Getúlio Vargas – Wikipédia, a enciclopédia livre
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Início
1
Juventude
Alternar a subsecção Juventude
1.1
Origem
1.2
Estudos
2
Carreira política
Alternar a subsecção Carreira política
2.1
Governo Provisório (1930–1934)
2.2
Revolução Constitucionalista de 1932
2.3
O Governo Constitucionalista (1934–1937)
2.4
Intentona Comunista e Plano Cohen (1935–1936)
2.5
Estado Novo (1937–1945)
2.6
Declínio e fim da Era Vargas
3
O intervalo 1945–1950
Alternar a subsecção O intervalo 1945–1950
3.1
Getúlio senador da República e seu apoio à candidatura Dutra
3.2
Campanha presidencial de 1950
3.3
A eleição de 1950
4
Governo eleito (1951–1954)
Alternar a subsecção Governo eleito (1951–1954)
4.1
Uma administração polêmica
4.2
O atentado da Rua Tonelero
5
Morte
Alternar a subsecção Morte
5.1
Consequências imediatas
6
Legado
Alternar a subsecção Legado
6.1
Popular
6.2
Político
6.3
Econômico
6.4
Cultural
6.5
Homenagens
6.6
Academia Brasileira de Letras
7
Vida pessoal
Alternar a subsecção Vida pessoal
7.1
Religião
7.2
Perfil
8
Ver também
9
Notas e referências
Alternar a subsecção Notas e referências
9.1
Notas
9.2
Referências
10
Ligações externas
Alternar o índice
Getúlio Vargas
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Aymar aru
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Nota:
"Presidente Vargas" redireciona para este artigo. Para o município, veja
Presidente Vargas (Maranhão)
. Para outros significados, veja
Getúlio Vargas (desambiguação)
.
Getúlio Vargas
Retrato oficial, 1930
17.º
Presidente do Brasil
Período
31 de janeiro de 1951
a 24 de agosto de 1954
Vice-presidente
Café Filho
Antecessor(a)
Eurico Gaspar Dutra
Sucessor(a)
Café Filho
14.º
Presidente do Brasil
Período
3 de novembro de 1930
a 29 de outubro de 1945
Vice-presidente
Cargo vago
(1930-1934)
Cargo extinto
(1934-1945)
Antecessor(a)
Junta Governativa Provisória
Sucessor(a)
José Linhares
Senador
pelo
Rio Grande do Sul
Período
5 de fevereiro de 1946
a 31 de janeiro de 1951
13º
Presidente do Rio Grande do Sul
Período
25 de janeiro de 1928
a 9 de outubro de 1930
Vice-presidente
João Neves
Antecessor(a)
Borges de Medeiros
Sucessor(a)
Oswaldo Aranha
Ministro da Fazenda do Brasil
Período
15 de novembro de 1926
a 17 de dezembro de 1927
Presidente
Washington Luís
Antecessor(a)
Aníbal Freire da Fonseca
Sucessor(a)
Oliveira Botelho
Deputado federal
pelo
Rio Grande do Sul
Período
26 de maio de 1923
a 6 de novembro de 1926
Deputado estadual do Rio Grande do Sul
Período
20 de setembro de 1909
a 6 de outubro de 1913
Período
20 de setembro de 1917
a 26 de maio de 1923
Dados pessoais
Nome completo
Getúlio Dorneles Vargas
Nascimento
19 de abril
de
1882
São Borja
,
São Pedro do Rio Grande do Sul
,
Império do Brasil
Morte
24 de agosto
de
1954
 (72 anos)
Palácio do Catete
,
Rio de Janeiro
,
Distrito Federal
,
Brasil
Nacionalidade
brasileiro
Progenitores
Mãe:
Cândida Francisca Dorneles
Pai:
Manuel do Nascimento Vargas
Alma mater
Universidade Federal do Rio Grande do Sul
Cônjuge
Darcy Sarmanho
(1911–1954)
Filhos(as)
Lutero Vargas
Jandira Vargas
Alzira Vargas
Manuel Vargas
Getúlio Vargas Filho
Partido
PRR
(1909–1930)
[
nota 1
]
Sem partido
(1930-1945)
PTB
(1945–1954)
Religião
Agnosticismo
(nenhuma)
[
1
]
Profissão
político
advogado
militar
Assinatura
Serviço militar
Lealdade
Brasil
Serviço/ramo
Exército Brasileiro
Anos de serviço
1898–1903
Graduação
2º Sargento
Unidade
6º Batalhão de Infantaria
25º Batalhão de Infantaria
Getúlio Dorneles Vargas
[
a
]
GCTE
•
GCA
(
São Borja
,
19 de abril
de
1882
–
Rio de Janeiro
,
24 de agosto
de
1954
)
[
5
]
foi um
militar
,
advogado
e
político
brasileiro
.
[
6
]
Foi o
presidente do Brasil
de 1930 até 1945, durante a
Era Vargas
, e, posteriormente, de 1951 até o seu
suicídio
em 1954.
Liderou a
Revolução de 1930
, depondo o 13.º e último presidente da
Primeira República Brasileira
,
Washington Luís
, e impedindo a posse do presidente eleito em 1.º de março de 1930,
Júlio Prestes
. Após isso, foi chefe do
governo provisório
de 1930 a 1934, período em que lidou com a
Revolução Constitucionalista de 1932
. Em 1934, foi eleito presidente da república do
governo constitucional
pela
Assembleia Nacional Constituinte
. Em 1937, aplicou um
golpe de Estado
e instaurou o
Estado Novo
, presidindo o país como
ditador
até o ano de 1945, quando foi deposto.
[
7
]
Em 1951, voltou a presidir o Brasil após ter sido
eleito
por
voto direto
. Devido a pressões políticas,
cometeu suicídio no dia 24 de agosto de 1954
, com o disparo de um revólver calibre 32 no
coração
.
[
7
]
A morte de Vargas foi em seu próprio quarto, no
Palácio do Catete
, na cidade do
Rio de Janeiro
, então capital federal.
Getúlio era chamado por seus simpatizantes de "
pai dos pobres
", por conta da legislação trabalhista e de políticas sociais adotadas sob seus governos. A sua
doutrina
e seu estilo político foram denominados de "getulismo" ou "varguismo", cuja uma das bases era o desenvolvimento nacional a partir de uma política de
colaboração de classes
.
[
8
]
Os seus seguidores, até hoje existentes, são denominados "getulistas". As pessoas próximas o tratavam por "Doutor Getúlio", e as pessoas do povo se referiam a ele como "Getúlio". Até os dias de hoje, foi o único presidente que chegou ao poder por forma
indireta
e
direta
. Também foi o presidente que mais tempo permaneceu no cargo na história do Brasil.
[
9
]
Sua influência se estende até hoje, visto que muitas das instituições políticas, econômicas e sociais que criou, sob o comando direto da administração do Estado ou mediante regulação estatal, a exemplo da
Vale
, da
Petrobás
e da
CLT
, continuam a existir e operar em inúmeras áreas. Seu nome foi inscrito no
Livro dos Heróis da Pátria
, em 15 de setembro de 2010, pela lei nº 12 326.
[
10
]
Juventude
Origem
Pais de Getúlio Vargas: Cândida Francisca e o General Manuel Vargas
Getúlio Vargas nasceu em 19 de abril de 1882, no interior do
Rio Grande do Sul
, no município de
São Borja
(fronteira com a
Argentina
), filho de
Manuel do Nascimento Vargas
e de Cândida Francisca Dornelles Vargas. Na juventude, alterou alguns documentos, para fazer constar o ano de nascimento como 1883. Este fato somente foi descoberto nas comemorações do centenário de nascimento, quando, verificando-se os livros de registros de
batismos
da
Paróquia
de São Francisco de Borja, descobriu-se que Getúlio nasceu em 1882, constando no seu assento de batismo.
[
b
]
A
Revista do Globo
, que fez uma série de entrevistas com Getúlio, em 1950, antes da campanha eleitoral, contou que Getúlio corrigiu os repórteres dizendo que nasceu em 1883.
[
12
]
Vargas provinha de uma família de
estancieiros
[
13
]
da
zona rural
da fronteira com a Argentina. A maior parte dos antepassados de Getúlio foram colonos portugueses do arquipélago dos
Açores
que emigraram para o Rio Grande do Sul, em meados do
século XVIII
.
[
14
]
Vargas também descendia dos primeiros povoadores de São Paulo. Era descendente de
Amador Bueno
, personagem de destaque na história de
São Paulo
e patriarca de muitas famílias brasileiras, não apenas de São Paulo, mas também de
Minas Gerais
,
Goiás
e do
Sul do Brasil
.
[
15
]
Uma vez na presidência, vários pesquisadores quiseram encontrar alguma origem
nobre
na sua
árvore genealógica
, mas Getúlio Vargas demonstrou falta de interesse no assunto. Na ocasião, Vargas disse: "Nesta matéria de genealogia é melhor não aprofundar muito, porque às vezes pode-se ter a surpresa de acabar no mato (índios) ou na cozinha (negros)".
[
16
]
De fato, Vargas descendia remotamente de indígenas do século XVI, dentre os quais do
cacique
Piquerobi
, líder
tupiniquim
. Uma genealogia detalhada de Getúlio Vargas foi escrita pelo genealogista Aurélio Porto,
Getúlio Vargas à luz da Genealogia
, publicada pelo Instituto Genealógico Brasileiro em 1943.
[
17
]
Getúlio Vargas aos doze anos, por volta de 1894
Getúlio durante sua vida, sempre se manteve ligado à principal atividade econômica dos
pampas
, a
pecuária
, e, assim iniciou seu discurso, em
Uberaba
, durante a campanha presidencial de 1950: "Quero que saibam que lhes vou dizer as coisas na linguagem simples de companheiro! Nossa conversa será no jeito e estilo daqueles que os fazendeiros costumam fazer de pé, junto à porteira do curral". Getúlio possuía, em 1950, três estâncias: Itu e Espinilho, em
Itaqui
, e a estância Santos Reis, em São Borja.
[
18
]
O líder político gaúcho
Pinheiro Machado
foi um dos primeiros a perceber que Getúlio tinha aptidão para a política. Estudou em
São Borja
, depois em
Ouro Preto
e por último em
Minas Gerais
. Quando Getúlio estudou em Ouro Preto, ele e seus irmãos se envolveram numa briga que terminou com a morte do estudante paulistano Carlos de Almeida Prado Júnior em 7 de junho de 1897.
[
19
]
O acontecimento precipitou a volta de Getúlio e de seus irmãos para o Rio Grande do Sul.
[
20
]
Voltando ao Rio Grande do Sul, inicialmente tentou a carreira militar, tornando-se, em 1898, soldado na guarnição de seu município natal. Soldado, com apenas 16 anos, já que nascera em 1882, constatou a citada "Revista do Globo", em 1950.
[
21
]
Estudos
Em 1900, matriculou-se na Escola Preparatória e de Tática de
Rio Pardo
, onde não permaneceu por dois anos. Em 1902 deixou a escola, solidarizando-se a alguns colegas que haviam sido expulsos por um incidente disciplinar.
[
22
]
[
23
]
Foi transferido para
Porto Alegre
, a fim de terminar o
serviço militar
, onde conheceu os
cadetes
da
Escola Militar de Porto Alegre
Eurico Gaspar Dutra
e
Pedro Aurélio de Góis Monteiro
. Com a
patente
de
sargento
, Getúlio participou da Coluna Expedicionária do Sul, que se deslocou para
Corumbá
, em 1902, durante a disputa entre a
Bolívia
e o Brasil pela posse do
Acre
.
[
21
]
Sua passagem pelo
Exército Brasileiro
e a origem militar (seu pai lutou na
Guerra do Paraguai
) seriam decisivos na formação de sua compreensão dos problemas das
forças armadas
, e no seu empenho em modernizá-las, reequipá-las, mantê-las disciplinadas e afastá-las da política, quando chegou à presidência da república.
[
22
]
Em 1904, Getúlio matriculou-se na
Faculdade Livre de Direito de Porto Alegre
, atual
UFRGS
. Em 1907, o
Partido Federalista
lançou uma grande campanha contra o domínio do
Partido Republicano Rio-grandense
(PRR), lançando às eleições de novembro para o governo do estado, a candidatura de Fernando Abbot, um dissidente republicano.
Borges de Medeiros
, então governador pela segunda vez consecutiva, não concorreu à reeleição, indicando a candidatura de
Carlos Barbosa Gonçalves
. Naquele ano, Vargas fundou o Bloco Acadêmico Castilhista com seus colegas de faculdade
João Neves da Fontoura
,
Firmino Paim Filho
,
Maurício Cardoso
e vários outros estudantes, em apoio à candidatura republicana. Como membro dessa organização, militou pelo partido na eleição daquele ano,
[
22
]
quando também bacharelou-se em
direito
.
[
23
]
Trabalhou inicialmente como
promotor público
junto ao
fórum
de Porto Alegre, mas decidiu retornar à sua cidade natal para exercer a advocacia. A orientação filosófica, como muitos de seu estado e de sua época, era o
positivismo
e o
castilhismo
, a
doutrina
e o estilo político de
Júlio Prates de Castilhos
.
[
12
]
Coube a Getúlio, que se destacara como orador, fazer o discurso, em 1903, nos funerais de Júlio de Castilhos. Na Juventude Castilhista fez amizade com vários jovens da
elite
do estado, que se destacariam na revolução de 1930, entre eles
João Neves da Fontoura
e
Maurício Cardoso
.
[
12
]
Carreira política
Ver artigo principal:
Era Vargas
Getúlio formando-se em
direito
, ano de 1907
Este artigo faz parte
de uma série sobre
Getúlio Vargas
Pessoal e política
Partido Republicano Rio-Grandense
Castilhismo
Aliança Liberal
Trabalhismo brasileiro
Academia Brasileira de Letras
Retrato do Velho
Morte
Carta-testamento
14.º
Presidente do Brasil
Presidência
Revolução de 1930
Posse em 1930
Revolução Constitucionalista de 1932
Constituição brasileira de 1934
Intentona Comunista
Tribunal de Segurança Nacional
Plano Cohen
Golpe de Estado em 1937
Constituição brasileira de 1937
Levante Integralista
Marcha para o Oeste
Campanha de nacionalização
Política de boa vizinhança
Segunda Guerra Mundial
A cobra vai fumar
Acordos de Washington
Conferência do Potengi
SEMTA
Soldados da Borracha
FEB
Campanha da Itália
Batalha de Monte Castello
Batalha de Fornovo di Taro
Batalha de Montese
Batalha do Atlântico
Navios brasileiros atacados
DIP
CNP
DASP
Manifesto dos Mineiros
Deposição de Vargas
17.º Presidente do Brasil
Presidência
Posse em 1951
Instituto Brasileiro do Café
Lei Federal do Brasil 2004 de 1953
O petróleo é nosso
!
Processo de
impeachment
Atentado da rua Tonelero
Legado
Banrisul
CSN
Justiça Eleitoral
A Voz do Brasil
Companhia Siderúrgica Belgo-Mineira
CLT
Carteira de trabalho
Petrobras
CVRD
BNDE
Banco do Nordeste
FNM
Eleições presidenciais
1930
1934
1945
1950
v
d
e
Em 1909, elegeu-se deputado estadual pelo
Partido Republicano Riograndense
, o PRR, sendo reeleito em 1913. Renunciou ao 2º mandato de deputado estadual, pouco tempo depois de empossado, em protesto às atitudes tomadas pelo então presidente (cargo hoje intitulado
governador
) do Rio Grande do Sul,
Borges de Medeiros
, o "velho Borges", nas eleições de
Cachoeira do Sul
.
[
12
]
Retornou à
Assembleia Legislativa
estadual, chamada, na época, Assembleia dos Representantes, em 1917, sendo novamente reeleito em 1919 e 1921. Na legislatura de 1922 a 1924, Getúlio foi líder do PRR na Assembleia dos Representantes, e, segundo o suplemento especial da
Revista do Globo
de agosto de 1950, na condição de líder da maioria, Getúlio se mostrou conciliador e dirimiu conflitos do PRR com a minoria do
Partido Federalista do Rio Grande do Sul
, o qual, em 1928, tornou-se o
Partido Libertador
.
