Cerrado – Wikipédia, a enciclopédia livre
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Início
1
Características
Alternar a subsecção Características
1.1
Clima
1.2
Relevo
1.3
Vegetação
1.3.1
Fitogeografia
1.3.2
Flora
1.3.3
Espécies comuns no Cerrado
1.4
Fauna
1.4.1
Mastofauna
1.4.2
Avifauna
1.4.3
Ictiofauna
2
Conservação
Alternar a subsecção Conservação
2.1
Destruição de habitats
2.2
Invasoras
2.3
Peculiaridades das formações abertas
2.3.1
Manejo do fogo
2.3.2
Florestamento
3
Ver também
4
Notas
5
Referências
6
Bibliografia
7
Ligações externas
Alternar o índice
Cerrado
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Asturianu
Български
Català
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Cerrado (desambiguação)
.
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CAPES
).
(
Dezembro de 2021
)
Cerrado
Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros
, em
Goiás
.
Ecologia
Bioma
Savana
Geografia
Área
2 045 064 km²
Países
Brasil
Parte da
América do Sul
Mapa da área do Cerrado conforme delineado pela
World Wide Fund for Nature
.
Mapa da área do Cerrado conforme delineado pela
World Wide Fund for Nature
.
No Domínio
Cerrado
é onde ocorre a predominância do bioma das
savanas
[
nota 1
]
no Brasil. Trata-se do segundo maior domínio em extensão territorial, ocupando uma área de mais de dois milhões de km²
[
1
]
. O termo "cerrado" pode ser utiilizado em três sentidos
[
2
]
[
3
]
[
4
]
[
5
]
. O primeiro, a "fisionomia do
cerrado
sensu stricto
" é uma das fisionomias do bioma savana, e parte da província florística cerrado sensu lato.
Em segundo, a "província do cerrado
sensu lato
" é uma
província florística
ou fitogeográfica — também chamada tipo vegetacional ou
fitocório
, que é um conceito
florístico
, que leva em conta a composição dos
grupos taxonômicos
das plantas de uma comunidade, (isto é, a
flora
) e biogeográfica (ao se incluir também a fauna). Corresponde à província Oreades de
Martius
. É composto por três
biomas
(que é um conceito fisionômico-funcional, e que apesar de englobar tanto as plantas quanto os animais e microrganismos de uma comunidade, na prática, se define pelo clima e pela fisionomia ou aparência geral das plantas da comunidade, isto é, pelo "tipo de formação vegetacional" - não confundir com o conceito florístico de "tipo vegetacional" - embora certos autores usem esta expressão para se referir a fisionomias)
[
6
]
e seis fisionomias (subtipos de bioma ou de formação vegetacional): o bioma campo tropical (fisionomia
campo limpo
), o bioma
savana
(fisionomias
campo sujo
,
campo cerrado
e
cerrado
sensu stricto
) e o bioma floresta estacional (fisionomia
cerradão
).
Em terceiro, o "domínio do cerrado" se refere a um
domínio morfoclimático e fitogeográfico
(área do espaço geográfico, com dimensões subcontinentais, em que predominam características morfoclimáticas - de
clima
e
relevo
- semelhantes, além de uma província florística (tipo vegetacional) predominante, podendo, entretanto, conter vários tipos de formações (como a
floresta ripícola
, o
campo rupícola
, o
Cerradão
, a
floresta estacional decídua
, o
campo úmido
, a
mata ciliar
,
mata de galeria
,
mata seca
,
palmeiral
,
vereda
e
campo rupestre
), algumas pertencentes a outras províncias florísticas (como a
Mata Atlântica
).
A grafia varia entre os autores: alguns propõem que apenas o terceiro sentido seja usado com inicial maiúscula, outros sugerem o mesmo para o segundo sentido, e alguns usam os três conceitos com iniciais minúsculas. Pode-se observar, então, que embora o cerrado
sensu lato
e o domínio do cerrado sejam comumente referidos, até mesmo em certos documentos oficiais do
IBGE
[
7
]
ou da
Embrapa
, como um
bioma
(que é definido na literatura internacional a partir de características fisionômicas e ambientais, independentemente da composição taxonômica da comunidade), de acordo com o uso internacional do conceito de bioma, o correto é dizer que o cerrado (seja a província florística ou o domínio morfoclimático) contém biomas, e não que é um bioma.
Características
[
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|
editar código
]
Mapa da área do Cerrado delineado pela
World Wide Fund for Nature
Mapa de sobreposição das
regiões hidrográficas do Brasil
com a área de distribuição do cerrado
Vegetação característica na região noroeste de
Minas Gerais
,
Brasil
Parque Estadual dos Pireneus
, em
Goiás
O domínio apresenta variações fitofisionômicas ao longo de sua extensão
[
8
]
. É uma área zonal, como as savanas da
África
, e predomina, majoritariamente, no
Planalto Central
[
4
]
.
