gomes, o PSD dutrista finalmente se contentou com Cristiano Machado. Não obstante, o lançamento da candidatura Getúlio Vargas-Café Filho conquistou o apoio do reduto getulista nos quadros do PSD, provocando um esvaziamento eleitoral da candidatura de Machado: esse evento entrou para o jargão político como a
cristianização
do PSD.
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]
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5
]
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8
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Com isso, Vargas saiu vitorioso na
Eleição de 1950
com 48% dos sufrágios; Cristiano Machado obteve 21%, logrando o terceiro lugar na corrida. Mesmo assim, o PSD
conseguiu manter sua maioria na Câmara de Deputados
ao eleger 112 representantes, além de 9 Senadores (sobre 21). Ato contínuo, elegeram-se 10 Governadores do PSD — inclusive
Juscelino Kubitschek
no estado de Minas Gerais.
[
2
]
O Governo Vargas e a Crise de Sucessão (1951-1956)
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]
Largamente eleito, Vargas explorou a fratura interna do PSD para cooptar grande parte dos seus quadros e, por conseguinte, sua influência no Congresso Nacional. Assim, o PSD marcou forte presença nos Ministérios de Vargas (incluindo
Horácio Lafer
na
Fazenda
e
Tancredo Neves
na
Justiça
). A consolidação de
Ernâni do Amaral Peixoto
, genro de Vargas, como presidente nacional do PSD também estreitou o casamento do partido com o varguismo. Mas torna-se evidente que essa aproximação não foi unívoca dentro do partido: muitos dos seus membros, notadamente
Etelvino Lins
, resistiram ao getulismo e buscavam selar laços com a Oposição - na época, composta pela UDN e pela sua ''
Banda de Música
'', uma célebre equipe de elite parlamentar liderada por
Carlos Lacerda
contra o Governo.
[
2
]
[
9
]
Presidente Nereu Ramos (PSD-SC)
Cinejornal informativo: convenção da organização partidária do PSD. Nereu Ramos (SC) e Amaral Peixoto (RJ) presentes.
A série de escândalos no Governo Vargas tornavam a Oposição cada vez mais aguerrida e suscitavam um novo afastamento do varguismo por parte do PSD, em que pese os esforços de Amaral Peixoto. Durante os desdobramentos do
Atentado da Rua Tonelero
, os membros da Banda de Música pressionavam pela meticulosa apuração dos fatos e insistiam na ligação do assassinato ao gabinete pessoal do Presidente - informação que se provaria verídica. Diante disso, preparava o deputado federal
Afonso Arinos de Melo Franco
(UDN), a protocolização de um pedido de
impeachment
contra o Presidente da República. Contudo, o eventual
suicídio de Getúlio Vargas
e a comoção generalizada que o sucedeu, retardaram consideravelmente o ânimo da UDN, que teve de abrandar suas veementes oposições.
[
9
]
Em 24 de agosto de 1954, no alvorecer da investidura do sucessor legal de Vargas, o vice-Presidente
João Café Filho
(PSP); o PSD manteve dois ministérios e exercia ainda a
presidência da Câmara dos Deputados
através de Nereu Ramos. Antecipando o interesse do governador Kubitschek pela nomeação do PSD às Eleições de 1955, importantes setores do partido - bem como o próprio Presidente da República - começaram a articular meios de impedir o lançamento da coligação PSD-PTB pretendida pelo mineiro.
[
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10
]