[
21
]
Em 1940, em uma conferência sobre a política externa do Brasil sob o governo de Getúlio, o ministro José Roberto de Macedo Soares relata que a atuação de Getúlio como deputado estadual foi fundamental para a concretização do Tratado Brasil-Uruguai, definindo as fronteiras entre os dois países. Macedo Soares lê o telegrama de agradecimento do
Barão do Rio Branco
a Getúlio e outros deputados gaúchos e diz:
Certo é que o deputado estadual, sr. Getúlio Vargas, prestou valioso apoio ao Barão do Rio Branco quando pronunciou o discurso de 9 de outubro de 1909 em prol do Tratado Brasil-Uruguai, para modificar suas fronteiras, e do qual resultou a concessão feita, espontaneamente por nosso país, à República Oriental, do condomínio da Lagoa Mirim e do Rio Jaguarão, estabelecendo princípios gerais para o comércio e navegação nestas paragens.
— 
José Roberto de Macedo Soares.
[
24
]
Quando se preparava para combater a favor do governo do Estado do Rio Grande do Sul na
revolução de 1923
, no interior do estado, foi chamado para concorrer a uma cadeira de
deputado federal
, pelo
Partido Republicano Riograndense
(PRR), na vaga aberta pelo falecimento do deputado federal gaúcho Rafael Cabeda.
[
25
]
Eleito, tornou-se líder da bancada gaúcha na
Câmara dos Deputados
, no
Rio de Janeiro
. Completou o mandato de Rafael Cabeda em 1923, e foi eleito deputado federal na legislatura de 1924 a 1926, sendo líder da bancada gaúcha na
Câmara dos Deputados
neste período. Em 1924, apoiou o envio de tropas gaúchas ao Estado de São Paulo, em apoio ao governo de
Artur Bernardes
contra a
Revolta Paulista de 1924
, e, em um discurso na Câmara dos Deputados, criticou os revoltosos, alegando que: "Já passou a época dos motins de quartéis e das empreitadas caudilhescas, venham de onde vierem!". Porém, coube a Getúlio, em 1930, conceder
anistia
a todos os envolvidos em movimentos revolucionários da
década de 1920
.
[
26
]
Getúlio (o primeiro à esquerda, na fileira do meio) é empossado ministro da Fazenda no governo de
Washington Luís
, em 1926.
Assumiu o
ministério da Fazenda
em 15 de novembro de 1926, permanecendo ministro da fazenda até 17 de dezembro de 1927, durante o
Governo Washington Luís
, implantando neste período a reforma monetária e cambial do presidente da república, através do "decreto nº 5 108",
[
27
]
de 18 de dezembro de 1926. Washington Luís escolhera líderes de bancadas estaduais para serem seus ministros.
[
12
]
Em dezembro de 1926, foi criado o Instituto de Previdência dos Funcionários Públicos da União. Deixou o cargo de ministro da fazenda, em 17 de dezembro de 1927, para candidatar-se às eleições para presidente do Rio Grande do Sul, sendo eleito, em dezembro de 1927, para o mandato de 25 de janeiro de 1928 a 25 de janeiro de 1933, tendo como seu vice-presidente
João Neves da Fontoura
.
[
12
]
Quando Getúlio deixou o ministério, o presidente Washington Luís proferiu um longo discurso, elogiando a competência e dedicação ao trabalho de Getúlio Vargas, no qual dizia: "A honestidade de vossos propósitos, a probidade de vossa conduta, a retidão de vossos desígnios, fazem esperar que, de vossa parte e de vosso governo, o Rio Grande do Sul continuará a prosperar, moral, intelectual e materialmente".
[
28
]
Cartaz de campanha de Getúlio Vargas para Presidente da República na
eleição de 1930
.
Sua eleição para presidente do Rio Grande do Sul encerrou os longos trinta anos de governo de
Borges de Medeiros
no Rio Grande do Sul. Tendo assumido o governo gaúcho em 25 de janeiro de 1928, exercendo, porém, o mandato somente até 9 de outubro de 1930. Glauco Carneiro, no livro
Lusardo, o Último Caudilho
, avalia assim o fim da "Era Borges de Medeiros" e a vitória de Getúlio, como candidato da conciliação entre PRR e Partido Libertador: "Elegia-se, Getúlio Vargas, como candidato da 'conciliação', presidente do Rio Grande do Sul. Em 25 de janeiro de 1928, ao completar trinta anos de domínio do sistema governamental gaúcho, Borges de Medeiros passava o cargo e encerrava sua carreira de ditador da política republicana".
[
29
]
E neste livro
Lusardo, o Último Caudilho
, volume I,
João Batista Luzardo
assim descreve o governo de Getúlio no Rio Grande do Sul:
Quando assumiu a presidência do Estado (Getúlio) botou todo o pessoal da administração, da polícia, tudo para fora, porque – só para dar um exemplo – polícia aqui só dava bandido. Os capangas do Flores (da Cunha), os mais inocentes, tinham duas mortes nas costas. ... Bem, o finado Getúlio botou todos para fora, e empregou gente, sem se importar se era
blanco
(PRR) ou colorado (Partido Libertador), desde que fosse competente. Foi aí que o povo obteve mais liberdade sem distinção de partido. Aí os coronéis
blancos
desapareceram, quem não foi preso morreu de desgosto, e o banditismo que reinava foi desaparecendo, mas a situação foi se apaziguar mesmo em 1930, quando os dois partidos se juntaram para marchar contra o governo federal.
— 
Batista Luzardo.
[
29
]
Título de eleitor
de Getúlio Vargas.
Durante este mandato, quando se candidatou à presidência da República, Getúlio iniciou um forte movimento de oposição ao governo federal, exigindo o fim da corrupção eleitoral, a adoção do
voto secreto
e do
voto feminino
. Getúlio, porém, manteve bom relacionamento com o presidente Washington Luís, obtendo verbas federais para o Rio Grande do Sul e a autorização para melhoramentos no
porto
de
Pelotas
. Criou o
Banco do Estado do Rio Grande do Sul
e apoiou a criação da
VARIG
(Viação Aérea Riograndense). Respeitou também a vitória da oposição gaúcha, o
Partido Libertador
, em vários municípios do estado.
[
30
]
O seu governo no Rio Grande do Sul foi elogiado por
Assis Chateaubriand
, o principal jornalista da época, da revista
O Cruzeiro
, que afirmou que seu governo era um governo de estadista, despertando a atenção do país. Quando presidente do estado, continuou a se destacar como conciliador, conseguindo unir os partidos políticos do Rio Grande do Sul, o PRR e o Partido Libertador, antes fortemente divididos. Getúlio foi candidato único a presidente do Rio Grande do Sul, tendo sido apoiado pelo PRR e pelo Partido Libertador.
[
22
]
Governo Provisório (1930–1934)
Ver artigo principal:
Revolução de 1930
Getúlio Vargas após a
revolução de 1930
, que iniciou a Era Vargas.
A
eleição para a presidência da república
foi realizada no dia 1 de março de 1930, vencida por
Júlio Prestes
, com 1 091 709 votos contra 742 797 dados a Getúlio. Além de Getúlio Vargas e Júlio Prestes, o
Bloco Operário e Camponês
, concorreu também o operário
Minervino de Oliveira
, pelo
Partido Comunista do Brasil
(PCB), que obteve pequena votação. O pleito, como era praxe durante a chamada "República Velha", foi alvo de acusações de fraudes de ambos os lados.
[
5
]
A
Aliança Liberal
, coligação entre os partidos
PRM
,
PL
e
PRR
,
[
31
]
acusou o pleito de fraude.
Borges de Medeiros
reconheceu a vitória de
Júlio Prestes
, alegando que fraude houve de ambos os lados: "Fraude houve de norte a sul, inclusive aqui mesmo".
[
32
]
Getúlio obteve 90% dos votos do Rio Grande do Sul. O assassinato de
João Pessoa
, que era governador da Paraíba e um líder da facção da Aliança Liberal (dissolvida após a derrota eleitoral de seus candidatos nas eleições presidenciais), ele foi um dos fatores que contribuíram para a crescente instabilidade política do país na época, não sendo o único ou o principal motivo da Revolução de 1930.
[
33
]
[
34
]
Vargas chegou ao poder através de um golpe de Estado, que depôs o presidente
Washington Luís
e impediu a posse do presidente eleito
Júlio Prestes
. Ele se tornou chefe do governo provisório e, em seguida, presidente constitucional em 1934. Durante o seu governo, Vargas implementou uma série de medidas que visavam modernizar o país e fortalecer o Estado centralizado. Entre essas medidas, destacam-se a criação do Ministério do Trabalho, Indústria e Comércio, em 1930, e do Ministério da Educação e Saúde, em 1931. Além disso, Vargas nomeou interventores federais para governar os estados, que passaram a perder grande parte da sua autonomia política em relação ao governo federal. No entanto, a caracterização de Vargas como um ditador com poderes quase ilimitados é simplificada e não leva em conta a complexidade da política brasileira na época. Vargas teve que lidar com oposições internas e externas, com movimentos sociais e com crises econômicas e políticas ao longo do seu governo, que durou até 1945.
[
33
]
[
34
]
Em 1930 no meio de uma crise econômica e política que afetou principalmente as regiões produtoras de café. Para tentar estabilizar o preço do café, que havia caído drasticamente no mercado internacional, Vargas manteve a Política de Valorização do Café (PVC), que havia sido implementada pelo governo anterior. Além disso, Vargas criou o Conselho Nacional do Café em 1931, com o objetivo de planejar a produção, controlar a qualidade e incentivar o consumo do café. Em 1938, foi criado o Instituto do Cacau, com funções semelhantes em relação ao cacau. Embora essas medidas tenham sido importantes para o setor cafeeiro e para a economia do país como um todo, elas não foram adotadas apenas para atender às demandas das oligarquias cafeeiras. Vargas tinha uma visão nacionalista e desenvolvimentista para o país, que incluía a modernização da agricultura e a diversificação da economia.
[
33
]
[
34
]
Getúlio Vargas também é creditado, nesta época, pela Lei da Sindicalização, que vinculava os sindicatos brasileiros indiretamente — por meio da câmara dos deputados — ao Presidente.
[
35
]
Durante o período em que esteve no poder, Vargas buscou estabelecer uma relação direta com a população, através de uma política populista que valorizava a figura do líder carismático e buscava atender às demandas dos trabalhadores e das camadas mais pobres da sociedade. Nesse contexto, foram criadas diversas leis e instituições voltadas para a proteção dos direitos trabalhistas, como o Ministério do Trabalho, Indústria e Comércio, o Conselho Nacional do Trabalho e a
Justiça do Trabalho
. A CLT, porém, foi a principal realização de Vargas nesse campo. Aprovada em 1943, ela unificou a legislação trabalhista existente e estabeleceu novas normas e direitos para os trabalhadores, como a jornada de trabalho de 8 horas diárias, o descanso semanal remunerado, o salário mínimo, o direito à sindicalização e à greve, entre outros. Em resumo, a política populista de Vargas e as mudanças na legislação trabalhista durante o período tiveram um impacto significativo na história social e política do Brasil, e suas consequências ainda são sentidas até hoje.
[
33
]
[
36
]
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37
]
Revolução Constitucionalista de 1932
Ver artigo principal:
Revolução Constitucionalista de 1932
Em 1931, Getúlio Vargas derruba a Constituição brasileira, reunindo enormes poderes no Brasil. Isso despertou a indignação dos opositores, principalmente as
oligarquias
cafeeiras e a classe média paulista, que estavam desgostosos com o governo getulista. A perda de autonomia estadual, com a nomeação de interventores, desagradou ainda mais. Por mais que Getúlio tenha percebido o erro e tentado nomear um interventor oligarca paulista, estes já arquitetavam uma revolta armada, a fim de defender a criação de uma nova Constituição.
Quando quatro jovens estudantes paulistanos (
Martins, Miragaia, Dráusio e Camargo
) são assassinados no dia 23 de maio de 1932, diversos setores da sociedade paulista se mobilizam com o evento, e toda a sociedade passa a apoiar a causa constitucional. No dia 9 de julho do mesmo ano, a
Revolução Constitucionalista de 1932
, explode pelo estado. Os paulistas contavam com apoio de tropas de diversos estados, como Rio de Janeiro, Minas e Rio Grande do Sul, mas Getúlio Vargas foi mais rápido e conseguiu reter esta aliança, isolando São Paulo. Sem qualquer apoio, os flancos paulistas ficaram vulneráveis, e o plano de rápida conquista do Rio de Janeiro transformou-se em uma tentativa desesperada de defender o território estadual.
[
22
]
Os paulistas, chefiados por
Isidoro Dias Lopes
, permaneceram isolados, sem adesão das demais unidades da federação, excetuando um pequeno contingente militar vindo do
Mato Grosso
, sob o comando do general
Bertoldo Klinger
. É importante destacar que o movimento teve o apoio de amplos setores da sociedade paulista, incluindo trabalhadores, estudantes e intelectuais. O
Partido Republicano Paulista
PRP exerceu um papel importante na organização do movimento. A revolta era contra o governo de Vargas, que era visto como uma ameaça à autonomia estadual e à democracia.
[
38
]
[
39
]
[
33
]
De acordo com o historiador Boris Fausto, em seu livro "História do Brasil", Vargas enfrentou resistência dos militares ao lidar com a
Revolução Constitucionalista
, mas conseguiu contê-la com a ajuda de tropas leais e da
Força Pública de São Paulo
. Fausto destaca que a repressão ao movimento rebelde gerou grande comoção popular, mas Vargas se consolidou politicamente como líder do país. Outros autores, como Maria Helena Capelato em "São Paulo e a Federação, 1891-1937", apontam que a relação entre Vargas e os tenentes foi complexa e não se resumiu a uma ruptura unilateral do presidente com o grupo. Capelato destaca que alguns tenentes apoiaram a repressão à Revolução de 1932 e que Vargas, por sua vez, buscou se aproximar de setores militares que eram críticos aos tenentes.
[
12
]
Sem saída, o estado se rende em 28 de setembro.
[
22
]
Mesmo com a vitória militar, Getúlio Vargas atende alguns pedidos dos republicanos e aprova a
Constituição de 1934
.
O Governo Constitucionalista (1934–1937)
A 18 de novembro de 1933 foi agraciado com a Grã-Cruz da
Ordem Militar da Torre e Espada, do Valor, Lealdade e Mérito
de
Portugal
.
[
40
]
Ainda no mesmo ano, ele fez a auditoria da dívida externa brasileira, que foi mais tarde acordada em 1943 com os credores uma redução dela em 60%.
[
41
]
Getúlio Vargas convoca a Assembleia em 1933, que, em 16 de julho de 1934, promulga a
nova Constituição
, trazendo novidades como o voto secreto, o ensino primário obrigatório, o voto feminino e diversas leis trabalhistas. O voto secreto significou o fim do voto aberto preponderante na República Velha, quando os coronéis tinham a oportunidade de controlar os votos. A nova Constituição estabeleceu também que, após sua promulgação, o primeiro presidente seria eleito de forma indireta pelos membros da Assembleia Constituinte. No dia seguinte à promulgação, foi realizada a
eleição presidencial
, na qual Vargas saiu vitorioso.
[
42
]
[
43
]
[
44
]
Nessa mesma época, duas vertentes políticas começaram a influenciar a sociedade brasileira. De um lado, a direita fundava a
Ação Integralista Brasileira
(AIB), defensores de um Estado
corporativista
, inspirado no
fascismo
. Do outro, crescia a força de
esquerda
da
Aliança Nacional Libertadora
(ANL), patrocinada pelo regime comunista da
União Soviética
.