Trata-se do segundo maios domínio fitogeográfico em extensão, estendendo-se, em sua área
core
ou nuclear, por um território de 1,5 milhão de km²,
[
9
]
abrangendo quatro estados do Brasil Central (
Goiás
,
Mato Grosso
,
Mato Grosso do Sul
e
Distrito Federal
), além de
Minas Gerais
,
São Paulo
,
Paraná
,
Tocantins
,
Bahia
,
Maranhão
e
Piauí
. Incluindo-se as áreas periféricas/disjuntas, este valor pode ultrapassar 2 milhões de km²
[
10
]
[
11
]
. Essas áreas disjuntas podem ser encontradas em meio a outros domínios, tais como Amazônia, nos estados de Amapá, Roraima e Pará, e Caatinga, em alguns locais do Ceará, Paraíba e Pernambuco
[
11
]
[
12
]
[
13
]
[
14
]
. Além disso, há manchas de Cerrado no estado do Paraná, um pouco abaixo do trópico de Capricórnio
[
15
]
.
É cortado por três das maiores
bacias hidrográficas
da
América do Sul
, tem índices pluviométricos regulares que lhe propiciam sua grande
biodiversidade
.
O Cerrado possui duas classificações principais: o Cerrado
stricto sensu
, que abrange as formações savânicas; e o Cerrado
lato sensu
, que engloba formações florestais e campestres
[
8
]
. O Cerrado
stricto sensu
cobre a maior parte do domínio, e está representado pelas formações de cerrado ralo, típico e denso, parque de cerrado, palmeiral e vereda. Por outro lado, as formações florestais engloba os cerradões, as matas ciliares e de galeria, e as matas secas; enquanto as campestres exibem campos sujos e limpos e os campos rupestres
[
8
]
.
Pouco afetado até a década de 1960, o Cerrado está desde então crescentemente ameaçado, principalmente os cerradões, seja pela instalação de cidades e rodovias, seja pelo crescimento das monoculturas, como
soja
e o
arroz
, a
pecuária
intensiva, a
carvoaria
e o
desmatamento
causado pela atividade
madeireira
e por frequentes queimadas, devido às altas temperaturas e baixa
umidade
, quanto ao infortúnio do descuido humano.
Nas regiões onde o
cerrado
predomina, o clima é quente e há períodos de chuva e de seca, com
incêndios
espontâneos esporádicos, com alguns anos de intervalo entre eles, ocorrendo no período da seca. A vegetação, em sua maior parte, é semelhante à de savana, com gramíneas, arbustos e árvores esparsas. As árvores têm caules retorcidos e raízes longas, que permitem a absorção da água - disponível nos solos do cerrado abaixo de 2 metros de profundidade, mesmo durante a estação seca do inverno.
Clima
[
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|
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]
Cerrado na região de
Pirenópolis
,
Goiás
O
clima
predominante no Cerrado é o Tropical Sazonal, com inverno seco. A temperatura média anual é de
22°C
, podendo chegar a marcações de até 40°C na primavera. As mínimas registradas podem chegar a valores próximos de 10°C ou até menos, nos meses de maio, junho e julho. A
precipitação
média anual fica entre 1 200 e 1 800 milímetros, com
estação chuvosa
compreendida entre outubro e abril, sendo dezembro e janeiro os meses mais chuvosos. Curtos períodos de
seca
, chamados de veranicos, podem ocorrer no meio da primavera e do verão. No período de maio a setembro os índices pluviométricos mensais reduzem-se bastante, podendo chegar a zero.
Nos períodos de
estiagem
, o
solo
se resseca muito, mas somente em sua parte superficial (1,5 a 2 metros de profundidade). Mas vários estudos já demonstraram que, mesmo durante a seca, as folhas das
árvores
perdem razoáveis quantidades de água por
transpiração
, evidenciando a disponibilidade deste
mineral
nas camadas profundas do solo. Outra evidência é a floração do
ipê-amarelo
na estação da seca, porém a maior demonstração deste fato é a presença de extensas plantações de
eucaliptos
, crescendo e produzindo plenamente, sem necessidade de irrigação e adubação.
Ventos fortes e constantes não são características gerais do Cerrado. Normalmente, a
atmosfera
é calma e o ar fica muitas vezes quase parado. Em agosto costumam ocorrer algumas ventanias, levantando poeiras e cinzas de
queimadas
a grandes alturas, através de
redemoinhos
que se podem ver de longe. A
radiação solar
é bastante intensa, podendo reduzir-se devido à alta nebulosidade nos meses excessivamente chuvosos do verão.
Relevo
[
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|
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]
Ipê-amarelo-cascudo
(
Handroanthus chrysotrichus
) em
Avaré
,
São Paulo
, árvore típica do cerrado
Os pontos mais elevados do Cerrado estão na cadeia que passa por Goiás em direção sudeste-nordeste. O Pico Alto da
Serra dos Pireneus
, com 1 385 metros de altitude, a
Chapada dos Veadeiros
, com 1 250 metros e outros pontos com elevações consideradas , que se estendem em direção noroeste; a
Serra do Jerônimo
e outras serras menores, com altitudes entre 500 e 800 metros.