Embora o diretório nacional do PSD, em 1954, houvesse indicado o Governador de Minas Gerais como presidenciável - dada a sua proximidade de Amaral Peixoto -, formou-se uma nova dissidência no seio do partido. Teve início a ruptura no próprio PSD mineiro, donde remanesciam mágoas da antiga querela entre getulistas e dutristas. Assim, Carlos Luz e
Benedito Valadares
se aliaram a diversas outras delegações regionais do PSD (notadamente a catarinense e a pernambucana) para lançar a candidatura alternativa de Etelvino Lins. O ex-Presidente Eurico Dutra também se manifestava contrário à indicação de Goulart à chapa liderada pelo PSD, acelerando o boicote de Kubitschek pela ala dutrista na convenção nacional. Todavia, a candidatura de Lins se dissolveria diante da prospectiva de uma chapa
Juarez Távora
-Milton Campos, a qual seria logo homologada pela convenção nacional da UDN, tecendo aliança com a dissidência pessedista (dutrista).
[
2
]
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4
]
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9
]
[
10
]
Neste ínterim, uma batalha por procuração se desenhava à presidência da nova
legislatura
na Câmara de Deputados: o favorito da ala Kubitschek,
Ranieri Mazzilli
, foi derrotado por Carlos Luz, tornando-se este último, o segundo na linha de sucessão ao Presidente da República.
[
10
]
Às
Eleições de 1955
, saíram vitoriosos Juscelino Kubitschek e
João Goulart
da coligação PSD-PTB. Contudo, uma nova crise institucional se aproximava: enquanto a oposição instigava narrativas contrárias à investidura do Presidente-eleito, Café Filho sofreu um distúrbio cardíaco que forçou sua internação. Sucedendo ao Presidente, Carlos Luz recepcionou os aviltamentos da UDN e levou o Ministro da Guerra,
Henrique Teixeira Lott
, (última força estabilizadora no Governo) à renúncia. As ações de Carlos Luz conduziram o Gal. Lott a liderar o
Movimento de 11 de Novembro
, a fim de depor Luz e assegurar a posse de Kubitschek. É neste contexto que assume a Presidência, o pessedista Nereu Ramos: transitoriamente até transferir o ofício a Kubitschek, de quem se tornara no mesmo dia, Ministro da Justiça.
[
5
]
Presidente Juscelino Kubitschek (PSD-MG) junto de Amaral Peixoto (PSD-RJ).
O Governo Kubitschek (1956–1961)
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]
Os
anos JK
podem ser considerados como o apogeu do PSD, mas também assistiu algumas precariedades para o partido. Por força da Aliança com o PTB, os trabalhistas ocuparam quase exclusivamente os Ministérios do
Trabalho
e da
Agricultura
, todavia os pessedistas mantiveram-se majoritários. O PSD também era amplamente
majoritário no Congresso Nacional
, com 119 parlamentares na Câmara de Deputados e 20 Senadores.
[
2
]
[
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]
A fim de dar prosseguimento ao seu
Plano de Metas
e à
construção de Brasília
, o Presidente requereu ampla coesão do seu partido que, no Congresso Nacional, o apoiou intensamente. Além disso, era importante que o PSD controlasse os ministérios relativos à economia e às obras públicas, o que conferia monopólio pessedista sobre a política econômica. Nesse contexto, Kubitschek enviou o presidente nacional do PSD, Amaral Peixoto, à
embaixada do Brasil em Washington