[
42
]
[
43
]
[
44
]
Estes movimentos políticos possuíam caráter nacional, diferentemente dos partidos dominantes durante a República Velha, que geralmente representavam o seu estado (São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro…). Essa tendência persiste até hoje.
[
42
]
[
43
]
[
44
]
Em 27 de novembro de 1937 foi realizada a queima das bandeiras estaduais por Getúlio Vargas como um símbolo contra o
sentimento regionalista
do país.
[
45
]
Intentona Comunista e Plano Cohen (1935–1936)
Ver artigo principal:
Ameaça comunista no Brasil
Getúlio Vargas e
Franklin Roosevelt
no
Rio de Janeiro
, em 1936.
Getúlio Vargas e o alto comando das Forças Armadas sempre se mostraram contra o comunismo, e usaram este pretexto para o seu maior sucesso político — o golpe de 1937. O PCB, que surgiu em 1922, havia criado a Aliança Nacional Libertadora, mas Getúlio Vargas a declarou ilegal, e a fechou. Assim, em 1935, a ANL (com o apoio da
Internacional Comunista
Comintern) montou a
Intentona Comunista
, uma revolta contra Getúlio Vargas, mas que este facilmente conteve. Em 1937, os integralistas forjaram o "
Plano Cohen
", sobre o qual se dizia que os comunistas planejavam uma revolução maior e melhor arquitetada do que a de 1935, e teria o amplo apoio do Partido Comunista da União Soviética. Os militares e boa parte da classe média brasileira, assim, apoiaram a ideia de um governo mais fortalecido para afastar a ideia da imposição de um governo comunista no Brasil. Com o apoio militar e popular, Getúlio Vargas derruba a
Constituição de 1934
e declara o
Estado Novo
.
[
22
]
Estado Novo (1937–1945)
Ver artigos principais:
Golpe de Estado no Brasil em 1937
e
Estado Novo (Brasil)
Ver também:
Brasil na Segunda Guerra Mundial
Propaganda do
Estado Novo
, mostrando Getúlio Vargas ao lado de
crianças
, símbolos do futuro do Brasil.
Carmen Miranda
foi um símbolo da "
Política da Boa Vizinhança
", que consistia em ampliar os laços entre os
Estados Unidos
e a
América Latina
.
Discurso de Getúlio Vargas no Dia do Trabalho, em 1 de maio de 1940
A
Constituição brasileira de 1937
, que criou o "Estado Novo" getulista, tinha caráter centralizador e autoritário (
Ver:
Ditadura constitucional
). Ela suprimiu a liberdade partidária, a independência entre os três poderes e o próprio federalismo existente no país. Vargas fechou o
Congresso Nacional
e criou o
Tribunal de Segurança Nacional
. Os prefeitos passaram a ser nomeados pelos governadores e esses, por sua vez, pelo presidente. Foi criado o
DIP
(Departamento de Imprensa e Propaganda), com o intuito de projetar Getúlio Vargas como o "
Pai dos Pobres
" e o "Salvador da Pátria". O governo iniciou uma expansão econômica para os territórios indígenas
guarani-Kaiowás
, os confinando em reservas indígenas.
[
46
]
A 6 de agosto de 1941 foi agraciado com a Grã-Cruz da
Ordem Militar de Avis
de
Portugal
.
[
40
]
Durante a
Segunda Guerra Mundial
, ao longo do ano de 1942, as marinhas da
Alemanha Nazista
e
Itália Fascista
estenderam a guerra submarina às águas do
Atlântico Sul
, atacando os navios de bandeiras de todos os países que haviam ratificado o compromisso da
Carta do Atlântico
, compromisso esse que era de se alinhar automaticamente com qualquer país do continente americano que viesse a ser atacado por um país de fora do continente. Isto implicou o alinhamento com os
Estados Unidos
, desde que estes foram atacados pelos japoneses em
Pearl Harbor
. Dias depois tiveram declarações de guerra enviada a eles pela Alemanha e Itália. A
espionagem nazista no Brasil
, baseada em
São Paulo
, foi intensa durante o conflito.
[
47
]
Vários navios mercantes brasileiros foram afundados no Atlântico em 1942, por submarinos alemães, não apenas no Atlântico Sul. Devido ao alarde dos casos pela imprensa, a população brasileira saiu às ruas para exigir que o governo, frente à agressão, reagisse com a
declaração de guerra
.
[
48
]
Os Estados Unidos tinham planos para invadir o
nordeste
(o
Plan Rubber
),
[
49
]
caso o governo Vargas insistisse em manter o Brasil neutro.
[
50
]
[
51
]
Mesmo com a atitude passiva do ponto de vista diplomático, com o governo brasileiro ainda se mantendo oficialmente na neutralidade, o estado de guerra se mostrou irreversível quando, a partir de maio daquele ano, aviões da
FAB
passaram a atacar qualquer submarino alemão e italiano que fosse avistado.
[
52
]
Apenas entre os dias 15 e 21 de agosto de 1942, cinco navios brasileiros —
Baependi
,
Aníbal Benévolo
,
Araraquara
,
Itagiba
e
Arará
foram torpedeados na costa nordestina (Sergipe e Bahia).
[
22
]
No final daquele mês, o Brasil se uniu formalmente aos aliados, declarando guerra à Alemanha e Itália.
[
53
]
Recepção a Getúlio Vargas no
Recife
em 19 de outubro de 1940.
Neste período, Vargas também assinou o
Tratado de Washington
com o presidente
norte-americano
Roosevelt
, garantindo a produção de 45 mil toneladas de
látex
para as
forças aliadas
, o que impulsionou o
segundo ciclo da borracha
, trazendo progresso para a região da
Amazônia
e também
colonização
, uma vez que só do
nordeste
do Brasil foram para a Amazônia 54 mil trabalhadores, a maioria do
Ceará
. Em meio a incentivos econômicos e pressão diplomática, os americanos instalaram bases aeronavais ao longo da costa norte-nordeste brasileira, sendo a base militar no município de
Parnamirim
, vizinho à capital
Natal
, no estado do
Rio Grande do Norte
, a principal dentre estas do ponto de vista militar, embora
Recife
tenha sido escolhida como sede do comando aliado no Atlântico Sul.
[
54
]
A participação do Brasil na guerra e a forma como a mesma se desenrolou, com o envio de uma força expedicionária ao teatro de operações do
Mediterrâneo
, acabou por ter um peso significativo para o fim do regime do Estado Novo.
[
55
]
Declínio e fim da Era Vargas
Ver artigo principal:
Deposição de Vargas
Ver também:
Manifesto dos Mineiros
O Manifesto dos Mineiros foi um documento de 1943 que marcou o início da oposição aberta ao Estado Novo, criticando abertamente o regime ditatorial daquele período. Assinado por políticos, intelectuais e empresários de Minas Gerais, exigia a redemocratização e era passado, clandestinamente, de mão em mão.
[
56
]
No dia 29 de outubro de 1945, Getúlio Vargas, como o próprio ressalta em sua carta-testamento, renunciou ante a iminência de ser deposto por um golpe militar, sendo conduzido ao exílio na sua cidade natal,
São Borja
. No dia 2 de dezembro do mesmo ano, foram realizadas eleições livres para o parlamento e presidência, nas quais Getúlio seria eleito senador pela maior votação da época.
[
57
]
Era o fim da Era Vargas, mas não o fim de Getúlio Vargas, que em 1951 retornaria à presidência pelo voto popular.
[
58
]
O intervalo 1945–1950
Getúlio senador da República e seu apoio à candidatura Dutra
A efígie de Getúlio figurava as moedas de 100 e 300
réis
(até 1942), e posteriormente a de 50
centavos
de
cruzeiro
(até 1946). Também estampou a cédula de 10 cruzeiros.
Getúlio foi afastado do poder sem sofrer nenhuma punição, nem mesmo o
exílio
, como o que ele próprio impusera ao presidente
Washington Luís
ao depô-lo. Getúlio não teve os seus
direitos políticos
cassados e não respondeu a qualquer
processo judicial
. Getúlio Vargas retirou-se para sua estância em
São Borja
, a Estância Santos Reis, no Rio Grande do Sul. Getúlio apoiou a candidatura do general
Eurico Gaspar Dutra
, o ex-ministro da
Guerra
(hoje Comando do Exército) durante todo o Estado Novo, à presidência da República. O apoio a Dutra era uma das condições negociadas para que Getúlio não fosse exilado.
[
22
]
Serviu de lema para a campanha eleitoral de Dutra, uma frase de
Hugo Borghi
, publicada em jornais e panfletos, logo após
Hugo Borghi
voltar de São Borja, no dia 24 de novembro de 1945, e ter conseguido o apoio de Getúlio à candidatura de Eurico Dutra: "Ele disse: vote em Dutra". Getúlio não aceitava apoiar Dutra pois considerava Dutra um traidor que tinha apoiado o golpe de 29 de outubro, porém,
Hugo Borghi
fez Getúlio mudar de ideia, afirmando que, se a UDN ganhasse, elegendo
Eduardo Gomes
presidente da república, haveria um desmanche das realizações do Estado Novo e uma possível retaliação a Getúlio. Em 28 de novembro de 1945, Getúlio lança uma "Mensagem ao Povo" pedindo voto a Dutra.
[
59
]
Nesta mensagem Getúlio diz: "Estarei ao vosso lado e acompanhar-vos-ei até a vitória. Após esta, estarei ainda ao lado do povo contra o Presidente, se não forem cumpridas as promessas do candidato".
[
59
]
Dutra venceu a eleição, derrotando
Eduardo Gomes
. Uma frase de Eduardo Gomes, pronunciada no
Teatro Municipal do Rio de Janeiro
, em 19 de novembro, criticando Getúlio, lhe tirou muitos votos: "Não necessito dos votos dessa malta de desocupados que apoia o ditador para eleger-me presidente da república".
[
60
]
O empresário Hugo Borghi fez uma campanha intensa nas rádios, lançou panfletos e broches, afirmando que Eduardo Gomes tinha dito: "Não preciso dos votos dos marmiteiros".
[
60
]
Na formação da
Assembleia Nacional Constituinte de 1946
, Getúlio Vargas foi eleito senador por dois estados: Rio Grande do Sul pelo
Partido Social Democrático
(PSD), e por São Paulo, pelo
Partido Trabalhista Brasileiro
(PTB), legenda que ajudara a criar, e pela qual foi também eleito representante à Câmara dos Deputados por seis estados (Rio Grande do Sul, São Paulo, Paraná, Minas Gerais, Bahia e Rio de Janeiro) e pelo Distrito Federal.
[
22
]
Sobre a avaliação de seu governo de 1930 a 1945, Getúlio declarou, em entrevista coletiva à imprensa do Rio de Janeiro, em 4 de dezembro de 1946: "Após o 29 de outubro, (dia em que foi deposto), retirei-me para uma fazenda no interior do Rio Grande do Sul. Não me apresentei candidato a qualquer cargo eletivo…. Por um movimento espontâneo do povo, recebi cerca de um milhão e meio de votos em todo o Brasil".
[
59
]
E sobre ser julgado pela história e por seus contemporâneos, disse, em um discurso pronunciado no Senado Federal, em 13 de dezembro de 1946: "A poucos homens é dada a suprema ventura de um julgamento da opinião pública contemporânea. Quase todos apelam para a ‘Justiça de Deus na voz da História’. A mim foi concedida essa mercê com o sufrágio de 1 300 000 brasileiros que me outorgaram o mandato de senador por dois estados e de deputado pelo Distrito Federal e mais seis estados".
[
59
]
Getúlio também participou, em 1945, da criação do PSD,
Partido Social Democrático
formado basicamente pelos ex-interventores estaduais do Estado Novo. Getúlio chegou a ser eleito presidente do PSD, mas passou o cargo a Benedito Valadares. Getúlio participou muito pouco da Constituinte e foi o único parlamentar a não assinar a
Constituição de 1946
. Getúlio fez um único discurso na Assembleia Nacional Constituinte em 31 de agosto de 1946.
[
57
]
Assumiu o cargo no
Senado
como representante gaúcho, e exerceu o mandato de senador durante o período 1946–1947, quando proferiu cinco discursos relatando as realizações do Estado Novo e da Revolução de 1930 e criticando o governo Dutra. O último discurso no Senado Federal foi em 3 de julho de 1947.
[
61
]
Além dos discursos no Senado Federal, antes de se recolher a São Borja em 1947, Getúlio participou de comícios em 10 capitais brasileiras defendendo os ideais e o programa do PTB e pedindo votos para candidatos, apoiados pelo PTB, nas eleições de 1947.
[
59
]
Getúlio Vargas deixou o Senado Federal em 1947 e retornou à sua cidade natal, São Borja, onde possuía duas propriedades rurais: as estâncias Itu e Santos Reis. De fato, ele recebeu muitos pedidos para retornar à vida política e foi assediado por diversos políticos, incluindo Ademar de Barros e Hugo Borghi. Também foi decisiva para sua volta à política, a amizade feita com o jornalista
Samuel Wainer
.
[
21
]
[
62
]
[
63
]
Em agosto de 1950, em um suplemento especial da
Revista do Globo
, com a republicação de suas reportagens biográficas sobre Getúlio que tiveram grande repercussão, abaixo de uma foto de Getúlio montando um cavalo, foi colocada uma frase de
João Neves da Fontoura
tirada de uma expressão popular muito conhecida, a propósito da possível candidatura de Getúlio em 1950: "Se o cavalo passar encilhado ele monta!".
[
21
]
[
62
]
[
63
]
Campanha presidencial de 1950
Getúlio acabou aceitando voltar à política, resumindo assim sua campanha eleitoral, em
Parnaíba
: "Recebi de vós, como de tantos outros pontos distantes do país, apelos para lançar-me nesta campanha que mobiliza o povo brasileiro na defesa dos direitos à liberdade e a vida!"
[
64
]
O
slogan
do
PTB
, que antecedeu à
campanha eleitoral
, foi o seguinte: "Ele voltará!".
[
21
]
[
62
]
[
63
]
Uma reportagem de
O Globo
assim descreve as lembranças da campanha eleitoral de 1950, guardadas por Alzira Vargas: "Ele vai voltaráǃ". A frase, uma espécie de legenda para a fotografia de um Getúlio sorridente, está impressa em caixinhas de fósforo, cigarreiras, porta-níqueis, chaveiros, panfletos, cartazes, lenços de seda e até mesmo em bolsinhas femininas.
[
65
]
A candidatura de Getúlio foi lançada no dia 19 de abril, dia de seu aniversário, depois da candidatura de
Eduardo Gomes
da UDN. Getúlio disse naquela data: "Se o meu sacrifício for para o bem do Brasil, levai-vos convosco!" Em uma proclamação em Porto Alegre, em 9 de agosto de 1950, Getúlio declarou que só levou adiante sua candidatura à presidência da República quando ficou claro que não seria possível uma candidatura única de conciliação nacional:
Quando a minha candidatura à presidência da República foi lançada pelo governador
Ademar de Barros
e pelo Diretório do Partido Trabalhista Brasileiro, dirigi ao senador
Salgado Filho
uma carta-manifesto, declarando-me pronto a renunciar em benefício de uma conciliação geral da política brasileira. Minha proposta não foi atendida e fui forçado a aceitar a minha candidatura, por imposição popular.
[
64
]
— 
Getúlio Vargas.
No discurso que pronunciou, em 16 de junho, pelo rádio, de São Borja, à convenção do PTB, seu partido político que o lançava candidato à presidência, destacou sua principal virtude: a conciliação: "Se vencer, governarei sem ódios, prevenções ou reservas, sentimentos que nunca influíram nas minhas decisões, promovendo sinceramente a conciliação entre os nossos compatriotas e estimulando a cooperação entre todas as forças da opinião pública".