O relevo é um tanto acidentado, com poucas áreas planas. Nos morros mais altos são encontrados pedregulhos,
argila
com inclusões de pedras e camadas de areia. Outra formação é constituída por
aflorações
e rochas
calcárias
, com fendas,
grutas
e
cavernas
em diferentes tamanhos. Por cima das
rochas
há uma
vegetação
silvestre
. Possui campos e vales com vegetação bem característica e há ainda uma
floresta-galeria
rodeando riachos e lagoas.
Os solos apresentam-se intemperizados, devido à alta
lixiviação
e possuem baixa fertilidade natural. Apresenta pH ácido, variando de 4,3 a 6,2. Possui elevado conteúdo de
alumínio
, baixa disponibilidade de nutrientes, como
fósforo
,
cálcio
,
magnésio
,
potássio
,
matéria orgânica
,
zinco
,
argila
, compondo-se de
caulinita
,
goethita
e
gibbsita
. O solo é bem drenado, profundo e com camadas de
húmus
.
Há estruturas do solo bem degradadas, devido às atividades agrícolas e pastagens, inclusive o chamado reflorestamento com
Eucalyptus
na década de 1960. A recuperação é muito difícil, principalmente nos cerradões, devido às características do solo e ao regime de chuvas. Pode ser tentada a
revegetação
associado com
plantio
de
milho
,
feijão
,
café
,
freijó
,
maniçoba
,
buriti
ou
dendê
, no sistema de
agrofloresta
.
Vegetação
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]
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não cita
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CAPES
(
Agosto de 2024
)
Quem já viajou pelo interior do Brasil, através de estados como Minas Gerais, Goiás, Tocantins, Bahia, Mato Grosso ou Mato Grosso do Sul, certamente atravessou extensos chapadões, cobertos por uma vegetação de pequenas árvores retorcidas, dispersas em meio a um tapete de gramíneas - o cerrado.
Durante os meses quentes de verão, quando as chuvas se concentram e os dias são mais longos, tudo ali é muito verde. No inverno, ao contrário, o
capim
amarelece e seca; quase todas as árvores e arbustos, por sua vez, trocam a folhagem senescente por outra totalmente nova. Mas não o fazem todos os indivíduos a um só tempo, como nas caatingas nordestinas. Enquanto alguns ainda mantém suas folhas verdes, outros já as apresentam amarelas ou pardacentas, e outros já se despiram totalmente delas.
Assim, o cerrado não se comporta como uma
vegetação caducifólia
, embora cada um de seus indivíduos
arbóreos
e arbustivos o sejam, porém independentemente uns dos outros. Mesmo no auge da seca, o cerrado apresenta algum verde no seu estrato
arbóreo-arbustivo
. Suas espécies lenhosas são caducifólias, mas a vegetação como um todo não. Esta é semicaducifólia.
Vista panorâmica do
Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros
, em
Goiás
.
Fitogeografia
[
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]
Trilha em área de
cerradão
no
Parque Estadual Matas do Segredo
,
Campo Grande
, MS
Interior de
cerrado típico
na
Floresta Nacional de Paraopeba
, MG
Campo cerrado
em área com influência antrópica em
Padre Bernardo
, GO
Área de
campo sujo
no
Parque Nacional das Emas
, GO
Área de
campo limpo
no Parque Nacional das Emas, GO
Vereda
em Lagoa Grande, MG
Martius
(1824), embora não tenha proposto um sistema formal, descreve vários tipos de vegetação presentes no atual domínio do Cerrado.
[
16
]
[
17
]
[
5
]
Warming
(1892), em seu trabalho em
Lagoa Santa
, usa uma terminologia que seria formalizada por
Löfgren
(1898). Este é creditado como o primeiro a usar formalmente o termo "cerrado" no sentido fisionômico atual (cerrado
sensu stricto
), além de elaborar um sistema de tipos de vegetação para a
Oreades
(futuro cerrado
sensu lato
).
[
18
]
[
19
]
[
5
]
Cerradão ou Caatanduva
Cerrado propriamente dito
Campo cerrado ou Caatininga
Campo Limpo
Formações (subtipos de vegetação) do cerrado (
sensu lato
), segundo Coutinho (1978):
[
20
]
[
21
]
[
22
]
Formação campestres:
Campos limpos
Formações savânicas ecotonais (de transição):
Campos sujos
Campos cerrados
Cerrados
sensu stricto
Formação florestal:
Cerradões
Fitofisionomias presentes no "bioma" (domínio) cerrado, segundo Ribeiro & Walter (1998):
[
8
]
[
5
]
[p.150]
Florestas:
Mata Ciliar
Mata de Galeria
(não Inundável, Inundável)
Mata Seca
(Sempre-Verde, Semidecídua, Decídua)
Cerradão
(Mesotrófico, Distrófico)
Savanas:
Cerrado sentido restrito
(Denso, Típico, Ralo, Rupestre)
Parque de Cerrado
Palmeiral
(Babaçual,
Buritizal
, Guerobal, Macaubal)
Vereda
Campos:
Campo Sujo
(Seco, Úmido, com Murundus)
Campo Limpo
(Seco, Úmido, com Murundus)
Campo Rupestre
Entretanto, deve-se notar que alguns autores (ex., Ribeiro & Walter, 1998) não incluem o campo limpo no cerrado enquanto área fitogeográfica (cerrado
sensu lato
).