, no fito de garantir acesso aos fundos necessários para suas empreitadas no Planalto Central - mas possivelmente também para poder aumentar seu controle sobre o partido. A necessidade de maior unificação no partido teve outro lado, não obstante: em que pese à coalizão com o PTB, Kubitschek decidiu não desafiar setores mais conservadores do seu partido promovendo reforma fundiária ou significativas dilatações nos direitos trabalhistas. Juscelino tenta, portanto, preservar os valores tradicionais do PSD em uma estratégia utilitarista para assegurar o bom andamento do seu mandato.
[
2
]
Sem embargo, uma divisão bastante peculiar começou a nascer não somente no PSD, mas nos partidos políticos de forma geral. Movimentos jovens que contestavam as velhas lideranças partidárias, e sua política fisiológica excessivamente regionalista, ganhavam força dentro das convenções partidárias e escalavam as fileiras da política. No PSD, essa corrente interna ficou conhecida como
Ala Moça
e era principalmente articulada por
Ulysses Guimarães
, objetivando modernizar o partido. A Ala Moça também defendia posições ditas
desenvolvimentistas
que ameaçavam o clientelismo dos quadros tradicionais.
[
2
]
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12
]
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13
]
Comício eleitoral em favor da chapa Lott-Goulart (PSD-PTB).
Num primeiro momento, Kubitschek se aproxima da Ala Moça e lhes fornece apoio contra os ''caciques'' do PSD. No entanto, a iminência das eleições de 1958 levou o Presidente a evitar confronto com os políticos regionais - essenciais ao pleito. Assim, Kubitschek retira do Ministério da Fazenda,
José Maria Alkmin
que conduzia políticas próximas da Ala Moça e o substitui por
Lucas Lopes
, de inspiração mais conservadora. Sem o apoio do Presidente, a Ala Moça perde muito da sua potência original e se alia aos seus homólogos na UDN e no PTB (a
Bossa Nova da UDN
e o
Grupo Compacto do PTB
) para formar uma
Frente Parlamentar Nacionalista
.
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2
]
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5
]
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13
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Nas
Eleições de 1958
, o afastamento de Amaral Peixoto aos EUA provocou um distanciamento dos quadros regionais quase provaram desastrosos para os resultados do PSD. Neste pleito, embora o PSD tenha conseguido eleger 117 deputados e 6 senadores (sobre 21 em disputa); apenas conseguiu elevar 2 governadores, perdendo muitos estados em que exercia um controle tradicional: grifa-se o caso do Rio Grande do Sul, onde Leonel Brizola (PTB) derrota o candidato PSD-UDN. Em São Paulo,
Jânio Quadros
constrói uma coligação cada vez mais poderosa que leva o Presidente a evitar o lançamento de uma candidatura de Ulysses Guimarães.
[
2
]
[
4
]
[
5
]
Kubitschek visava seu retorno às urnas em 1965 (em um projeto pessoal denominado "JK-65") e sabia que a bonança do seu mandato traduziria instantaneamente em políticas de austeridade pelo próximo Governo. Diante disso, Kubitschek passou a articular uma candidatura de ''união nacional'' com a UDN que mataria dois coelhos com uma só cajadada: pacificaria os ímpetos golpista daquela associação partidária que há tempos já se mobilizavam, e simultaneamente colocava JK numa posição privilegiada para 1965.
[
4
]
Participação em Ministérios
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]
Governo