[
64
]
A candidatura de Getúlio foi alvo de diversos processos no
Tribunal Superior Eleitoral
com advogados defendendo que o registro fosse cancelado. Alegou-se que Getúlio não cumpriu duas constituições, a
1891
e a
1934
e portanto deveria estar sendo julgado criminalmente como um
criminoso político
. Alegou-se ainda que o
Partido Comunista
tivera o seu registro cassado em 1947 pelo
Tribunal Superior Eleitoral
por ser contrário ao regime democrático. Porém ao analisar o registro, o Tribunal desconheceu as questões preliminarmente, considerando-as ilegítimas, já que uma impugnação só poderia ser feita por outro candidato ou por delegado de partido político, não cabendo, no caso, uma ação popular. E, em 19 de agosto, a candidatura foi registrada.
[
66
]
Então, já com 68 anos, percorreu todas as regiões do Brasil, em campanha eleitoral, pronunciando, de 9 de agosto a 30 de setembro, em 77 cidades, discursos, nos quais relembrava suas obras nas regiões em que discursava. O primeiro discurso foi em
Porto Alegre
e o último de São Borja. Prometendo, em 12 de agosto, na cidade do Rio de Janeiro, que o povo subiria com ele as escadarias do
Palácio do Catete
: "Se for eleito a 3 de outubro, no ato da posse, o povo subirá comigo as escadas do Catete. E comigo ficará no governo!".
[
64
]
Sobre ser acusado de "Pai dos Ricos", Getúlio disse, em discurso de 27 de agosto de 1950, em Recife:
Os meus adversários continuam a atirar-me, ao mesmo tempo, a pecha de "Pai dos Pobres" e "Pai dos Ricos". Como homem público, entretanto, nunca fui faccioso ou extremado. Antes de mais nada procurei agir com justiça e realizar o bem comum. Ricos e pobres são igualmente brasileiros. Se aos primeiros, muitos dos quais estiveram à beira da insolvência que agravaria a situação das classes desfavorecidas e dos assalariados, abri oportunidades de reerguimento e facilitei o crédito, consolidando as bases da agricultura e da indústria, também não desamparei os trabalhadores. Defendi-os contra a ganância dos exploradores, e rompendo resistências que se levantaram à minha ação, iniciei, com firmeza e segurança, a legislação trabalhista no Brasil.
[
64
]
— 
Getúlio Vargas
Uma síntese das dificuldades que Getúlio enfrentaria como candidato e como presidente é dada pela frase do escritor, político e jornalista
Carlos Lacerda
. Em um editorial intitulado "Advertência oportuna", publicado no jornal
Tribuna da Imprensa
em 1 de junho de 1950, afirmou, a respeito de Getúlio: "O senhor Getúlio Vargas, senador, não deve ser candidato à presidência. Candidato, não deve ser eleito. Eleito, não deve tomar posse. Empossado, devemos recorrer à revolução para impedi-lo de governar".
[
67
]
[
68
]
Esta frase de
Carlos Lacerda
expressava, exatamente, a mesma visão que, em 1930, a
Aliança Liberal
tivera quanto à candidatura e posterior vitória eleitoral do paulista
Júlio Prestes
, o "Seu Julinho". Segundo
Carlos Lacerda
, as ações de Vargas como ditador não poderiam ser esquecidas: "O Getúlio era absolutamente incompatível com um regime democrático".
[
69
]
Carlos Lacerda
retomou a frase de
Artur Bernardes
no seu discurso de posse no Senado Federal, em 25 de maio de 1927, em que relembrava sua eleição presidencial de 1922: "Não estará ainda na memória de todos o que fora a penúltima campanha presidencial? Nela se afirmava que o candidato não seria eleito; eleito não seria reconhecido, não tomaria posse, não transporia os umbrais do Palácio do Catete". E sobre este eterno drama das campanhas presidenciais, Getúlio tinha a frase: "No Brasil não basta vencer a eleição, é preciso ganhar a posse!".
[
70
]
[
71
]
[
72
]
A eleição de 1950
Getúlio foi eleito presidente da República, como candidato do PTB, em 3 de outubro de 1950, derrotando a UDN, que tinha como candidato novamente Eduardo Gomes, e o
Partido Social Democrático
, que tinha como candidato, o mineiro
Cristiano Machado
. Muitos membros do PSD abandonaram o candidato Cristiano Machado e apoiaram Getúlio. Desse episódio é que surgiu a expressão "cristianizar um candidato", que significa que um candidato foi abandonado pelo próprio partido político, como relata o jornalista Carmo Chagas em
Política Arte de Minas
.
[
73
]
[
74
]
A data das eleições: 3 de outubro, era uma homenagem à data do início da Revolução de 1930. Fundamental para sua eleição foi o apoio do governador de
São Paulo
,
Ademar Pereira de Barros
, que tinha sido nomeado por Getúlio, durante o Estado Novo, em 1938, interventor federal em São Paulo. Em 1941 Ademar foi exonerado, por Getúlio, do cargo de interventor. Assim a aliança com Ademar, batizada de "Frente
Populista
", foi mais um ato de reconciliação praticado por Getúlio.
[
75
]
[
22
]
Ademar transferiu a Getúlio Vargas um milhão de votos paulistas, mais de 25% da votação total de Getúlio. Ademar esperava que, em troca desse apoio em 1950, Getúlio o apoiasse nas eleições de 1955 para a presidência da república. O resultado final deu a Getúlio, 3 849 040 votos contra 2 342 384 votos dados ao Brigadeiro Eduardo Gomes e 1 697 193 votos dados a Cristiano Machado.
[
76
]
João Batista Luzardo
garantiu, em agosto de 1978, que foi Dutra que garantiu a posse de Getúlio, não permitindo que nenhuma conspiração militar fosse adiante.
[
77
]
O emissário de Dutra fora enviado à Estância São Pedro, de propriedade de Batista Luzardo, porque fora nesta estância que Getúlio se hospedara, depois de vencer as eleições de 3 de outubro de 1950, e assim descreveu a concorrida estadia de Getúlio na Estância São Pedro, a
Revista do Globo
, edição de 25 de novembro de 1950, na reportagem "O Descanso de Vencedor":
Descanso em termos, porque, num só domingo, o próximo presidente da República recebeu exatamente 400 pessoas, das quais 160 vindas do Rio e 96 de São Paulo. Na Fazenda (Estância) São Pedro,
Uruguaiana
, o presidente eleito tem uma planície para galopar, um rio para navegar e uma torre onde pensar no melhor destino para 50 milhões de brasileiros. Mas só por uma enorme capacidade de recolhimento pode descansar enquanto atende os centenares de pessoas que diariamente cobrem todas as distâncias aéreas, marítimas, fluviais, terrestres e políticas que as separam de Getúlio Vargas.
— 
Revista do Globo
, 25/11/1950
Governo eleito (1951–1954)
Ver artigo principal:
Governo Getúlio Vargas (1951-1954)
Getúlio desfilando em carro aberto pelas ruas de
Vitória
,
Espírito Santo
em 1951. Fotografia sob guarda do
Arquivo Nacional
A volta de Getúlio foi saudada por muitos, inclusive na
música popular brasileira
, na voz de
Francisco de Morais Alves
, intérprete da marchinha
Retrato do Velho
:
Bota o retrato do velho outra vez
,
Bota no mesmo lugar
,
o sorriso do velhinho
,
faz a gente trabalhar
.
— 
Haroldo Lobo e Marino Pinto-1951
Tancredo Neves, que foi seu ministro da Justiça, disse, no livro
Tancredo Fala de Getúlio
, que, em seu segundo governo, Getúlio "tinha a preocupação de se libertar do ditador", e que disse a Tancredo: "Fui ditador porque as contingências do país me levaram à ditadura, mas quero ser um presidente constitucional dentro dos parâmetros fixados pela Constituição".
[
78
]
Uma administração polêmica
Foto oficial do segundo mandato.
Getúlio tomou posse na presidência da república em 31 de janeiro de 1951, no Palácio do Catete, sucedendo ao presidente
Eurico Gaspar Dutra
. O seu mandato presidencial deveria estender-se até 31 de janeiro de 1956. O ministério foi modificado duas vezes. Getúlio trouxe para o ministério antigos aliados do tempo da
Revolução de 1930
, com os quais se reconciliou:
Góis Monteiro
(Estado Maior das
Forças Armadas
), Osvaldo Aranha, na Fazenda, João Neves da Fontoura e
Vicente Rao
, ambos nas Relações Exteriores, e ainda,
Juracy Magalhães
como o primeiro presidente da
Petrobras
e Batista Luzardo como
embaixador
na
Argentina
. O ex-tenente de 1930,
Newton Estillac Leal
, foi ministro da Guerra até 1953. Reconciliou-se também com José Américo de Almeida, que, na época, governava a Paraíba e que se licenciou do cargo de governador para ser ministro da Viação e Obras Públicas a partir de junho de 1953.
[
22
]
Luís Vergara, secretário particular de Getúlio, de 1928–1945, na citada obra
Eu fui secretário de Getúlio
, conta que Getúlio chamou o ministério empossado em 1951, de "ministério de experiência", o que causou mal-estar entre os ministros. Vergara diz que "conhecendo-se o hábito de Getúlio de só falar o mínimo e o justo, a sua precaução em não exceder os limites do oportuno e do indispensável, o 'cochilo' revelava um enfraquecimento nos controles de auto vigilância e da contenção da linguagem", a que Vergara atribui a um começo de envelhecimento e ao esgotamento com "quinze anos ininterruptos em atividade governamental, preocupações multiplicadas, trabalho incessante, crises políticas, acidentes pessoais e em pessoas da família".
[
79
]
Tancredo Neves
contou também, em
Tancredo Fala de Getúlio
, que a reconciliação de Getúlio com o ex-governador de Minas Gerais Benedito Valadares se deu por intermédio dele, Tancredo.
Getúlio Vargas em visita a
Leonel Brizola
.
Getúlio teve um governo tumultuado devido a medidas administrativas que tomou e devido às acusações de corrupção que atingiram seu governo. Um polêmico reajuste do
salário-mínimo
, em 100%, ocasionou, em fevereiro de 1954, um protesto público, em forma de manifesto à nação, dos militares, (um dos quais foi
Golbery do Couto e Silva
), contra o governo, seguido da demissão do ministro do trabalho
João Goulart
.
[
22
]
Este
Manifesto dos Coronéis
, também dito
Memorial dos Coronéis
, foi assinado por 79 militares que, na sua grande maioria, eram ex-tenentes de 1930. Este Manifesto dos Coronéis significou uma redução do apoio ao governo Getúlio, na área militar, e, também, na área trabalhista, por conta da demissão de João Goulart.
[
80
]
Todos nós, que tínhamos acesso ao palácio, constatamos porém que, após essa última crise política, uma sensível modificação se operava no comportamento de Getúlio Vargas. O homem alegre e comunicativo de antes havia se transformado num misantropo. A imagem, que passara a refletir, era de um solitário amargurado, abismado na sua misantropia sem confidentes, e que, com as mãos cruzadas nas costas - postura que lhe era característica -, vagava pelos salões do palácio, num típico alheamento de sonâmbulo. Entre os amigos, esta pergunta era obrigatória: "Que há com o presidente?"
[
81
]
— 
Juscelino Kubitschek, sobre as consequências do "Manifesto dos Coronéis".
Foram também polêmicos os seguintes atos do segundo governo Getúlio:
[
82
]
A lei nº 1 521,
[
83
]
de 26 de dezembro de 1951, sobre crimes contra a economia popular, ainda em vigor;
A lei nº 1 522,
[
83
]
de 26 de dezembro de 1951, que autoriza o governo federal a intervir no domínio econômico para assegurar a livre distribuição de produtos necessários ao consumo do povo. Esta lei foi substituída pela
lei delegada
nº 4,
[
84
]
em 26 de setembro de 1962;
O decreto nº 30 363,
[
83
]
de 3 de janeiro de 1952, que dispôs sobre o retorno de capital estrangeiro, limitando-o a 8% do total dos lucros de empresas estrangeiras para o país de origem, revogado em 1991;
O decreto nº 31 546,
[
85
]
de 6 de outubro de 1952, regulamentou o trabalho do menor aprendiz e vigorou até 2005;
A lei nº 1 802,
[
86
]
de 5 de janeiro de 1953, que definia os crimes contra o Estado e a Ordem Política e Social, e que revogava a
Lei de Segurança Nacional
de 1935. A lei 1 802 vigorou até 1967 quando foi substituída por outra Lei de Segurança Nacional;
A
lei n° 2 004
,
[
87
]
de 3 de outubro de 1953, sobre o monopólio estatal da exploração e produção de
petróleo
, revogada em 1997;
A lei nº 2 083,
[
88
]
de 12 de novembro de 1953, sobre a
liberdade de imprensa
que vigorou até 1967;
A Instrução Sumoc (Superintendência da Moeda e do Crédito) nº 70, de 1953, que criou o
câmbio
múltiplo e os leilões cambiais.
Neste período, foram criados:
[
89
]
O
BNDES
(Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) foi criado pelo
Governo Federal
em 1952, durante o segundo período de governo de Vargas (1951-1954) e inicialmente constituía uma
autarquia
com o nome "BNDE".
A
Petrobras
(Petróleo Brasileiro S/A) foi criada em 1953, também durante o segundo período de governo de Vargas (1951-1954).
Em 20 de junho de 1952, pela lei nº 1 628,
[
90
]
o BNDE, atual
BNDES
;
Em 19 de julho de 1952, pela lei nº 1 649,
[
91
]
o
Banco do Nordeste
;
Pela lei nº 1 779,
[
92
]
de 22 de dezembro de 1952, o
Instituto Brasileiro do Café
(IBC), extinto em 1990;
Em 1953, a
Petrobras
, no aniversário da Revolução de 1930, 3 de outubro, pela citada lei nº 2.004;
Em 29 de dezembro de 1953, a lei nº 2 145,
[
93
]
criou a
CACEX
, Carteira de Comércio Exterior do
Banco do Brasil
;
Em 11 de janeiro de 1954, foi criado o seguro agrário, pela lei nº 2 168,
[
94
]
não revogada até hoje.
Getúlio sancionou a lei nº 2 252,
[
95
]
de 1 de julho de 1954, que dispunha sobre a
corrupção de menores
, esta lei vigorou até 2009, revogada pela lei nº 12 015.
[
96
]
Em 1951, Getúlio enfrenta, pela segunda vez, uma grande
seca
no
Nordeste do Brasil
(a primeira fora em 1932). Getúlio diz na
Mensagem ao Congresso Nacional
, referente a 1951, que, nesse ano, dobrou o número de migrantes do Nordeste do Brasil e do norte de Minas Gerais para São Paulo. Em 1950 foram 100 123, e, em 1951, 208 515 migrantes para São Paulo.
[
12
]
Houve uma grande mobilização nacional conhecida como a campanha "
O petróleo é nosso
" em torno da criação da Petrobras. Getúlio tentou, mas não conseguiu, criar a
Eletrobrás
, que só seria criada em 1961. Em 1954, entrou em operação a
Usina Hidrelétrica de Paulo Afonso
I. Foi iniciada a construção da
Rodovia Fernão Dias
ligando São Paulo a Belo Horizonte, e que seria concluída por
Juscelino Kubitschek
.
[
12
]
Foi assinado, em março de 1952, um acordo de cooperação e ajuda militar entre o Brasil e os Estados Unidos. Este acordo vigorou de 1953 até 1977, quando o presidente
Ernesto Geisel
denunciou o mesmo.
[
12
]
Houve uma série de acusações de corrupção a membros do governo e pessoas próximas a Getúlio, o que levou Getúlio a dizer que estava sentado em um "mar de lama". O caso mais grave de corrupção, que jogou grande parte da opinião pública contra Getúlio, foi a
comissão parlamentar de inquérito
(CPI) do jornal
Última Hora
, de propriedade de
Samuel Wainer
. Samuel Wainer era acusado por Carlos Lacerda e outros de receber dinheiro do
Banco do Brasil
para apoiar Getúlio. O jornal
Última Hora
era praticamente o único órgão de imprensa a apoiar Getúlio.