[
5
]
[p.94]
Arruda et al. (2008) identificaram 22
ecorregiões
no bioma Cerrado, de acordo com aspectos biogeográficos e ecológicos, a fim de servir como referência para o planejamento ambiental: Alto Parnaíba, Araguaia Tocantins, Bananal, Bico do Papagaio, Chapadão do São Francisco, Chiquitania, Complexo Bodoquena, Depressão Cuiabana, Depressão do Parnaguá, Grão-Mogol, Jequitinhonha, Paracatu, Paraná- Guimarães, Paranaíba, Paranapanema Grande, Parecis, Planalto Central Goiano, Província Serrana, São Francisco-Velhas, Serra da Canastra, Serra do Cipó e Vão do Paranã.
[
23
]
[
24
]
Tipos de vegetação presentes na "região florística do Brasil central" (província do cerrado), segundo o IBGE (2012):
[
25
]
savana
floresta estacional semidecidual
floresta estacional decidual
Tipos de "
savana
" (entendida neste esquema como sinônimo de cerrado
sensu lato
) de acordo com o IBGE (2012), com nomes regionais entre parênteses:
[
25
]
Subgrupo de formação: Savana (Cerrado)
Formação: Savana Florestada (Cerradão)
Formação: Savana Arborizada (Campo Cerrado, Cerrado Ralo, Cerrado Típico e Cerrado Denso)
Formação: Savana Parque (Campo-Sujo-de-Cerrado, Cerrado-de-Pantanal, Campo-de-Murundus ou Covoal e Campo Rupestre)
Formação: Savana Gramíneo-Lenhosa (Campo-Limpo-de-Cerrado)
Flora
[
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|
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]
Ver artigo principal:
Lista da flora do Cerrado
Três Lagoas
- MS
Até o momento, a flora conhecida do Cerrado revela uma elevada riqueza e diversidade, com altos índices de endemismo. Atualmente, estão catalogadas 14.129 espécies de angiospermas, das quais 7.578 são endêmicas (aprox. 53% do total)
[
26
]
. Esse alto número de espécies endêmicas, associado a intensas e constantes ameaças, permite a classificação do Cerrado como
hotspot
de biodiversidade
[
27
]
.
A composição florística dos cerrados, com seus respectivos hábitos e formas de vida predominantes, também variam segundo a fitofisionomia. Nas formações florestais, por exemplo, predominam espécies lenhosas, de forma de vida fanerofítica, que mantêm suas gemas de crescimento acima de 50 cm do solo. Já em áreas de Cerrado
stricto sensu
prevalecem hemicriptófitos, representados por ervas e subarbustos cujas gemas estão próximas ao nível do solo
[
28
]
A distribuição dessa flora tem sido amplamente estudada. Pesquisas com pólen indicam que, durante o período glacial, o domínio funcionou como um corredor ecológico entre as florestas Amazônica e Atlântica
[
29
]
. Outros estudos revelam uma mistura de plantas típicas da Amazônia e da Mata Atlântica com espécies do Cerrado nas zonas de Mata Ciliar e Mata Seca, além de um gradiente florístico atlântico-amazônico na direção sudeste-noroeste do Cerrado, onde a similaridade entre as espécies diminui conforme se afasta da região central
[
30
]
[
31
]
.
Flor de
Cajueiro-bravo-do-campo
(
Curatella americana
L.), espécie oligárquica do Cerrado.
A partir da flora, foi possível identificar três supercentros de diversidade para o Cerrado: Sudeste Meridional, Planalto Central e Nordeste
[
32
]
. Cada um desses supercentros apresenta identidade florística própria. Entretanto, é possível notar a presença de espécies vegetais comuns, amplamente distribuídas por toda a extensão do domínio
[
11
]
. Trata-me das espécies "oligárquicas" ou "dominantes", que são utilizadas para identificar a influência do Cerrado numa determinada área
[
33
]
e auxiliam na identificação de áreas disjuntas.