Primeiro-Ministro
Ministro
Seção
Período
Pasta
Ref.
Dutra
—
Carlos Luz
PSD-
MG
1946
Justiça e Negócios Interiores
[
4
]
Benedito Costa Neto
PSD-
SP
1946-1947
Mesquita da Costa
PSD-
RS
1947-1950
Bias Fortes
PSD-
MG
1950-1951
Neves Fontoura
PSD-
RS
1946
Relações Exteriores
Soares e Silva
PSD-
RJ
1946
Viação e Obras Públicas
Clóvis Pestana
PSD-
RS
1946-1950
Correia e Castro
PSD-
SP
1946-1949
Fazenda
Neto Campelo
PSD-
PE
1946
Agricultura
Novais Filho
PSD-
PE
1946-1950
Pedro Calmon
PSD-
BA
1950-1951
Educação e Saúde
Honório  Monteiro
PSD-
SP
1948-1950
Trabalho, Indústria e Comércio
Vargas IV
—
Negrão de Lima
PSD-
MG
1951-1953
Justiça e Negócios Interiores
Tancredo Neves
PSD-
MG
1953-1954
Neves Fontoura
PSD-
RS
1951-1953
Relações Exteriores
Horácio Lafer
PSD-
SP
1951-1953
Fazenda
Álvaro Sousa e Lima
PSD-
SP
1951-1953
Viação e Obras Públicas
Apolônio Sales
PSD-
PE
1954
Agricultura
Ernesto Simões Filho
PSD-
BA
1951-1953
Educação e Saúde
Antônio Balbino
PSD-
BA
1953-1954
Edgard Santos
PSD-
BA
1954
Miguel Couto Filho
PSD-
RJ
1953-1954
Saúde
Café Filho
—
Lucas Lopes
PSD-
MG
1954-1955
Viação e Obras Públicas
José da Costa Porto
PSD-
PE
1954-1955
Agricultura
Taborda de Athayde
PSD-
PR
1954-1955
Saúde
Ramos
—
Menezes Pimentel
PSD-
CE
1955-1956
Justiça e Negócios Interiores
Teixeira Lott
PSD-
MG
1955-1956
Guerra
Macedo Soares
PSD-
SP
1955-1956
Relações Exteriores
Lucas Lopes
PSD-
MG
1955-1956
Viação e Obras Públicas
Kubitschek
—
Nereu Ramos
PSD-
SC
1956-1957
Justiça e Negócios Interiores
Eurico Sales
PSD-
ES
1957-1958
Cirilo Júnior
PSD-
SP
1958-1959
Armando Falcão
PSD-
CE
1959-1961
Macedo Soares
PSD-
SP
1956-1958
Relações Exteriores
Negrão de Lima
PSD-
MG
1958-1959
Horácio Lafer
PSD-
SP
1959-1961
José Maria Alkmin
PSD-
MG
1956-1958
Fazenda
Lucas Lopes
PSD-
MG
1958-1959
Paes de Almeida
PSD-
MG
1959-1961
Lúcio Meira
PSD-
RJ
1956-1959
Viação e Obras Públicas
Amaral Peixoto
PSD-
RJ
1959-1961
Armando Falcão
PSD-
CE
1960-1961
Saúde
Quadros
—
Clóvis Pestana
PSD-
RS
1961
Viação e Obras Públicas
Campanha da legalidade
e instituição da
República Parlamentarista
(
8 de Setembro
de
1961
)
Goulart (parlamentarismo)
Tancredo Neves
Tancredo Neves
PSD-
MG
1961
Justiça e Negócios Interiores
Monteiro Filho
PSD-
PE
1961-1962
Agricultura
Ulysses Guimarães
PSD-
SP
1961-1962
Indústria e Comércio
Brochado da Rocha
Cândido de Oliveira Neto
PSD-
PR
1962
Justiça e Negócios Interiores
Hermes Lima
Miguel Calmon
PSD-
BA
1962-1963
Fazenda
Extinto o período parlamentarista após o
Referendo de 1963
(
6 de janeiro
de
1963
)
Goulart (presidencialismo)
—
Abelardo Jurema
PSD-
PB
1963-1964
Justiça e Negócios Interiores
Expedito Machado Ponte
PSD-
CE
1963-1964
Viação e Obras Públicas
Paulo Pinheiro Chagas
PSD-
MG
1963
Saúde
Antônio Balbino
PSD-
BA
1963
Indústria e Comércio
Antônio de Oliveira Brito
PSD-
BA
1963-1964
Minas e Energia
Amaral Peixoto
PSD-
RJ
1963
Reforma Administrativa
Fim da
4ª República
com o
Golpe Militar
(
31 de Março
de
1964
)
Castelo Branco
—
Daniel Agostinho Faraco
PSD-
SC
1964-1966
Indústria e Comércio
Luís Viana Filho
PSD-
BA
1964-1967
Casa Civil
O PSD é dissolvido pelo
Ato Institucional n.º 2
(
27 de Outubro
de
1965
)
Desempenho eleitoral
[
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Eleições legislativas
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]
Câmara dos Deputados
[
14
]
Legislatura
Bancada
%
±
Líder
1945
38.ª
 