[
12
]
O atentado da Rua Tonelero
Ver artigo principal:
Atentado da Rua Tonelero
Na madrugada de 5 de agosto de 1954, um atentado a tiros de revólver, em frente ao edifício onde residia
Carlos Lacerda
, em
Copacabana
, no Rio de Janeiro, mata o major
Rubens Florentino Vaz
, da
Força Aérea Brasileira
(FAB), e fere, no pé, Carlos Lacerda, jornalista e o futuro deputado federal e governador da
Guanabara
e membro da UDN, que fazia forte oposição a Getúlio. O atentado foi atribuído a
Alcino João do Nascimento
e o auxiliar Climério Euribes de Almeida, membros da guarda pessoal de Getúlio, chamada pelo povo de "Guarda Negra". Esta guarda fora criada para a segurança de Getúlio, em maio de 1938, logo após um ataque de partidários do
integralismo
ao Palácio do Catete. Ao tomar conhecimento do atentado contra Carlos Lacerda na
rua Tonelero
, Getúlio disse: "Carlos Lacerda levou um tiro no pé. Eu levei dois tiros nas costas!".
[
97
]
A crise política que se instalou foi muito grave porque, além da importância de Carlos Lacerda, a FAB, à qual o major Vaz pertencia, tinha como grande herói o brigadeiro Eduardo Gomes, da UDN, que Getúlio derrotara nas eleições de 1950. A FAB criou uma investigação paralela do crime que recebeu o apelido de "República do Galeão". No dia 8 de agosto, foi extinta a "Guarda Negra".
[
98
]
Os jornais e as rádios davam em manchetes, todos os dias, a perseguição aos suspeitos. Alcino foi capturado no dia 13 de agosto. Climério foi finalmente capturado, no dia 17 de agosto, pelo coronel da Aeronáutica
Délio Jardim de Matos
que, posteriormente, chegaria a ser ministro da
Aeronáutica
. Na caçada aos suspeitos, chegou-se a utilizar uma novidade para a época, o
helicóptero
.
[
12
]
Existem várias versões para o crime. Há versões que divergem daquela que foi dada por Carlos Lacerda: O
Jornal do Brasil
entrevistou o pistoleiro Alcino João do Nascimento, aos 82 anos em 2004, o qual garantiu que o primeiro tiro que atingiu o major Rubens Vaz partiu do revólver de Carlos Lacerda.
[
99
]
Existe também um depoimento de um morador da rua Tonelero, dado à
TV Record
, em 24 de agosto de 2004, que garante que Carlos Lacerda não foi ferido a bala. Os documentos, laudos e exames médicos de Carlos Lacerda, no
Hospital Miguel Couto
, onde ele foi levado para ser medicado, simplesmente desapareceram.
[
12
]
Gregório Fortunato
, chefe da guarda pessoal do presidente Getúlio Vargas, chamado pelo povo simplesmente de
Gregório
, foi acusado de ser o mandante do atentado contra Lacerda.
[
100
]
Gregório admitiria mais tarde perante à justiça ter sido o mandante. Em 1956, os acusados do crime foram levados a um primeiro
julgamento
: Gregório Fortunato foi condenado a 25 anos de prisão como mandante, pena reduzida a vinte anos por
Juscelino Kubitschek
e a quinze anos por
João Goulart
. Gregório foi assassinado em 1962, no Rio de Janeiro, dentro da
penitenciária
do
Complexo Lemos de Brito
, pelo também detento Feliciano Emiliano Damas.
[
12
]
Morte
Ver artigo principal:
Morte de Getúlio Vargas
Palácio do Catete
, cuja função corresponde atualmente à do
Palácio do Planalto
, em
Brasília
, foi o local da morte de Getúlio Vargas.
Na foto, o pijama e revólver usados na madrugada do suicídio e que fazem parte do acervo do
Museu da República
.
Traslado do corpo de Getúlio Vargas do Rio de Janeiro para o enterro em
São Borja
.
Réplica da Carta-Testamento de Getúlio Vargas.
Por causa do
crime da rua Tonelero
, Getúlio foi pressionado, pela imprensa e por militares, a renunciar ou, ao menos, licenciar-se da presidência. O
Manifesto dos Generais
, de 22 de agosto de 1954, pede a renúncia de Getúlio. Foi assinado por 19 generais de exército, entre eles,
Castelo Branco
, Juarez Távora e
Henrique Lott
e dizia:
[
101
]
"Os abaixo-assinados, oficiais generais do Exército…solidarizando com o pensamento dos camaradas da Aeronáutica e da Marinha, declaram julgar, como melhor caminho para tranquilizar o povo e manter unidas as forças armadas, a
renúncia
do atual presidente da República, processando sua substituição de acordo com os preceitos constitucionais".
[
22
]
Esta crise levou Getúlio Vargas ao suicídio na madrugada de 23 para 24 de agosto de 1954, logo depois de sua última reunião ministerial, na qual fora aconselhado, por ministros, a se licenciar da presidência.
[
102
]
Getúlio registrou em sua
agenda
de compromissos, na página do dia 23 de agosto de 1954, segunda-feira: "Já que o ministério não chegou a uma conclusão, eu vou decidir: determino que os ministros militares mantenham a ordem pública. Se a ordem for mantida, entrarei com pedido de licença. Em caso contrário, os revoltosos encontrarão aqui o meu cadáver".
[
12
]
Getúlio concordou em se licenciar sob condições, que constavam da nota oficial da presidência da república divulgada naquela madrugada: "Deliberou o Presidente Getúlio Vargas… entrar em licença, desde que seja mantida a ordem e os poderes constituídos…, em caso contrário, persistirá inabalável no propósito de defender suas prerrogativas constitucionais,
com sacrifício, se necessário, de sua própria vida".
[
54
]
Getúlio, no final da reunião ministerial, assina um papel, que os ministros não sabiam o que era, nem ousaram perguntar.
[
103
]
Encerrada a reunião ministerial, sobe as escadas para ir ao seu apartamento. Vira-se e despede-se do ministro da Justiça
Tancredo Neves
, dando a ele uma
caneta
Parker 51 de
ouro
e diz: "Para o amigo certo das horas incertas!".
[
103
]
A data não poderia ser mais emblemática: Getúlio, que se sentia massacrado pela oposição, pela "República do Galeão" e pela imprensa, escolheu a
noite de São Bartolomeu
para sua morte. Getúlio Vargas cometeu suicídio com um tiro no coração em seus aposentos no
Palácio do Catete
, na madrugada de 24 de agosto de 1954. Tancredo contou a
Carlos Heitor Cony
em 3 de agosto de 1984, como foram os últimos minutos de Getúlio. O depoimento de Tancredo saiu na
Revista Manchete
de 1 de setembro de 1984:
Assumiu então a presidência da república, no dia 24 de agosto, o vice-presidente
potiguar
Café Filho
, da oposição a Getúlio, que nomeou uma nova equipe de ministros e deu nova orientação ao governo.
Com grande comoção popular nas ruas, seu corpo foi levado para ser enterrado em sua terra natal. A família de Getúlio recusou-se a aceitar que um avião da
FAB
transportasse o corpo do político até o Rio Grande do Sul. A família de Getúlio também recusou as homenagens oficiais que o novo governo de Café Filho queria prestar ao ex-presidente falecido. Getúlio deixou duas notas de suicídio, uma manuscrita e outra datilografada, as quais receberam o nome de
carta-testamento
.
[
12
]
Uma versão manuscrita da carta-testamento, assinada no final da última reunião ministerial, somente foi divulgada ao público, em 1967, por
Alzira Vargas
, pela
Revista O Cruzeiro
, no intuito de rebater as críticas de Carlos Lacerda, que não acreditava que tal carta manuscrita existisse. Nesta carta manuscrita, Getúlio explica seu gesto:
[
104
]
Deixo à sanha de meus inimigos, o legado de minha morte. Levo o pesar de não ter podido fazer, por este bom e generoso povo brasileiro, e principalmente pelos mais necessitados, todo o bem que pretendia.
A mentira, a calúnia, as mais torpes invencionices foram geradas pela malignidade de rancorosos e gratuitos inimigos, numa publicidade dirigida, sistemática e escandalosa.
Acrescente-se na fraqueza dos amigos que não defenderam, nas posições que ocupavam, à felonia de hipócritas e traidores a quem beneficiei com honras e mercês, à insensibilidade moral de
sicários
que entreguei à Justiça, contribuindo todos para criar um falso ambiente na opinião pública do país contra a minha pessoa.
Se a simples renúncia ao posto a que fui levado pelo sufrágio do povo me permitisse viver esquecido e tranquilo no chão da pátria, de bom grado renunciaria. Mas tal renúncia daria apenas ensejo para, com mais fúria, perseguirem-me e humilharem-me. Querem destruir-me a qualquer preço. Tornei-me perigoso aos poderosos do dia e às castas privilegiadas.
Velho e cansado, preferi ir prestar contas ao Senhor, não dos crimes que não cometi, mas de poderosos interesses que contrariei, ora porque se opunham aos próprios interesses nacionais, ora porque exploravam, impiedosamente, aos pobres e aos humildes. Só Deus sabe das minhas amarguras e sofrimentos. Que o sangue dum inocente sirva para aplacar a ira dos fariseus.
Agradeço aos que de perto ou de longe me trouxeram o conforto de sua amizade. A resposta do povo virá mais tarde...
— 
Getúlio Vargas
Certidão de Óbito de Getúlio Vargas.
Uma versão datilografada, feita em três vias, e mais extensa desta carta-testamento, foi lida, de maneira emocionada, por
João Goulart
, no enterro de Getúlio em
São Borja
. Nesta versão datilografada é que aparece a frase "Saio da vida para entrar na história". Esta versão datilografada da carta-testamento até hoje é alvo de discussões sobre sua autenticidade. Chama muito a atenção nela, a frase em
castelhano
: "Se queda desamparado". Assim, tanto na vida quanto na morte, Getúlio foi motivo de polêmica. Também fez um discurso emocionado, no enterro de Getúlio, na sua cidade natal São Borja, o amigo e aliado de longa data
Osvaldo Aranha
que disse: "Nós, os teus amigos, continuaremos, depois da tua morte, mais fiéis do que na vida: nós queremos o que tu sempre quiseste para este País. Queremos a ordem, a paz, o amor para os brasileiros!".
[
105
]
No cinquentenário de sua morte, em 2004, os restos mortais de Getúlio foram trasladados para um monumento no centro de sua cidade natal, São Borja.
[
106
]
Consequências imediatas
Há quem diga que o suicídio de Getúlio Vargas adiou um
golpe militar
que pretendia depô-lo. O pretendido golpe de estado tornou-se, então, desnecessário, pois assumira o poder um político conservador,
Café Filho
.
[
107
]
O golpe militar veio, por fim, em 1964.
Golpe de Estado
que foi feito, essencialmente, no lado militar, por ex-tenentes de 1930.
Jarbas Passarinho
relatou que quando era um "jovem
major
recém promovido" teria sido "succionado" para campanhas por civis incluindo
Carlos Lacerda
e diz ter sido puxado pelo braço para derrubar Vargas no dia anterior ao suicídio.
[
108
]
O suicídio de Getúlio fez com que passasse da condição de acusado à condição de vítima. Isto teria preservado a popularidade do trabalhismo e do PTB e impedido Café Filho, sucessor de Getúlio, por falta de clima político, de fazer uma investigação profunda sobre as possíveis irregularidades do último governo de Getúlio.
[
109
]
E, por fim, o clima de comoção popular devido à morte de Getúlio, teria facilitado a eleição de
Juscelino Kubitschek
à presidência da república e de João Goulart (o Jango) à vice-presidência, (JK), em 1955, derrotando a
UDN
, adversária de Getúlio. JK e João Goulart são considerados, por alguns, como dois dos "herdeiros políticos" de Getúlio.
[
110
]
Legado
Popular
No dia seguinte ao suicídio, milhares de pessoas saíram às ruas para prestar o "último adeus" ao "pai dos pobres", chocadas com o que ouviram no noticiário radiofônico mais popular da época, o
Repórter Esso
. Enquanto isso, retratos de Getúlio eram distribuídos para o povo durante o dia.
Carlos Lacerda
teve que fugir do país, com medo de uma perseguição popular.
[
111
]
[
112
]
Anos mais tarde, em 1962, na 6ª faixa do disco
LP
:
Saudades de Passo Fundo
,
Teixeirinha
homenageou o presidente gaúcho Getúlio Vargas, com a faixa de nome: "24 de agosto", lembrando o impacto popular que foi a morte repentina do então presidente do Brasil. Um trecho da música de Teixeirinha mostra claramente este fato:
[
12
]
Vinte e quatro de agosto
A terra estremeceu
Os rádios anunciaram
O fato que aconteceu,
As nuvens cobriram o céu
O povo em geral sofreu
O Brasil se vestiu de luto
Getúlio Vargas morreu!
Seu nome ficou na história
Pra
nossa recordação
Seu sorriso era a vitória
Da nossa imensa nação
Com saúde ele venceu
Guerra e revolução
Depois foi morrer a bala
Pela sua própria mão.
Político
Ver artigo principal:
Herança política da Era Vargas
Econômico
O Brasil passou por profundas transformações econômicas durante as presidências de Vargas. Há um grande debate sobre o que pode e deve ser diretamente atribuído ao ex-presidente, em especial, seu papel na industrialização do país.
[
113
]
Cultural
Monumento
de Getúlio Vargas na cidade do
Rio de Janeiro
.
Cartão de visitas presidencial.
Chimarrão
na cuia
getulinho
.
Getúlio Vargas foi, várias vezes, retratado como personagem no cinema e na televisão:
Leon Cakoff
, no filme
O País dos Tenentes
(1987);
Carlos Ferreira
, na minissérie
Agosto
(1993);
Carlos Ferreira, no filme
For All - O Trampolim da Vitória
(1997);
Renato Borghi
, no filme
Lost Zweig
(2002);
Paulo Betti
, no filme
Chatô, o Rei do Brasil
(2003);
Osmar Prado
, no filme
Olga
(2004);
Carlos Ferreira, na minissérie
JK
(2006);
Ricardo Blat
, no filme
O Amigo Invisível
(2006);
Osmar Prado, no documentário
Tancredo – A Travessia
, de
Silvio Tendler
(2011)
[
114
]
Tony Ramos
, no filme
Getúlio
(2014).
[
nota 2
]
Marcos Breda
, no filme
Rondon, o Desbravador
(2016)
[
116
]
Foi referido no título de um dos livros do humorista
Jô Soares
,
O Homem Que Matou Getúlio Vargas
, editado em 1998.
Foram ainda feitos sobre Getúlio, os documentários:
Getúlio Vargas
, sob direção de
Sylvio Back
, em 1980;
Getúlio Vargas
, em 1974, sob direção de
Ana Carolina
;
O Mundo em que Getúlio viveu
, em 1963, que teve direção de Jorge Ileli.
A efígie de Getúlio foi impressa nas notas de dez cruzeiros (Cr$ 10,00) de 1950 e cunhada no verso das moedas de centavos de cruzeiro que circularam de 1942 a 1970.
Chico Buarque
o homenageou com a música
Dr. Getúlio
.
A eleição de 1930 e a Revolução de 1930 foram imortalizadas por marchinhas e sambas cantados por
Francisco de Morais Alves
, como:
É Sim Senhor
,
Seu Doutor
(samba),
17x3-É Sopa É Sopa
e
Hino a João Pessoa
, todas de autoria de
Eduardo Souto
. O Hino a João Pessoa foi oficializado como o Hino da cidade de
João Pessoa
;
Francisco Alves também cantou
Seu Julinho vem
, marcha de autoria de Freire Júnior;
Lamartine Babo
, (sob o pseudônimo de G. Ladeira), compôs as marchas:
Gê-Gê
e
O Barbado … Foi-se
, e cantadas por
Almirante (compositor)
;
A escola
Acadêmicos do Salgueiro
desfilo no Carnaval 1985 com o samba-enredo "Anos Trinta, Vento Sul" em homenagem.
