Poesia épica – Wikipédia, a enciclopédia livre
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Portal da literatura
A
poesia épica
(em
grego clássico
:
ἐπύλλιον
, plural:
ἐπύλλια
,
epyllia
) é um subgênero de
literatura
voltado para a
expressão poética
de
mitos
e histórias coletivas.
[
1
]
Manifesta-se, principalmente, pela
epopeia
, um gênero textual que narra os feitos de um
herói lendário
, a exemplo da
Odisseia
de
Homero
e de
Os Lusíadas
de
Luís de Camões
.
Epopeia
[
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|
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]
Epopeia é uma narrativa que apresenta, com maior qualidade os fatos originalmente contados em versos, a saber as características: personagens, tempo, ação, espaço. Também pode conter factos heroicos muitas vezes transcorridos durante guerras.
Epopeia é um poema épico ou lírico. Um poema heroico narrativo extenso, uma coleção de feitos, de fatos históricos, de um ou de vários indivíduos, reais, lendários ou mitológicos. A epopeia eterniza lendas seculares e tradições ancestrais, preservada ao longo dos tempos pela tradição oral ou escrita. A epopeia exalta um povo que é representado por um herói (exemplo: Os Portugueses em
Lusíadas
). Os primeiros grandes modelos ocidentais de epopeia são os poemas homéricos a
Ilíada
e a
Odisseia
, os quais têm a sua origem nas lendas sobre a
guerra de Troia
.
Segundo
Aristóteles
, a epopeia é a imitação de homens superiores, em versos com metro único e forma narrativa, diferindo assim das tragédias. As epopeias não possuem limite de tempo ou espaço, tornando-se ilimitadas, diferindo assim das tragédias, que possuem tempo determinado, como por exemplo o período de um dia inteiro.
Dentre os poemas épicos podem ser citados:
Epopeias orais
[
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|
editar código
]
Os primeiros épicos foram produtos de sociedades pré-letradas e tradições poéticas de história oral. A tradição oral foi usada junto com as escrituras escritas para comunicar e facilitar a difusão da cultura. Nessas tradições, a poesia é transmitida ao público e de intérprete a intérprete por meios puramente orais. O estudo do início do
século XX
sobre a vida de tradições épicas orais nos Bálcãs demonstrou a paratática, modelo usado para compor esses poemas. O que eles demonstraram foi que os épicos orais tendem a ser construídos em episódios curtos, cada um de igual status, interesse e importância. Isso facilita a memorização, pois o poeta está relembrando cada episódio por vez e usando os episódios completos para recriar todo o épico à medida que o interpreta. A fonte mais provável para os textos escritos das epopeias de Homero foi o ditado de uma apresentação oral.
[
2
]
Os épicos homéricos, as primeiras obras da literatura ocidental, eram fundamentalmente uma forma poética oral. Essas obras constituem a base do gênero épico na literatura ocidental. Quase todos os épicos ocidentais (incluindo a Eneida de Virgílio e a Divina Comédia de Dante) se apresentam conscientemente como uma continuação da tradição iniciada por esses poemas.
Algumas obras épicas
[
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|
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]
Título
Autor
Onde foi criada
Data
Epopeia de Gilgamés
anônimo
Suméria
séc. XXII –
XII a.C.
[
3
]
Ilíada
Homero
Grécia
c. séc. VIII a.C.
Odisseia
Homero
Grécia
c. séc. VIII a.C.
Teogonia
Hesíodo
Grécia
séc. VII a.C.
Os Trabalhos e os Dias
Hesíodo
Grécia
séc. VII a.C.
Mahabharata
Viasa
Índia
séc. IV – III a.C.
As Argonáuticas
Apolônio de Rodes
Grécia
séc. III a.C.
Anais
Ênio
Roma
séc. III a.C.
Eneida
Virgílio
Roma
séc. I a.C.
Metamorfoses
Ovídio
Roma
séc. I a.C.
Farsália
Lucano
Roma
séc. I
Púnica
Sílio Itálico
Roma
séc. I
Tebaida
Estácio
Roma
séc. I
Aquileida
Estácio
Roma
séc. I
Argonáuticas
Valério Flaco
Roma
séc. I
Do rapto de Prosérpina
Claudiano
Roma
séc. IV
Gigantomaquia
Claudiano
Roma
séc. IV
Beowulf
anônimo
Inglaterra
séc. VIII – XI
Canção de Rolando
anônimo
França
séc. XI
Digenis Acritas
anônimo
Império Bizantino
séc. XI ou XII
Canção dos Nibelungos
anônimo
Alemanha
c. 1200
Cantar de Mio Cid
anônimo
Espanha
c. 1200
Parzival
Wolfram von Eschenbach
Alemanha
séc. XIII
Saga dos Volsungos
anônimo
Islândia
c. 1300
Divina Comédia
Dante Alighieri
Itália
1304 – 1321
Orlando Furioso
Ariosto
Itália
séc. XIV–XVI
Os Lusíadas
Camões
Portugal
1572
Jerusalém Libertada
Torquato Tasso
Itália
1580
Malaca Conquistada
Francisco de Sá de Meneses
Portugal
1634
Paraíso Perdido
John Milton
Inglaterra
1667
Viriato Trágico
Brás Garcia de Mascarenhas
Portugal
1699
O Uraguai
Basílio da Gama
Brasil
1769
Caramuru
Santa Rita Durão
Brasil
1781
Hermann e Doroteia
Goethe
Alemanha
1796 – 1797
O Oriente
José Agostinho de Macedo
Portugal
1814
O novo argonauta
José Agostinho de Macedo
Portugal
1825
[
4
]
Destruição de Nínive
Edwin Atherstone
Inglaterra
1828-1868
Pan Tadeusz
Adam Mickiewicz
Polónia
1834
Kalevala
Elias Lönnrot
Finlândia
1835–1849
Batismo sobre Savica
France Prešeren
Eslovênia
1836
A Confederação dos Tamoios
Domingos José Gonçalves de Magalhães
Brasil
1856
Mensagem
Fernando Pessoa
Portugal
1934
Brasileidas
Carlos Alberto da Costa Nunes
Brasil
1938
Ver também
[
editar
|
editar código
]
Poesía épica indiana
Poeta de guerra
Referências
↑
Cunillera, António.
Cultura Geral
. Portugal: Ferreira e Bento. p. 243
 