Espécies comuns no Cerrado
[
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|
editar código
]
Ipê-amarelo, árvore típica do Cerrado
A
vegetação
do Cerrado apresenta diversas paisagens florísticas diferenciadas, como os brejos, os campos alagados, os campos altos, os remanescentes de
mata atlântica
. Mas as fitopaisagens predominantes são aquelas dos Cerrados, como o cerrado típico, o cerradão e as
veredas
. Nestas, há desde palmeiras, como
babaçu
(
Orbignya phalerata
),
bacuri
(
Platonia insignis
), brejaúba (
Toxophoenix aculeatissima
),
buriti
(
Mauritia flexuosa
),
guariroba
(
Syagrus oleracea
),
jussara
(
Euterpe edulis
) e
macaúba
(
Acrocomia aculeata
)
[
34
]
até plantas frutíferas como
araticum-do-cerrado
(
Annona crassiflora
),
araçá
(
Psidium cattleianum
),
araçá-boi
(
Eugenia stipitata
),
araçá-da-mata
(
Myrcia glabra
),
araçá-roxo
(
Psidium myrtoides
),
bacuri
(
Scheelea phalerata
),
bacupari
(
Rheedia gardneriana
),
baru
(
Dipteryx alata
),
café-de-bugre
(
Cordia ecalyculata
),
figueira
(
Ficus guaranítica
),
lobeira
(
Solanum lycocarpum
),
jabuticaba
(
Myrciaria trunciflora
),
jatobá
(
Hymenaea courbaril
),
marmelinho
(
Diospyros inconstans
),
pequi
(
Caryocar brasiliense
),
goiaba
(
Psidium guajava
),
gravatá
(Bromeliaceae),
marmeleiro
(
Croton alagoensis
),
jenipapo
(
Genipa americana
),
ingá
(
Inga sp
),
mama-cadela
(
Brosimum gaudichaudii
),
mangaba
(
Hancornia speciosa
),
cajuzinho-do-campo
(
Anacardium humile
),
pitanga-do-cerrado
(
Eugenia calycina
),
guapeva
(
Fervillea trilobata
),
veludo-branco
(
Gochnatia polymorpha
); Madeiras, tais quais
angico-branco
(
Anadenanthera colubrina
),
angico
(
Anadenanthera spp
),
aroeira-branca
(
Lithraea molleoides
),
aroeira-do-sertão
(
Myracrodruon urundeuva
),
cedro-rosa
(
Cedrela fissilis
),
monjoleiro
(
Acacia polyphylla
),
vinhático
(
Plathymenia reticulata
),
bálsamo-do -cerrado
(
Styrax pohlii
),
pau-ferro
(
Caesalpinia ferrea
),
ipês
(
Tabebuia spp.
), além de plantas características dos cerrados, como
amendoim-do-campo
(
Pterogyne nitens
),
araticum -cagão
(
Annona cacans
),
aroeira-pimenteira
(
Schinus terebinthifolius
),
capitão-do-campo
(
Terminalia spp.
),
embaúba
(
Cecropia spp
),
guatambu-de-sapo
(
Chrysophyllum gonocarpum
),
maria-pobre
(
Dilodendron bipinnatum
),
mulungu
(
Erythrina spp
),
paineira
(
Ceiba speciosa
),
pororoca
(
Rapanea guianensis
),
quaresmeira roxa
(
Tibouchina granulosa
),
tamboril
(
Enterolobium spp
),
pata-de-vaca
(
Bauhinia longifólia
),
algodão-do-cerrado
(
Cocholospermum regium
),
assa-peixe
(
Vernonia polyanthes
),
pau-terra
(
Qualea grandiflora
),
pimenta-de-macaco
(
Xylopia aromatica
),
gameleira
(
Ficus rufa
), sem falar em uma grande variedade de
gramíneas
,
bromeliáceas
,
orquidáceas
e outras plantas de menor porte.
[
35
]
Fauna
[
editar
|
editar código
]
A anta (
Tapirus terrestris
) é um dos animais do Cerrado
O Cerrado apresenta grande variedade em espécies em todos os ambientes, que dispõem de muitos recursos ecológicos, abrigando comunidades de animais com abundância de indivíduos, alguns com adaptações especializadas para explorar o que fornece seu habitat. No ambiente do Cerrado são conhecidos até o momento mais de 1.500 espécies de animais, entre vertebrados (mamiferos, aves, peixes,repteis e anfíbios) e invertebrados(insetos, moluscos, etc). Cerca de 194 das 524 espécies de
mamíferos
(pertencentes a 67 gêneros) estão no Cerrado. Apresenta 837 espécies de
aves
, 150 de
anfíbios
(das quais 45 são endêmicas), 185 espécies de
répteis
(das quais 40 são endêmicas). Apenas no
Distrito Federal
há 90 espécies de
cupins
, 1.000 espécies de
borboletas
e 500 de
abelhas
e
vespas
.
Devido à ação do homem, o Cerrado passou por grandes modificações, alterando os diversos habitats e, consequentemente, apresentando
espécies ameaçadas
de extinção. Dentre as que correm risco de desaparecer estão o
tamanduá-bandeira
, a
anta
, o
lobo-guará
, o
pato-mergulhão
, o
falcão-de-peito-vermelho
, o
tatu-bola
, o
tatu-canastra
, o
cervo-do-pantanal
, o
cachorro-vinagre
, a
onça-pintada
, a
ariranha
e a
lontra
.