Homenagens
Monumento dedicado a Getúlio Vargas em São Borja.
O arquivo de Getúlio Vargas e os pertences pessoais estão preservados no
Centro de Pesquisa e Documentação de História Contemporânea do Brasil
(CPDOC) da
Fundação Getúlio Vargas
, que desenvolve pesquisa sobre a
história do Brasil
pós 1930. Três municípios brasileiros homenageiam Getúlio Vargas em sua denominação:
Getúlio Vargas
, no
Rio Grande do Sul
;
Presidente Vargas
no
Maranhão
, e
Presidente Getúlio
em
Santa Catarina
.
A
refinaria
de
Araucária
recebeu o nome de
Refinaria Presidente Getúlio Vargas
. A usina siderúrgica de Volta Redonda, pertencente à
Companhia Siderúrgica Nacional
recebeu o nome de Usina Siderúrgica Presidente Vargas.
A lei federal nº 7 470, de 29 de abril de 1986, outorga ao Presidente Getúlio Vargas o título de "Patrono dos Trabalhadores do Brasil".
[
117
]
Pela lei nº 12 326, de 15 de setembro de 2010, Getúlio Vargas foi inscrito no
Livro dos Heróis da Pátria
.
[
10
]
De acordo com eleição promovida pelo jornal
Folha de S.Paulo
, em abril de 2007, Getúlio Vargas foi considerado o "Maior Brasileiro de Todos os Tempos". Sua escolha foi realizada com base em perguntas a 200 destacados intelectuais, políticos, artistas, religiosos, empresários, publicitários, jornalistas, esportistas e militares brasileiros.
[
118
]
Segundo votação feita pelo
SBT
, para o programa "
O Maior Brasileiro de Todos os Tempos
", obtendo quase 1,3 milhão de votos, Getúlio Vargas chegou a semifinal, onde perdeu para a
Princesa Isabel
.
[
119
]
Academia Brasileira de Letras
Posse de Getúlio Vargas como membro da Academia Brasileira de Letras.
Eleito a 7 de agosto de 1941, como terceiro ocupante da cadeira 37 da
Academia Brasileira de Letras
, cadeira que tem por patrono
Tomás Antônio Gonzaga
. Foi empossado a 29 de dezembro de 1943, recebido por
Ataulfo de Paiva
. Substituiu
Alcântara Machado
e, após sua morte, sua cadeira foi ocupada por
Assis Chateaubriand
.
[
120
]
Suas principais obras publicadas são as coletâneas de seus discursos e o "Diário":
A Nova Política do Brasil
, em 11 volumes, que reúne seus principais discursos de 1930 a 1945. Em 1941, quando Getúlio foi eleito para a ABL, seus discursos ocupavam sete desses volumes;
As Ideias do Presidente Getúlio Vargas
, em 1939, seleção de frases de "A Nova Política do Brasil", organizadas, tematicamente, por Alcides Gentil;
As Diretrizes da Nova Política do Brasil
, em 1942, que contém trechos selecionados de seus discursos e entrevistas dadas à imprensa internacional;
A Política Trabalhista no Brasil
, publicado em 1950, que reúne seus discursos feitos de 1945 a 1947;
A Campanha Presidencial
, que reúne seus discursos eleitorais durante a eleição de 1950;
O Governo Trabalhista do Brasil
, em 4 volumes, que reúne seus discursos de 1951 a 1954;
Diário
, em 2 volumes, que abrange o período de 1930 a 1942, publicado em 1997.
Vida pessoal
Getúlio teve quatro irmãos: Viriato, Protásio, Espártaco e Benjamim (O Bejo).
[
12
]
Fotografado com a esposa Darcy Sarmanho Vargas, em 1911, durante o período conhecido como
Belle Époque brasileira
.
Casou-se, em São Borja, na casa de residência do Tenente Antônio Sarmanho, em 4 de março de 1911, com
Darcy Lima Sarmanho
,
[
c
]
de quinze anos de idade, com quem teve cinco filhos:
Lutero Vargas
, Getulinho, que morreu cedo,
Alzira Vargas
, Jandira e
Manuel Sarmanho Vargas
, o "Maneco" que, em 1997, cometeu suicídio da mesma forma do pai.
[
12
]
Este casamento foi um ato de conciliação, pois as famílias dos noivos eram apoiadoras de partidos políticos rivais na
Revolução Federalista
de 1893. A família de Darcy Sarmanho era
maragato
(do
Partido Federalista do Rio Grande do Sul
) e a de Getúlio
ximango
(do
Partido Republicano Rio-grandense
). Sobre maragato não se casar com ximango, Glauco Carneiro, em
Lusardo, o Último Caudilho
, conta que Thadeo Onar, em entrevista ao autor, explica que a elite política do Rio Grande vinha sendo dividida desde os primórdios da República.
[
12
]
É a tradição política... O pai era libertador, o filho também. As famílias não deixavam casar com quem fosse republicano. Era a tradição, era uma espécie de aristocracia, pois um aristocrata não vai se casar com um plebeu.
— 
Glauco Carneiro.
[
121
]
Em relação a quem seria a muito comentada amante secreta de Getúlio na
década de 1930
,
Juracy Magalhães
, no livro-entrevista autobiográfico
Juraci, o último tenente
, da Editora Record, 1996, na página 144, dá indicação segura de se tratar de
Aimée Sotto Maior
, que depois seria "a Senhora De Heeren de fama internacional",
[
122
]
dizendo que
Luís Simões Lopes
lhe dissera que "a bela Aimée fizera boas referências ao meu nome junto ao presidente, mostrando sua gratidão pela maneira que a recebera em Palácio
[
d
]
numa hora difícil".
[
12
]
Religião
Getúlio Vargas declarava-se
agnóstico
e fora influenciado em sua formação pelo
positivismo
, do qual
Júlio de Castilho
, seu mentor na política gaúcha, e seu irmão Protásio Vargas eram adeptos.
[
123
]
Em 1907, quando foi orador de turma na Faculdade Livre de Direito de Porto Alegre, Vargas afirmou que "a moral cristã é contrária à natureza humana".
[
124
]
Mas o discurso de Vargas foi mudando ao longo do tempo, uma vez que ele viu na
Igreja Católica
uma forte aliada para dar o
golpe de 1930
, que o alçou à presidência da República.
[
124
]
A ascensão de Getúlio à presidência, em 1930, representa tanto sua ruptura com as diretrizes positivistas, ideologia que influenciou o Brasil durante a República Velha, quanto a volta da influência do catolicismo no Estado laico.
Por volta de 1930, o segundo cardeal do Brasil,
Sebastião Leme
, pressionou Getúlio Vargas a reinserir o catolicismo na esfera pública brasileira, como evidencia a carta do cardeal a Getúlio: "ou o Estado […] reconhece o Deus do povo ou o povo não reconhecerá o Estado".
[
125
]
Tal atitude levou Getúlio a decretar a introdução do ensino religioso na educação pública no Brasil.
[
126
]
Perfil
Como castilhista, Getúlio vê a vida pública como missão, e assim sintetizou o seu governo em 1950: "A missão social e política de meu governo não foi ideada pelo arbítrio de um homem, nem por interesses de um grupo; foi-me imposta, a mim e aos que comigo colaboram, pelos interesses da vida nacional, e pelos próprios anseios da consciência coletiva".
[
127
]
Sobre a maneira de ver o serviço público, Luís Vergara, secretário particular de Getúlio de 1928 a 1945, conta, no livro: "Em 1951, quando ele voltou ao governo, vi os serviços da Presidência providos por uma legião de funcionários, me disseram atingir a número superior a duzentos. Ora, o Presidente não gostava de ver no Palácio muita gente. Quando se tornava indispensável trazer mais algum (no período de 1930 a 1945), ele objetava: 'Para que mais funcionários, nós já temos tantos!'".
[
128
]
E sobre o dinheiro público, Luís Vergara conta, a respeito de uma pequena sobra de dinheiro, no final de um exercício financeiro, que "nenhuma despesa era feita sem a sua aprovação e autorização", tendo Getúlio dito: "esse dinheirinho não é meu, nem teu. É do Tesouro. Manda recolher".
[
128
]
Ainda sobre a personalidade de Getúlio, Luís Vergara, relatou também um depoimento do escritor
Menotti Del Picchia
:
O escritor Menotti Del Picchia depois de uma ligeira conversa (com Getúlio) veio dizer-me que a sua impressão pessoal nesse primeiro contato era de quase perplexidade. Não pudera formar um juízo definitivo sobre o homem, mas sentira que (Getúlio) lhe havia "tirado o retrato": "- Senhor Vergara, para conhecer Getúlio, precisarei vê-lo muitas e muitas vezes. O que mais me impressionou foi o seu olhar. Aparentemente abstrato, parecia estar vendo tudo perto e longe.  Possuía o olhar periférico da mosca e mais uma supervisão das distâncias".
— 
Luís Vergara.
[
129
]
Um exemplo dessa avaliação detalhada e rápida que Getúlio fazia dos homens é a descrição que fez do Cardeal Eugênio Pacelli (futuro Papa
Pio XII
) em visita ao Rio de Janeiro, anotada no
Diário
em 21 de outubro de 1934: "Alto, esguio, ágil, inteligente, culto e discreto, tem uma figura de asceta moderno, muito diferente do tipo bonacheirão da maioria de seus colegas".
[
130
]
Já Josino Moraes traz uma visão bastante negativa do governante, ressaltando suas inseguranças, perfil ditatorial e traços violentos de sua família.
[
131
]
Ver também
Carta-testamento de Getúlio Vargas
Fascismo na América do Sul
Lista de ministros de Getúlio Vargas
Museu Getúlio Vargas
Lista dos vinte gaúchos que marcaram o século XX segundo o jornal Zero Hora
Notas e referências
Notas
↑
Em agosto de 1929, o PRR, juntamente com o
PRM
e o
PL
, formaram a coligação
Aliança Liberal
.
↑
Longa-metragem com o maior número de indicações ao prêmio
Grande Otelo do Cinema Brasileiro
daquele ano, totalizando
14 indicações e 3 premiações
.
[
115
]
↑
A grafia original do nome do biografado,
Getulio Dornelles Vargas
, deve ser atualizada conforme a
onomástica
estabelecida a partir do
Formulário Ortográfico de 1943
, por seguir as mesmas regras dos
substantivos
comuns.
[
2
]
Tal norma foi reafirmada pelos subsequentes Acordos Ortográficos da língua portuguesa.
[
3
]
[
4
]
A norma é optativa para nomes de pessoas em vida, a fim de evitar constrangimentos, mas após seu falecimento torna-se obrigatória para publicações, ainda que se possa utilizar a grafia arcaica no foro privado (Formulário Ortográfico de 1943, IX).
↑
Consta no documento o seguinte teor: "Aos vinte e nove de maio de mil oitocentos e oitenta e dois, nesta igreja matriz batizei solenemente a 'Getúlio' nato a 19 de abril deste ano, filho legítimo de Manoel do Nascimento Vargas e de Cândida Dorneles Vargas. F.P. (foram padrinhos) Antônio Garcia da Rosa e Leocádia Francisca Dorneles Garcia. E que para constar lancei este assento que assino. O vigário encomendado Roque Rotundo".
[
11
]
↑
No Acento de Casamento do Cartório de Registro Civil de São Borja, Primeiro Distrito, consta: "Aos quatro dias do mês de março de mil novecentos e onze neste Primeiro Distrito do Termo e Cidade de São Borja, Estado do Rio Grande do Sul, na casa de residência do Senhor Antônio Sarmanho nesta cidade, as nove horas da noite, presente o cidadão João Garcia Góis juiz distrital de casamento, comigo escrivão interino adiante nomeado e assinado e as testemunhas General Manuel Nascimento Vargas, Major Viriato Dornelles Vargas e o Tenente Antônio Sarmanho, receberam-se em matrimônio o cidadão Doutor Getúlio Dornelles Vargas, solteiro, com vinte e oito anos de idade, profissão advogado, natural deste estado, residente nesta cidade, filho legítimo do General Manuel do Nascimento Vargas e de Dona Cândida Dornelles Vargas, ambos naturais deste estado, e residentes nesta cidade, e Dona Darci Lima Sarmanho, com quinze anos de idade, profissão doméstica, natural deste estado, residente nesta cidade, filha legítima do Tenente Antônio Sarmanho e de dona Alzira Lima Sarmanho já falecida e sepultada no cemitério público desta cidade. E declaram não existirem parentesco entre ambos em grau proibido nem outro impedimento legal que as iniba de casar um com o outro. Em firmeza do que eu Abílio Correa Sá Escrivão Interino lavro este ato do que vai por todos assinados".
↑
A expressão "em palácio", refere-se ao Palácio do Governo da Bahia onde o tenente Juraci Magalhães era o interventor federal.
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Ligações externas
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Citações
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Governos de Getúlio Vargas no sítio oficial da Presidência da República do Brasil:
«O governo de 1930 - 1934»
 
«O governo de 1934 - 1937»
 
«O governo de 1937 - 1945»
 
«O governo de 1951 - 1954»
 
«Discursos Parlamentares de Getúlio (1903 - 1929)»
(PDF)
 
«Getúlio na CIA (pesquisar GETULIO VARGAS, sem o acento agudo)»
 
«Perfil no sítio oficial da Academia Brasileira de Letras»
 
«Biografia no site do Senado federal»
 
Precedido por
Aníbal Freire da Fonseca
Ministro da Fazenda do Brasil
1926 — 1927
Sucedido por
Francisco Chaves de Oliveira Botelho
Precedido por
Borges de Medeiros
13º Governador do Rio Grande do Sul
1928 — 1930
Sucedido por
Osvaldo Aranha
Precedido por
Junta Governativa Provisória de 1930
14º Presidente do Brasil
1930 — 1945
Sucedido por
José Linhares
Precedido por
José de Alcântara Machado
ABL - terceiro acadêmico da cadeira 37
1943 — 1954
Sucedido por
Assis Chateaubriand
Precedido por
Eurico Gaspar Dutra
17º Presidente do Brasil
1951 — 1954
Sucedido por
Café Filho
v
d
e
Getúlio Vargas
14º e 17º
Presidente do Brasil
(1930–1945; 1951-1954)
13º
Presidente do Rio Grande do Sul
(1928–1930)
Senador
pelo
Rio Grande do Sul
(1946-1951)
1ª Presidência
Revolução de 1930
Posse em 1930
Revolução Constitucionalista de 1932
Constituição brasileira de 1934
Intentona Comunista
Tribunal de Segurança Nacional
Plano Cohen
Golpe de Estado em 1937
Constituição brasileira de 1937
Levante Integralista
Marcha para o Oeste
Campanha de nacionalização
Política de boa vizinhança
Segunda Guerra Mundial
A cobra vai fumar
Acordos de Washington
Conferência do Potengi
SEMTA
Soldados da Borracha
FEB
Campanha da Itália
Batalha de Monte Castello
Batalha de Fornovo di Taro
Batalha de Montese
Batalha do Atlântico
Navios brasileiros atacados
DIP
CNP
DASP
Manifesto dos Mineiros
Deposição de Vargas
2ª Presidência
Posse em 1951
Instituto Brasileiro do Café
Lei Federal do Brasil 2004 de 1953
O petróleo é nosso
!