↑
Goody, Jack (1987). A interface entre o escrito e o oral. Cambridge University Press. pp. 110–121.
ISBN 978-0-521-33794-6
.
[1]
↑
Sin-léqi-unnínni (2007).
Ele que o abismo viu
. Traduzido por Jacyntho Lins Brandão. [S.l.]: Autêntica. p. 13 e 23-24.
ISBN
 
978-85-513-0283-5
 
↑
O Novo Argonauta, José Macedo, 1825.
[2]
Bibliografia
[
editar
|
editar código
]
Aristóteles.Ética a Nicômaco; Poética / Aristóteles; seleção de textos de José Américo Motta Pessanha. — 4. ed. — São Paulo: Nova Cultural, 1991. — (Os pensadores; v. 2)
Ética a Nicômaco: tradução de Leonel Vallandro e Gerd Bornheim da versão inglesa de W.D. Ross; Poética: tradução, comentários e índices analítico e onomástico de Eudoro de Souza. Bibliografia.
ISBN 85-13-00232-1
Leoni, G. D., Os gêneros literários da cultura romana.
Citroni, M., Consolino, F. E., Labate, M., Narducci, E., "Virgílio", in Literatura de Roma Antiga, trad. port. Lisboa, Fundação Calouste Gulbenkian, 2006.
Cardoso, Zélia de Almeida. A literatura latina, São Paulo: Martins Fontes, 2011.
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