Mastofauna
[
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]
Onça-pintada, um felino típico
Especificamente no que tange à fauna de
mamíferos
do cerrado, em que pesem as áreas devastadas para a agropecuária e a mineração, ela é ainda bastante diversificada, com representantes de:
Marsupiais
–
gambá
(
Didelphis
ssp.),
cuíca
(
Gracilinanus microtarsus
),
cuíca-d'água
(
Chironectes minimus
) e
jaritataca
(
Conepatus semistriatus
)
Mustelídeos
–
ariranha
(
Pteronura brasiliensis
),
irara
(
Eira barbara
),
lontra
(
Lontra longicaudis
),
Xenartros
–
tamanduá-bandeira
(
Myrmecophaga tridactyla
),
tamanduá-mirim
(
Tamandua tetradactyla
),
preguiça
(
Bradypus
sp),
tatus
(
Dasypodidae
)
Felídeos
–
gato-palheiro
(
Oncifelis colocolo
),
jaguatirica
(
Leopardus pardalis
),
jaguarundi
(
Herpailurus yaguarondi
),
onça-pintada
(
Panthera onca
) e
onça-parda
(
Puma concolor
),
Canídeos
–
cachorro-do-mato
(
Cerdocyon thous
),
raposa-do-campo
(
Lycalopex vetulus
),
lobo-guará
(
Chrysocyon brachyurus
)
Cervídeos
–
veado-mateiro
(
Mazama americana
),
veado-campeiro
(
Mazama gouazoupira
)
Primatas
–
macaco-prego
(
Cebus apella
),
macaco-aranha
(
Ateles paniscus
),
saguis
(Callitrichinae)
Procionídeos
-
quati
(
Nasua
spp.),
mão-pelada
(
Procyon cancrivorus
)
Ungulados
-
anta
(
Tapirus terrestris
),
queixada
(
Tayassu pecari
),
caititu
(
Pecari tajacu
),
veado-catingueiro
(
Mazama gouazoubira
),
veado-campeiro
(
Ozotoceros bezoarticus
)
Roedores
–
preá
(
Cavia
spp),
porco-espinho
(
Erethizontidae Hystricidae
fam.),
capivara
(
Hydrochoerus hydrochaeris
),
cutia
(
Dasyprocta
spp),
paca
(
Agouti paca
),
ratos
(
Cricetidae
)
Leporídeos
–
tapiti
(
Sylvilagus brasiliensis
)
Quirópteros
–
morcegos
(Chiroptera)
Avifauna
[
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]
Tucano
, ave comum no Cerrado
Em relação à
avifauna
, são inúmeras as aves do Cerrado,
[
36
]
e entre elas destacam-se:
Papa-moscas-do-campo
(
Culicivora caudacuta
),
Codorna-pequena
(
Taoniscus nanus
),
Águia-cinzenta
(
Harpyhaliaetus coronatus
),
Andarilho
(
Geositta poeciloptera
),
[
37
]
Anhuma
(
Anhima cornuta
),
Marreca-ananaí (
Anas braziliensis
),
Marreca-cabocla
(
Dendrocygna autumnalis
),
Marreca-caneleira
(
Dendrocygna bicolor
),
Irerê
(
Dendrocygna viduata
),
Pato-mergulhão
(
Mergus octosetaceus
),
Pato-corredor
(
Neochen jubata
),
Marreca-caucau (
Nomonyx dominicus
),
Pato-picasso (
Sarkidiornis melanoto
),
[
38
]
Gralha
(Cyanocorax cristatellus
),
Pássaro-preto
(
Gnorimopsar chopi
),
Guaxo (
Icterus jamacaii
),
Tucano
(
Ramphastos toco
),
Urubu
(
Coragyps atratus
),
Seriema
(
Cariama cristata
),
Sabiá-do-campo
(
Mimus saturninus
),
Beija-flor
(
Colibri serrirostris
),
Beija-flor-tesoura (
Eupetomena macroura
),
Garça campeira (
Casmerodius albus
)
Garça do banhado (
Egretta thula
),
Anu-preto
(
Crotophaga ani
),
Anu-branco
(
Guira guira
),
Caga-sebo (
Coereba flaveola
),
Vivi (
Euphonia chlorotica
),
Saí-azul (
Dacnis cayana
),
Sanhaço
(
Thraupis
sp.),
Príncipe (
Pyrocephalus rubinus
),
Suriri (
Tyrannus melancholicus
),
Quero-quero
(
Vanellus chilensis
),
Curicaca
(
Theristicus caudatus
),
Garrincha (
Synallaxis frontalis
),
Papagaio-verdadeiro
(
Amazona aestiva
),
Saracura
(
Aramides cajanea
),
Piriquito
(
Brotogeris chiriri
),
Pomba-asa-branca (
Columba picazuro
),
João-de-barro
(
Furnarius rufus
),
Bem-te-vi
(
Pitangus sulphuratus
),
Canário
(
Sicalis flaveola
),
Sabiá-laranjeira
(
Turdus rufiventris
)
[
39
]
Ictiofauna
[
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]
Piau, peixe típico dos rios do Cerrado
Sobretudo pelo fato de ser em áreas de Cerrado que nascem rios das mais importantes
bacias hidrográficas
brasileiras, como as bacias Amazônica, Tocantínea, Platina e São-Franciscana, a
ictiofauna
é extremamente rica e diversificada. Nos rios do Cerrado, há um número bastante relevante de espécies de