Processo de
impeachment
Atentado da rua Tonelero
Vida pessoal
e política
Faculdade de Direito da UFRGS
Partido Republicano Rio-Grandense
Castilhismo
Aliança Liberal
Partido Trabalhista Brasileiro (1945)
Academia Brasileira de Letras
Retrato do Velho
Morte
Carta-testamento
Eleições
Eleição presidencial no Brasil em 1930
Eleição presidencial no Brasil em 1934
Eleições gerais no Brasil em 1945
Eleição presidencial no Brasil em 1950
Legado
Banrisul
CSN
Justiça Eleitoral do Brasil
A Voz do Brasil
Companhia Siderúrgica Belgo-Mineira
CLT
Carteira de trabalho
Petrobras
CVRD
BNDE
Banco do Nordeste
FNM
Família
Darcy Vargas
(esposa)
Lutero Vargas
(filho)
Alzira Vargas
(filha)
Manuel Vargas
(filho)
Manuel Vargas
(pai)
Benjamim Vargas
(irmão)
Iara Vargas
(sobrinha)
Vargas Neto
(sobrinho)
Celina Vargas
(neta)
Ivete Vargas
(sobrinha-neta)
Relacionados
Queremismo
Rolls-Royce presidencial
Populismo
Getúlio Vargas (Rio Grande do Sul)
Presidente Vargas (Maranhão)
Presidente Getúlio
Museu Getúlio Vargas
← Junta Governativa Provisória
José Linhares →
← Eurico Dutra
Café Filho  →
Getúlio Vargas
Representações culturais
v
d
e
Presidentes do Brasil
(1889–2025)
Lista de titulares
e períodos de governo
Deodoro da Fonseca
(
1889–91
)
Floriano Peixoto
(
1891–94
)
Prudente de Morais
(
1894–98
)
Campos Sales
(
1898–02
)
Rodrigues Alves
(1902–06)
Afonso Pena
(1906–09)
Nilo Peçanha
(
1909–10
)
Hermes da Fonseca
(1910–14)
Venceslau Brás
(
1914–18
)
Delfim Moreira
(1918–19)
Epitácio Pessoa
(
1919–22
)
Artur Bernardes
(1922–26)
Washington Luís
(
1926–30
)
Getúlio Vargas
(
1930–45
)
José Linhares
(1945–46)
Eurico Gaspar Dutra
(
1946–51
)
Getúlio Vargas
(
1951–54
)
Café Filho
(1954–55)
Carlos Luz
(1955)
Nereu Ramos
(1955–56)
Juscelino Kubitschek
(
1956–61
)
Jânio Quadros
(
1961
)
Ranieri Mazzilli
(1961)
João Goulart
(
1961–64
)
Ranieri Mazzilli
(1964)
Castelo Branco
(
1964–67
)
Costa e Silva
(1967–69)
Emílio Garrastazu Médici
(
1969–74
)
Ernesto Geisel
(
1974–79
)
João Figueiredo
(1979–85)
José Sarney
(
1985–90
)
Fernando Collor
(
1990–92
)
Itamar Franco
(
1992–95
)
Fernando Henrique Cardoso
(
1995–03
)
Luiz Inácio Lula da Silva
(
2003–11
)
Dilma Rousseff
(
2011–16
)
Michel Temer
(
2016–19
)
Jair Bolsonaro
(
2019–23
)
Luiz Inácio Lula da Silva
(
2023–presente
)
Bandeira do Presidente do Brasil.
Sedes e residências
Palácio do Planalto
Palácio da Alvorada
Granja do Torto
Palácio Rio Negro
Catetinho
Palácio do Catete
Palácio do Itamaraty
Temas gerais
Bandeira
Eleições
Família
Faixa
Gabinete
Gabinete de Transição
Linha de sucessão
Popularidade
Posse
Livro
Presidencialismo
Junta militar brasileira de 1969
v
d
e
Governadores do Rio Grande do Sul
(1889–2025)
República Velha
(
1.ª República
)
Correia da Câmara
Falcão da Frota
Silva Tavares
Machado Bittencourt
Candido da Costa
Abbott
Júlio de Castilhos
Junta governativa gaúcha de 1891
Correia da Câmara
Vitorino Monteiro
Abbott
Júlio de Castilhos
Borges de Medeiros
Barbosa Gonçalves
Borges de Medeiros
Getúlio Vargas
2.ª República
Osvaldo Aranha
Sinval Saldanha
Flores da Cunha
3.ª República
Daltro Filho
Maurício Cardoso
Cordeiro de Farias
Ernesto Dorneles
Samuel Figueiredo
4.ª República
Pompílio Cylon
Walter Jobim
Ernesto Dorneles
Meneghetti
Brizola
Meneghetti
Ditadura Militar
(
5.ª República
)
Meneghetti
Peracchi
Triches
Guazzelli
Amaral de Souza
Jair Soares
Nova República
(
6.ª República
)
Simon
Guazzelli
Alceu Collares
Antônio Britto
Olívio Dutra
Rigotto
Yeda Crusius
Tarso Genro
Sartori
Eduardo Leite
Ranolfo Vieira Júnior
Eduardo Leite
←
Presidentes da Província de São Pedro do Rio Grande do Sul
(1822–1889)
v
d
e
Senadores do Brasil pelo Rio Grande do Sul
(1826–2025)
Século XXI
Mourão
Heinze
Martins
Lemos
Paim
Simon
Zambiasi
Fernandes
Domeneghini
Fogaça
Século XX
Bisol
Hoffmann
Chiarelli
Saldanha
Cardoso
Dutra
Brossard
Krieger
Mondin
Sá
Fonseca
Lindgren
Pasqualini
Câmara
Beck
Simch
Pinheiro
Mércio
Dorneles
Vargas
S. Filho
Cunha
Lopes
P. Filho
Abreu
Barbosa
Santos
Correia
Monteiro
Assunção
Pinheiro Machado
Nascimento
Fortuna
Frota
Barcelos
Século XIX
D'Avila
Martins
Câmara
Caxias
Abreu e Silva
Osório
Ribeiro
Braga
Chaves
Soledade
v
d
e
Ministros da Fazenda do Brasil
(1822–2025)
Primeiro reinado
(
D. Pedro I
)
Martim Francisco Ribeiro de Andrada
Manuel Jacinto Nogueira da Gama
Sebastião Luís Tinoco da Silva
Mariano José Pereira da Fonseca
Felisberto Caldeira Brant Pontes de Oliveira Horta
Antônio Luís Pereira da Cunha
Manuel Jacinto Nogueira da Gama
João Severiano Maciel da Costa
Miguel Calmon du Pin e Almeida
José Clemente Pereira
José Bernardino Batista Pereira de Almeida
Miguel Calmon du Pin e Almeida
Felisberto Caldeira Brant Pontes de Oliveira Horta
José Antônio Lisboa
Antônio Francisco de Paula de Holanda Cavalcanti de Albuquerque
Manuel Jacinto Nogueira da Gama
Período regencial
José Inácio Borges
Bernardo Pereira de Vasconcelos
Joaquim José Rodrigues Torres
Antônio Francisco de Paula de Holanda Cavalcanti de Albuquerque
Nicolau Pereira de Campos Vergueiro
Cândido José de Araújo Viana
Antônio Pinto Chichorro da Gama
Manuel do Nascimento Castro e Silva
Manuel Alves Branco
Miguel Calmon du Pin e Almeida
Cândido Batista de Oliveira
Manuel Alves Branco
Silva Maia
Segundo reinado
(
D. Pedro II
)
Martim Francisco Ribeiro de Andrada
Miguel Calmon du Pin e Almeida
Joaquim Francisco Viana
Manuel Alves Branco
Antônio Francisco de Paula de Holanda Cavalcanti de Albuquerque
José Joaquim Fernandes Torres
(interino)
Manuel Alves Branco
Saturnino de Sousa e Oliveira Coutinho
(interino)
Antônio Paulino Limpo de Abreu
Dias de Carvalho
Francisco de Paula Sousa e Melo
Bernardo de Sousa Franco
(interino)
Pedro de Araújo Lima
Joaquim José Rodrigues Torres
(interino)
Paulino José Soares de Sousa
(interino)
Manuel Felizardo de Sousa e Melo
(interino)
Honório Hermeto Carneiro Leão
Antônio Paulino Limpo de Abreu
Honório Hermeto Carneiro Leão
João Maurício Wanderley
Bernardo de Sousa Franco
Francisco de Sales Torres Homem
Ângelo Moniz da Silva Ferraz
José Maria da Silva Paranhos
Dias de Carvalho
Antônio Francisco de Paula de Holanda Cavalcanti de Albuquerque
Dias de Carvalho
Carlos Carneiro de Campos
Dias de Carvalho
Francisco de Paula da Silveira Lobo
João da Silva Carrão
Zacarias de Góis e Vasconcelos
Joaquim José Rodrigues Torres
Francisco de Sales Torres Homem
José Maria da Silva Paranhos
João Maurício Wanderley
João Lins Vieira Cansanção de Sinimbu
Gaspar da Silveira Martins
Afonso Celso de Assis Figueiredo
José Antônio Saraiva
Martinho Álvares da Silva Campos
João Lustosa da Cunha Paranaguá
Lafayette Rodrigues Pereira
Sousa Dantas
José Antônio Saraiva
Francisco Belisário Soares de Sousa
João Alfredo Correia de Oliveira
Afonso Celso de Assis Figueiredo
Cândido Luís Maria de Oliveira
(interino)
Afonso Celso de Assis Figueiredo
República Velha
(
1.ª República
)
Ruy Barbosa
Tristão de Alencar Araripe
Henrique Pereira de Lucena
Antão Gonçalves de Faria
(interino)
Rodrigues Alves
Antão Gonçalves de Faria
(interino)
Serzedelo Correia
Felisbelo Firmo de Oliveira Freire
Alexandre Cassiano do Nascimento
(interino)
Rodrigues Alves
Bernardino de Campos
Joaquim Murtinho
Sabino Barroso
Leopoldo de Bulhões
David Morethson Campista
Leopoldo de Bulhões
Francisco Antônio de Sales
Rivadávia Correia
(interino)
Rivadávia Correia
Sabino Barroso
Pandiá Calógeras
(interino)
Pandiá Calógeras
Augusto Tavares de Lira
(interino)
Antônio Carlos Ribeiro de Andrada
Augusto Tavares de Lira
(interino)
Amaro Cavalcanti
João Ribeiro de Oliveira e Sousa
Homero Batista
Sampaio Vidal
Aníbal Freire da Fonseca
Getúlio Vargas
Oliveira Botelho
Era Vargas
(
2.ª
e
3.ª
Repúblicas)
Agenor Lafayette de Roure
José Maria Whitaker
Osvaldo Aranha
Artur de Sousa Costa
Orlando Bandeira Vilela
(interino)
Artur de Sousa Costa
Romero Estelita Cavalcanti Pessoa
(interino)
Artur de Sousa Costa
Paulo de Lira Tavares
(interino)
Artur de Sousa Costa
José Pires do Rio
Período Populista
(
4.ª República
)
Gastão Vidigal
Onaldo Brancante Machado
(interino)
Pedro Luís Correia e Castro
Oscar Santa Maria Pereira
(interino)
Pedro Luís Correia e Castro
José Vieira Machado
(interino)
Pedro Luís Correia e Castro
Ovídio de Abreu
(interino)
Pedro Luís Correia e Castro
Manuel Guilherme da Silveira Filho
Horácio Lafer
Alberto Andrade de Queirós
(interino)
Horácio Lafer
Osvaldo Aranha
Eugênio Gudin
Otávio Gouveia de Bulhões
(interino)
Eugênio Gudin
José Maria Whitaker
Mário Leopoldo Pereira da Câmara
José Maria Alkmin
Sebastião Paes de Almeida
(interino)
José Maria Alkmin
João de Oliveira Castro Viana Júnior
(interino)
José Maria Alkmin
Lucas Lopes
Sebastião Paes de Almeida
(interino)
Sebastião Paes de Almeida
Maurício Chagas Bicalho
(interino)
Sebastião Paes de Almeida
Antônio Carlos Barcellos
(interino)
Sebastião Paes de Almeida
Clemente Mariani
Hamilton Prisco Paraíso
(interino)
Clemente Mariani
Walther Moreira Salles
Tancredo Neves
(interino)
Walther Moreira Salles
Francisco de Paula Brochado da Rocha
Walther Moreira Salles
Henrique Domingos Ribeiro Barbosa
(interino)
Walther Moreira Salles
Miguel Calmon du Pin e Almeida Sobrinho
(interino)
Miguel Calmon du Pin e Almeida Sobrinho
San Tiago Dantas
Antônio Balbino
(interino)
Carvalho Pinto
Hélio Bicudo
(interino)
Carvalho Pinto
Ney Neves Galvão
Waldyr Ramos Borges
(interino)
Ney Neves Galvão
Ditadura militar
(
5.ª República
)
Otávio Gouveia de Bulhões
(interino)
Otávio Gouveia de Bulhões
Roberto Campos
(interino)
Otávio Gouveia de Bulhões
Eduardo Lopes Rodrigues
(interino)
Otávio Gouveia de Bulhões
Delfim Netto
Fernando Ribeiro do Val
(interino)
Delfim Netto
José Flávio Pécora
Mário Henrique Simonsen
Karlos Heinz Rischbieter
Márcio Fortes
(interino)
Ernane Galvêas
Eduardo Pereira de Carvalho
(interino)
Carlos Viacava
(interino)
Ernane Galvêas
Nova República
(
6.ª República
)
Francisco Dornelles
Dilson Funaro
Luiz Carlos Bresser-Pereira
Maílson da Nóbrega
(interino)
Maílson da Nóbrega
Zélia Cardoso de Mello
Marcílio Marques Moreira
Gustavo Krause
Paulo Roberto Haddad
Eliseu Resende
Fernando Henrique Cardoso
Rubens Ricupero
Ciro Gomes
Pedro Malan
Antonio Palocci
Guido Mantega
Bernard Appy
(interino)
Guido Mantega
Joaquim Levy
Nelson Barbosa
Henrique Meirelles
Eduardo Guardia
Waldery Rodrigues†
Bruno Funchal
†
Esteves Colnago
†
Fernando Haddad
†
Indica secretário com atribuições equivalentes ao ministro da Fazenda (órgão extinto durante o
governo Bolsonaro
)
v
d
e
Gabinete
do
presidente
Washington Luís
(1926–1930)
Vice-presidente
Fernando de Melo Viana
(1926–1930)
Ministérios
Agricultura, Indústria e Comércio
Geminiano Lira Castro
(1926–1930)
Fazenda
Getúlio Vargas
(1926–1927)
Francisco Chaves de Oliveira Botelho
(1927–1930)
Guerra
Nestor Sezefredo dos Passos
(1926–1930)
Justiça e Negócios Interiores
Augusto Viana do Castelo
(1926–1930)
Marinha
Arnaldo de Siqueira Pinto da Luz
(1926–1930)
Relações Exteriores
Otávio Mangabeira
(1926–1930)
Viação e Obras Públicas
Vítor Konder
(1926–1930)
Órgãos
(ligados à
Presidência da
República)
Consultoria Geral
da República
Rodrigo Otávio
(1926–1929)
Solidônio Leite
(1929–1930)
Secretaria da Presidência
da República
Alarico da Silveira
(1926–1930)
←
Gabinete de Artur Bernardes
(1922–1926) •
Gabinete da Junta Governativa Provisória de 1930
(1930) →
v
d
e
Gabinete
de
Getúlio Vargas
(1930–1945)
Vice-presidente
Nenhum
(1930–1945)
Ministérios
Aeronáutica
Joaquim Pedro Salgado Filho
(1941–1945)
Agricultura
Joaquim Francisco de Assis Brasil
(1930–1932) •
Juarez Távora
(1932–1934) •
Edmundo Navarro de Andrade
(interino) (1933) •
Odilon Duarte Braga
(1934–1937) •
Guilherme Edelberto Hermsdorff
(interino) (1934) •
José Solano Carneiro da Cunha
(interino) (1935) •
Fernando de Sousa Costa
(1937–1941) •
Carlos de Sousa Duarte
(1941–1942) •
Apolônio Jorge de Faria Sales
(1942–1945) •
João Maurício de Medeiros
(interino) (1944–1945)
Educação e Saúde Pública
Francisco Campos
(1930–1932) •
Belisário Penna
(interino) (1931) •
Washington Ferreira Pires
(1932–1934) •