(1947–1951)
0151
151 / 286
52,80
1000
 151
Benedito Valadares
(MG)
1950
39.ª
 
(1951–1955)
0112
112 / 304
36,84
0965
 39
Benedito Valadares
(MG)
1955
40.ª
 
(1955–1959)
0089
119 / 326
36,50
1006
 7
Armando Falcão
(CE)
1959
41.ª
 
(1959–1963)
0115
115 / 326
35,28
1016
 4
Arnaldo Rollemberg
(SE)
1963
42.ª
 
(1963–1967)
0118
118 / 409
28,85
0979
 3
0065
 
Ulysses Guimarães
(SP)
Senado Federal
[
15
]
Legislatura
Bancada
%
±
Líder
1946
38.ª
 
(1946–1951)
0000
36 / 64
56,25
1000
 36
Alfredo Neves
(RJ)
1950
39.ª
 
(1951–1955)
0000
23 / 63
36,51
1000
 13
Rui Carneiro
(PA)
1955
40.ª
 
(1955–1959)
0019
25 / 64
39,06
0998
 2
Nereu Ramos
(SC)
1959
41.ª
 
(1959–1963)
0016
19 / 64
29,69
0997
 6
Auro de Moura Andrade
(SP)
Eleições presidenciais e vice-presidenciais
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Ano
Imagem
Candidato(a) a Presidente
Candidato a Vice-Presidente
Coligação
Votos
%
Colocação
1945
Eurico Gaspar Dutra
(
PSD
)
—
[
nota 1
]
PSD e
PTB
3.251.507
55,39
1º
1946
—
Nereu Ramos
(
PSD)
178
[
nota 2
]
55,63
1º
1950
[
nota 3
]
Cristiano Machado
(
PSD)
—
PSD
,
PR
,
POT
e
PST
1.697.173
21,49
3°
—
Altino Arantes
(
PSD)
1.649.309
23,40
3°
1955
[
nota 4
]
Juscelino Kubitschek
(
PSD
)
—
PSD,
PTB
,
PR
,
PTN
,
PST
,
PRT
3.077.411
35,68
1°
—
João Goulart
(
PTB
)
3.591.409
44,25
1°
1960
[
nota 5
]
Henrique Teixeira Lott
(
PSD
)
—
PSD,
PTB
,
PST
,
PSB
,
PRT
3.846.825
32,94
2°
—
João Goulart
(
PTB
)
4.547.010
36,10
1°
Presidentes do Conselho de Ministros
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]
Ver artigo principal:
Presidente do Conselho de Ministros
Nome
Retrato
Origem
Período dos mandatos
Ref.
Tancredo Neves
Minas Gerais
8 de setembro de 1961 - 12 de julho de 1962
Francisco de Paula Brochado da Rocha
Rio Grande do Sul
12 de julho de 1962 - 18 de setembro de 1962
Notas
↑
Em 1945 não existia o cargo de vice-presidente da república.
↑
Eleição indireta realizada no Congresso Nacional.
↑
Em 1950 a eleição para
presidente
e
vice-presidente
era feita de forma separada.
↑
Em 1955 a eleição para
presidente
e
vice-presidente
era feita de forma separada.
↑
Em 1960 a eleição para
presidente
e
vice-presidente
era feita de forma separada.
Referências
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«PARTIDO SOCIAL DEMOCRÁTICO»
.
TSE
. Consultado em 16 de setembro de 2021
 
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Revista Anos 90
 
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↑
Bancada na Eleição
Portal da Câmara dos Deputados
. Acessado em 19 de abril de 2016.
↑
Senadores
Portal do Senado Federal
. Acessado em 19 de abril de 2016.
Bibliografia
[
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]
HIPPOLITO, Lucia. De Raposas e Reformistas:
O PSD e a experiência democrática de 1945 a 1964
. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2012.
Portal da política
Portal do Brasil
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Fundações no Brasil em 1945
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Partido Social Democrático (1945)
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