mariscos
,e uma grande variedade de peixes, desde aqueles que são comuns até em pequenos
córregos
, como
piabas
(
Astyanax
spp.);
lambaris
(
Deuterodon
spp.,
Moenkhausia
spp),
Cará
(
Aequidens
spp,
Mesonauta
spp),
bagres e mandis
(
Pimelodus
spp.), Mussum (
Synbranchus marmoratus
), tuvira (
Eigenmannia
spp), até aqueles que são encontrados quase que apenas em rios e
ribeirões
, tais como caranha (
Piaractus
spp.,
Pygocentrus
spp.);
pacu
(
Colossoma
spp.;
Mylossoma
spp.;
Chaetobranchopsis
spp.),
piau
(
Leporinus
spp.),
traíra
(
Hoplias
spp.),
piranha
(
Catoprion
spp.),
corimbatá
(
Cyphocharax
spp.),
dourado
(
Salminus
spp.),
cascudo
(
Hypostomus
spp.;
Pterygoplichthys
spp),
peixe-cachorro
(
Roeboides
spp.), além de cachorra (
Hydrolycus scomberoides
),
peixe-cadela
(
Oligosarcus hepsetus
),
pirapitinga
(
Brycon microlepis
), abotoado (
Pterodoras granulosus
), timburé (
Schizodon borellii
),
taguara ou sardinha-de-água-doce
(
Triportheus angulatus
), e espécies maiores, de couro, como cachara (
Pseudoplatystoma fasciatum
),
jaú
(
Paulicea luetkeni
), barbado (
Pinirampus pinirampus
),
pintado
(
Pseudoplatystoma corruscans
) e
surubi
(
Sorubimichthys planiceps
). Há outras espécies menos significativas numericamente, inclusive a muito rara e quase extinta
piracanjuba
(
Brycon orbignyanus
).
[
40
]
Conservação
[
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|
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]
Destruição de habitats
[
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|
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]
A expansão da
fronteira agrícola
é uma das principais ameaças ao cerrado
Originalmente com cobertura de pouco mais de 20% do território brasileiro, o Cerrado sofre diversas ameaças à sua biodiversidade, principalmente por conta da profusão das atividades econômicas do
agronegócio
a partir da
década de 1970
e que se intensificaram nos últimos anos.
[
41
]
[
42
]
[
43
]
[
44
]
Depois da
Mata Atlântica
, o Cerrado é o ecossistema brasileiro que mais alterações sofreu com a ocupação humana.
[
41
]
[
42
]
O bioma é considerado um dos 25 ecossistemas do planeta com alto risco de extinção.
[
45
]
Um dos primeiros impactos ambientais graves na região foi causado por garimpos e a atividade mineradora em grande escala, que contaminaram os rios com mercúrio, provocaram o assoreamento dos cursos de água e, em alguns casos, chegou até mesmo a impossibilitar a própria extração do ouro rio abaixo.
[
42
]
Contudo, atualmente, a expansão da monocultura intensiva de grãos e da pecuária extensiva de baixa tecnologia representam a principal ameaça à biodiversidade do Cerrado.
[
41
]
[
42
]
[
44
]
Segundo cálculos realizados em 1998 pelo
INPE
, restavam apenas 34,22% das áreas nativas remanescentes do Cerrado.
[
44
]
Para alguns estudiosos do bioma, de certo modo fatalistas, a destruição do Cerrado é irreversível.
[
43
]
[
44
]
[
46
]
De acordo com o ritmo atual de sua destruição, algumas previsões apontam a extinção do bioma até o ano de 2030.
[
44
]
[
46
]
A extinção do Cerrado comprometeria também o abastecimento potável em todo o Brasil, já que o fim do bioma representará a extinção dos grandes mananciais de água que abastecem as grandes bacias hidrográficas do país.
[
43
]
Em 2021, o Brasil registrou a pior seca em 91 anos, reduzindo a níveis críticos os reservatórios das hidrelétricas das regiões em que o Cerrado ocorre, que são fontes de 70% da energia hidráulica do país
[
47
]
.
Apesar do reconhecimento de sua importância biológica e humana, o Cerrado é o que possui a menor porcentagem de áreas sobre proteção integral, tendo apenas 2,85% de seu território como
unidades de conservação
de proteção integral e 5,36% de unidades de conservação de uso sustentável, incluindo RPPNs (0,07%).