Gustavo Capanema
(1934–1945)
Fazenda
José Maria Whitaker
(1930–1931) •
Osvaldo Aranha
(1931–1934) •
Artur de Sousa Costa
(1934–1945) •
Orlando Bandeira Vilela
(interino) (1937) •
Romero Estelita Cavalcanti Pessoa
(interino) (1939) •
Paulo de Lira Tavares
(interino) (1944)
Guerra
José Fernandes Leite de Castro
(1930–1932) •
Augusto Inácio do Espírito Santo Cardoso
(1932–1934) •
Pedro Aurélio de Góis Monteiro
(1934–1935) •
João Gomes Ribeiro Filho
(1935–1936) •
Eurico Gaspar Dutra
(1936–1945) •
Pedro Aurélio de Góis Monteiro
(1945)
Justiça e Negócios Interiores
Osvaldo Aranha
(1930–1931) •
Maurício Cardoso
(1931–1932) •
Francisco Campos
(1932) •
Afrânio de Melo Franco
(1932) •
Francisco Antunes Maciel Júnior
(1932–1934) •
Vicente Rao
(1934–1937) •
Agamenon Magalhães
(1937) •
José Carlos de Macedo Soares
(1937) •
Francisco Campos
(1937–1942) •
Alexandre Marcondes Machado Filho
(1942–1943) •
Fernando Antunes
(1943) •
Alexandre Marcondes Machado Filho
(1943–1945) •
Agamenon Magalhães
(1945)
Marinha
Isaías de Noronha
(1930) •
Conrado Heck
(1930–1931) •
Protógenes Guimarães
(1931–1935) •
Henrique Aristides Guilhem
(1935–1945)
Relações Exteriores
Afrânio de Melo Franco
(1930–1933) •
Félix de Barros Cavalcanti de Lacerda
(1933–1934) •
José Carlos de Macedo Soares
(1934–1936) •
Mário de Pimentel Brandão
(1936–1938) •
Osvaldo Aranha
(1938–1944) •
Ciro de Freitas Vale
(1939) •
Pedro Leão Veloso
(1944–1945)
Trabalho, Indústria e Comércio
Lindolfo Collor
(1930–1932) •
Joaquim Pedro Salgado Filho
(1932–1934) •
Agamenon Magalhães
(1934–1937) •
Waldemar Falcão
(1937–1941) •
Dulfe Pinheiro Machado
(1941) •
Alexandre Marcondes Machado Filho
(1941–1945)
Viação e Obras Públicas
Juarez Távora
(1930) •
Paulo de Morais Barros
(1930) •
José Américo de Almeida
(1930–1934) •
Fernando Augusto de Almeida Brandão
(interino) (1932) •
João Marques dos Reis
(1934–1937) •
João de Mendonça Lima
(1937–1945) •
Érico Delamare
(interino) (1938) •
João de Mendonça Lima
(1937–1945)
Órgãos
(ligados à
Presidência da
República)
Consultoria Geral
da República
Levi Carneiro
(1930–1932) •
Raul Fernandes
(1932) •
Carlos Maximiliano Pereira dos Santos
(1932–1933) •
Fernando Antunes
(1933) •
Francisco Campos
(1934-1937) •
Aníbal Freire da Fonseca
(1938–1940) •
Orozimbo Nonato
(1940–1941) •
Hahnemann Guimarães
(1941–1945) •
Themístocles Cavalcanti
(1945)
Departamento Administrativo
do Serviço Público
Luís Simões Lopes
(1938–1945)
Gabinete Civil
Gregório da Fonseca
(1930–1934) •
Ronald de Carvalho
(1934–1935) •
Artur Guimarães de Araújo Jorge
(1935) •
Otto Prazeres
(1935–1936) •
Luís Fernandes Vergara
(1936–1945)
Gabinete Militar
Francisco Ramos de Andrade Neves
(1930–1931) •
Raul Tavares
(1931) •
João Ferreira Johnson
(1931–1932) •
Pantaleão da Silva Pessoa
(1932–1935) •
Newton de Andrade Cavalcanti
(1935) •
Francisco José Pinto
(1935–1942) •
Firmo Freire do Nascimento
(1942–1945)
←
Gabinete da Junta Governativa Provisória de 1930
•
Gabinete de José Linhares (1945–1946)
→
v
d
e
Gabinete
de
Getúlio Vargas
(1951–1954)
Vice-presidente
Café Filho
(1951–1954)
Ministérios
Aeronáutica
Nero Moura
(1951–1954) •
Epaminondas Gomes dos Santos
(1954)
Agricultura
João Cleofas
(1951–1954) •
Osvaldo Aranha
(1954) •
Apolônio Sales
(1954)
Educação
Ernesto Simões Filho
(1951–1953) •
Péricles Madureira de Pinho
(1953) •
Antônio Balbino
(1953–1954) •
Edgard Santos
(1954)
Fazenda
Horácio Lafer
(1951–1953) •
Alberto Andrade de Queirós
(1952) •
Osvaldo Aranha
(1953–1954)
Guerra
Newton Estillac Leal
(1951–1952) •
Ciro do Espírito Santo Cardoso
(1952–1954) •
Euclides Zenóbio da Costa
(1954)
Justiça e Negócios Interiores
Negrão de Lima
(1951–1953) •
Tancredo Neves
(1953–1954)
Marinha
Renato de Almeida Guillobel
(1951–1954)
Relações Exteriores
João Neves da Fontoura
(1951–1953) •
Mário de Pimentel Brandão
(1953) •
Vasco Leitão da Cunha
(1954) •
Vicente Rao
(1953–1954)
Saúde
Antônio Balbino
(1953) •
Miguel Couto Filho
(1953–1954) •
Mário Pinotti
(1954)
Trabalho, Indústria e Comércio
Danton Coelho
(1951) •
José de Segadas Viana
(1951–1953) •
João Goulart
(1953–1954) •
Hugo de Araújo Faria
(1954)
Viação e Obras Públicas
Álvaro Pereira de Sousa Lima
(1951–1953) •
José Américo de Almeida
(1953–1954)
Órgãos
(ligados à
Presidência da
República)
Consultoria Geral
da República
Luciano Pereira da Silva
(1951) •
Carlos Medeiros
(1951–1954)
Departamento Administrativo
do Serviço Público
Paulo Poppe de Figueiredo
(1951) •
Arizio de Viana
(1951–1954)
Estado-Maior
das Forças Armadas
Pedro Aurélio de Góis Monteiro
(1951–1952) •
Mascarenhas de Morais
(1953–1954)
Gabinete Civil
Lourival Fontes
(1951–1954)
Gabinete Militar
Ciro do Espírito Santo Cardoso
(1951–1952) •
Aguinaldo Caiado de Castro
(1952–1954)
←
Gabinete de Eurico Gaspar Dutra (1946–1951)
•
Gabinete de Café Filho (1954–1955)
→
v
d
e
Academia Brasileira de Letras
História
Presidentes
Sócios
Patronos e membros da Academia Brasileira de Letras
Cadeiras 1 a 10
1 (
Adelino Fontoura
)
Luís Murat
Afonso d'Escragnolle Taunay
Ivan Monteiro de Barros Lins
Bernardo Élis
Evandro Lins e Silva
Ana Maria Machado
2 (
Álvares de Azevedo
)
Coelho Neto
João Neves da Fontoura
Guimarães Rosa
Mário Palmério
Tarcísio Padilha
Eduardo Giannetti
3 (
Artur de Oliveira
)
Filinto de Almeida
Roberto Simonsen
Aníbal Freire da Fonseca
Herberto Sales
Carlos Heitor Cony
Joaquim Falcão
4 (
Basílio da Gama
)
Aluísio Azevedo
Alcides Maia
Vianna Moog
Carlos Nejar
5 (
Bernardo Guimarães
)
Raimundo Correia
Oswaldo Cruz
Aloísio de Castro
Cândido Mota Filho
Rachel de Queiroz
José Murilo de Carvalho
Ailton Krenak
6 (
Casimiro de Abreu
)
Teixeira de Melo
Artur Silveira de Motta
Goulart de Andrade
Barbosa Lima Sobrinho
Raimundo Faoro
Cícero Sandroni
Milton Hatoum
(posse pendente)
7 (
Castro Alves
)
Valentim Magalhães
Euclides da Cunha
Afrânio Peixoto
Afonso Pena Júnior
Hermes Lima
Pontes de Miranda
Dinah Silveira de Queiroz
Sergio Corrêa da Costa
Nelson Pereira dos Santos
Cacá Diegues
Miriam Leitão
8 (
Cláudio Manuel da Costa
)
Alberto de Oliveira
Oliveira Viana
Austregésilo de Athayde
Antônio Calado
Antônio Olinto
Cleonice Berardinelli
Ricardo Cavaliere
9 (
Gonçalves de Magalhães
)
Carlos Magalhães de Azeredo
Marques Rebelo
Carlos Chagas Filho
Alberto da Costa e Silva
Lilia Schwarcz
10 (
Evaristo da Veiga
)
Ruy Barbosa
Laudelino Freire
Osvaldo Orico
Orígenes Lessa
Lêdo Ivo
Rosiska Darcy
Cadeiras 11 a 20
11 (
Fagundes Varella
)
Lúcio de Mendonça
Pedro Lessa
Eduardo Ramos
João Luís Alves
Adelmar Tavares
Deolindo Couto
Darcy Ribeiro
Celso Furtado
Hélio Jaguaribe
Ignácio de Loyola Brandão
12 (
França Júnior
)
Urbano Duarte
Augusto de Lima
Vítor Viana
José Carlos de Macedo Soares
Abgar Renault
Lucas Moreira Neves
Alfredo Bosi
Paulo Niemeyer Soares Filho
13 (
Francisco Otaviano
)
Alfredo d'Escragnolle Taunay
Francisco de Castro
Martins Júnior
Sousa Bandeira
Hélio Lobo
Augusto Meyer
Francisco de Assis Barbosa
Sérgio Paulo Rouanet
Ruy Castro
14 (
Franklin Távora
)
Clóvis Beviláqua
Carneiro Leão
Fernando de Azevedo
Miguel Reale
Celso Lafer
15 (
Gonçalves Dias
)
Olavo Bilac
Amadeu Amaral
Guilherme de Almeida
Odilo Costa Filho
Marcos Barbosa
Fernando Bastos de Ávila
Marco Lucchesi
16 (
Gregório de Matos
)
Araripe Júnior
Félix Pacheco
Pedro Calmon
Lygia Fagundes Telles
Jorge Caldeira
17 (
Hipólito da Costa
)
Sílvio Romero
Osório Duque-Estrada
Roquette-Pinto
Álvaro Lins
Antônio Houaiss
Affonso Arinos de Mello Franco
Fernanda Montenegro
18 (
João Francisco Lisboa
)
José Veríssimo
Barão Homem de Melo
Alberto Faria
Luís Carlos
Pereira da Silva
Peregrino Júnior
Arnaldo Niskier
19 (
Joaquim Caetano
)
Alcindo Guanabara
Silvério Gomes Pimenta
Gustavo Barroso
Silva Melo
Américo Jacobina Lacombe
Marcos Almir Madeira
Antônio Carlos Secchin
20 (
Joaquim Manuel de Macedo
)
Salvador de Mendonça
Emílio de Meneses
Humberto de Campos
Múcio Leão
Aurélio de Lira Tavares
Murilo Melo Filho
Gilberto Gil
Cadeiras 21 a 30
21 (
Joaquim Serra
)
José do Patrocínio
Mário de Alencar
Olegário Mariano
Álvaro Moreyra
Adonias Filho
Dias Gomes
Roberto Campos
Paulo Coelho
22 (
José Bonifácio
)
Medeiros e Albuquerque
Miguel Osório de Almeida
Luís Viana Filho
Ivo Pitanguy
João Almino
23 (
José de Alencar
)
Machado de Assis
Lafayette Rodrigues Pereira
Alfredo Pujol
Otávio Mangabeira
Jorge Amado
Zélia Gattai
Luiz Paulo Horta
Antônio Torres
24 (
Júlio Ribeiro
)
Garcia Redondo
Luís Guimarães Filho
Manuel Bandeira
Cyro dos Anjos
Sábato Magaldi
Geraldo Carneiro
25 (
Junqueira Freire
)
Franklin Dória
Artur Orlando da Silva
Ataulfo de Paiva
José Lins do Rego
Afonso Arinos de Melo Franco
Alberto Venancio Filho
26 (
Laurindo Rabelo
)
Guimarães Passos
João do Rio (Paulo Barreto)
Constâncio Alves
Ribeiro Couto
Gilberto Amado
Mauro Mota
Marcos Vilaça
José Roberto de Castro Neves
27 (
Maciel Monteiro
)
Joaquim Nabuco
Dantas Barreto
Gregório da Fonseca
Levi Carneiro
Otávio de Faria
Eduardo Portella
Antonio Cicero
Edgard Telles Ribeiro
28 (
Manuel Antônio de Almeida
)
Inglês de Sousa
Xavier Marques
Menotti Del Picchia
Oscar Dias Correia
Domício Proença Filho
29 (
Martins Pena
)
Artur Azevedo
Vicente de Carvalho
Cláudio de Sousa
Josué Montello
José Mindlin
Geraldo Holanda Cavalcanti
30 (
Pardal Mallet
)
Pedro Rabelo
Heráclito Graça
Antônio Austregésilo
Aurélio Buarque de Holanda
Nélida Piñon
Heloísa Teixeira
Paulo Henriques Britto
Cadeiras 31 a 40
31 (
Pedro Luís
)
Guimarães Júnior
João Ribeiro
Paulo Setúbal
Cassiano Ricardo
José Cândido de Carvalho
Geraldo França de Lima
Moacyr Scliar
Merval Pereira
32 (
Manuel de Araújo Porto-Alegre
)
Carlos de Laet
Ramiz Galvão
Viriato Correia
Joracy Camargo
Genolino Amado
Ariano Suassuna
Zuenir Ventura
33 (
Raul Pompeia
)
Domício da Gama
Fernando Magalhães
Luís Edmundo
Afrânio Coutinho
Evanildo Bechara
Ana Maria Gonçalves
(posse pendente)
34 (
Sousa Caldas
)
João Manuel Pereira da Silva
Barão do Rio Branco
Lauro Müller
Aquino Correia
Raimundo Magalhães Júnior
Carlos Castelo Branco
João Ubaldo Ribeiro
Evaldo Cabral de Mello
35 (
Tavares Bastos
)
Rodrigo Otávio
Rodrigo Otávio Filho
José Honório Rodrigues
Celso Cunha
Cândido Mendes de Almeida
Godofredo de Oliveira Neto
36 (
Teófilo Dias
)
Afonso Celso
Clementino Fraga
Paulo Carneiro
José Guilherme Merquior
João de Scantimburgo
Fernando Henrique Cardoso
37 (
Tomás António Gonzaga
)
Silva Ramos
Alcântara Machado
Getúlio Vargas
Assis Chateaubriand
João Cabral de Melo Neto
Ivan Junqueira
Ferreira Gullar
Arno Wehling
38 (
Tobias Barreto
)
Graça Aranha
Santos Dumont
Celso Vieira de Matos Melo Pereira
Maurício de Medeiros
José Américo de Almeida
José Sarney
39 (
Visconde de Porto Seguro
)
Oliveira Lima
Alberto de Faria
Rocha Pombo
Rodolfo Garcia
Elmano Cardim
Otto Lara Resende
Roberto Marinho
Marco Maciel
José Paulo Cavalcanti Filho
40 (
Visconde do Rio Branco
)
Eduardo Prado
Afonso Arinos
Miguel Couto
Alceu Amoroso Lima
Evaristo de Moraes Filho
Edmar Bacha
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d
e
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BIBSYS
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BMT
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156507
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:
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:
XX1147333
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:
12069140c
BRE
:
1900247
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:
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CiNii
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Dodis
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EBID
:
ID
FAST
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63576
GND
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118803956
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:
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:
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:
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:
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