[
41
]
Invasoras
[
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|
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]
Dentre as principais
espécies exóticas
invasoras
do Cerrado, que competem com plantas nativas, estão algumas gramíneas
forrageiras
africanas, usadas na pecuária desde os anos 1970,
[
48
]
como
Melinis minutiflora
(capim-gordura),
Hyparrhenia rufa
(capim-jaraguá),
Panicum maximum
(capim-colonião) e
Brachiaria
spp. (braquiárias). Ainda na década de 1970, começou a ser comum também a ocorrência no Cerrado de
Pinus elliottii
(pinheiro) e
Eucalyptus
spp. (eucaliptos), usadas em
silvicultura
. Há também invasões por
Pteridium aquilinum
(samambaia-brava), uma
espécie ruderal
de ampla distribuição em todo o mundo.
[
49
]
Peculiaridades das formações abertas
[
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|
editar código
]
A conservação das formações abertas, sejam campestres ou savânicas, enfrenta uma porção de problemas peculiares, como:
a supressão total do
fogo
e do
pastejo
de baixas intensidades – as espécies das formações abertas do Cerrado são mantidas, em parte, por distúrbios ambientais muito antigos, como o fogo causado por raios ou o pastejo pela
megafauna
herbívora sul-americana, hoje extinta em grande parte. Logo, essas fitofisionomias ocorrem desde antes da presença humana e do
desflorestamento
antrópico. Assim, na conservação destes ambientes, são importantes o manejo controlado do fogo, evitando-se a supressão total de incêndios. Por outro lado, a pecuária em pastos de plantas herbáceas nativas também pode ser um fator benéfico, desde que feita em baixa densidade;
[
50
]
[
48
]
o
florestamento
, fruto de uma compreensão errônea de que essas vegetações abertas são sempre um produto da degradação antrópica da floresta;
[
48
]
a carência de estudos sobre técnicas de
restauro
do estrato herbáceo do Cerrado – a maioria dos trabalhos cobre apenas as plantas lenhosas;
[
51
]
a dificuldade de as plantas herbáceas nativas sobrepujarem a competição com as herbáceas exóticas em pastos – enquanto isso, as plantas lenhosas nativas se estabelecem mais facilmente sobre pastos de herbáceas exóticas, devido ao sombreamento que proporcionam a tais plantas, cuja fisiologia do tipo
C4
exige alta luminosidade;
[
52
]
[
48
]
a dificuldade de
mapeamento por satélite
das vegetações campestres
[
53
]
– de certa forma, mesmo
in loco
, pode ser difícil para um leigo diferenciar um campo de herbáceas nativas e um pasto de exóticas;
a falta de previsão legal para a conservação de fisionomias não florestais e o restauro com espécies herbáceas;
[
48
]
Manejo do fogo
[
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|
editar código
]
No período de estiagem, o cerrado sofre com as queimadas
Embora quase sempre apresentado como danoso aos ambientes naturais, o fogo é, no entanto, indispensável para a preservação das formações abertas (campestres e savânicas) do Cerrado.
[
54
]
[
55
]
As espécies e vegetações do Cerrado não são exatamente adaptadas ao fogo, mas sim a diferentes regimes de fogo. Frequências maiores do fogo tendem a promover a ocorrência de vegetações campestres (
campos limpos
) ou savânicas (como o
cerrado sensu stricto
), com suas plantas herbáceas e lenhosas de baixo porte, ao invés das vegetações florestais (
cerradão
), com suas plantas lenhosas de alto porte.
[
56
]
Logo, alterações no regime natural de fogo (sejam pela sua indução em frequência e intensidade muito altas, ou pela sua supressão completa), podem ter efeitos negativos para a biodiversidade no Cerrado.
[
56
]
[
57
]
[
58
]
No caso da gestão de áreas naturais adaptadas ao fogo, alguns autores defendem a promoção de uma "pirodiversidade", isto é, o manejo de áreas em mosaico com diferentes regimes de fogo controlado (mas não muito frequentes, nem ausentes), de modo a favorecer a ocorrência e a preservação de espécies e vegetações adaptadas a diferentes regimes.
[
59
]
Além disso, a queima controlada e regular elimina o acúmulo de material inflamável, e assim, evita
incêndios catastróficos
, muito intensos.
[
60
]
Florestamento
[
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|
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]
Recentemente, o uso da técnica de
florestamento
– o desenvolvimento de florestas em áreas que não eram originalmente florestadas – como estratégia de
sequestro de carbono
e de conservação de biomas florestais tem sido criticado por representar uma ameaça à conservação de biomas não florestais, como os campos e savanas do Cerrado. Uma alternativa mais adequada seria o
reflorestamento
de áreas desmatadas, onde originalmente havia presença de florestas.
[
61
]
[
62
]
Ver também
[
editar
|
editar código
]
Cerrado do Rupununi
Notas
↑
A respeito da aplicação do termo "bioma" à área fito- e biogeográfica do Cerrado, na literatura científica brasileira, em detrimento do uso internacional do termo, confira
Bioma#História do conceito
.
Referências
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